12 junho 2007

Rio: alto risco para os animais

Segundo levantamento do IBGE, o estado apresenta o maior número de espécies correndo perigo de serem extintas devido ao desmatamento

O Fluminense

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística lançou ontem um mapeamento dos animais da fauna brasileira ameaçados de extinção. Com base em uma lista do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 2003, o IBGE revela o local que configura o habitat desses animais que correm risco de desaparecerem do cenário nacional. De acordo com o IBGE, o caso mais grave é o da perereca Phrynomedusa fimbriata, comum em Paranapiacaba, na região de Santo André (ABC), já considerado extinto.


A lista do Ibama, que serviu de base para o estudo, apontava um total de 105 espécies e subespécies de animais sob ameaça de extinção, entre mamíferos, répteis e anfíbios. Alguns exemplos são a baleia-azul, o mico-leão-de-cara-preta, o mico-leão-preto, tartaruga-de-couro, macaco-prego-de-peito-amarelo e peixe-boi-marinho.


De acordo com o estudo, a região Sudeste é onde há o maior número de espécies em risco de extinção. Das 105 totais, 39 ocorrem no Rio de Janeiro, 38 em São Paulo e 37 em Minas Gerais.

De acordo com Lícia Leone Couto, bióloga do IBGE, a extinção dos animais está ligada ao desenvolvimento econômico. "Essa região de mata atlântica é muito atingida por devastações das florestas por construções imobiliárias e abertura de estradas. Geralmente, a região que tem maior progresso, onde o homem penetrou mais, também tem maior destruição no habitat das espécies", explicou.


No outro extremo, aparece a Região Norte. O estado do Acre, por exemplo, conta com sete animais na lista do Ibama; Roraima com oito e Rondônia e Amapá, cada um com dez. A bióloga do IBGE explica que na região as florestas ainda prevalecem com menor grau de devastação para construções imobiliárias.


Ainda segundo a bióloga do IBGE, que considera alto o número de animais em risco de extinção no país, os principais fatores para o desaparecimento, além da destruição do habitat, são a poluição do ar e das águas, a caça predatória e o comércio ilegal de animais, tanto para fins ornamentais, como para abastecer zoológicos internacionais.

Segundo Lícia Couto, "com base nos dados, que ficam mais evidentes quando organizados espacialmente em um mapa, é possível observar a real situação da conservação das espécies da fauna brasileira e, com isso, nortear ações públicas de preservação, como a criação de novas unidades de conservação".


No ano passado, o IBGE divulgou o mapa de aves ameaçadas. Neste ano, deverá publicar, ainda, um mapa contendo 130 espécies e sub-espécies de insetos e demais invertebrados terrestres. Em 2008, será a vez dos peixes e invertebrados aquáticos.

Despoluição da Baía

O Fluminense


Em março, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) ganhou um novo impulso para a conclusão de sua primeira fase. O governador Sérgio Cabral Filho e o presidente da Nova Cedae, Wagner Victer, assinaram a liberação de R$ 58 milhões, oriundos do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental). A verba será aplicada na ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Alegria, no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio. Em maio, a Cedae rompeu o último trecho de terra que impedia a ligação do sistema coletor de esgotos da Praça da Bandeira ao tronco que conecta à Estação de Alegria.


Com isso, a empresa projeta que 200 litros de esgoto por segundo, que antes eram despejados no Rio Maracanã, deixarão de ser lançados in-natura na Baía de Guanabara e passarão a receber tratamento na ETE Alegria.


Victer destacou que a nova rede beneficiará cerca de cem mil habitantes em regiões como a Praça da Bandeira, Vila Isabel (Boulevard 28 de Setembro), Tijuca (Mariz e Barros e São Francisco Xavier), Avenida Maracanã e adjacências.


O secretário estadual de Ambiente, Carlos Minc, contou ainda que conseguiu a liberação de R$ 3,5 milhões do Ministério das Cidades para a criação do Plano Diretor de Resíduos, que reunirá em um consórcio 16 municípios do Estado, entre eles Niterói. O objetivo do consórcio é estabelecer metas para controlar a poluição ambiental.

Patrimônios naturais, Lagoa de Piratininga e Parque da Serra da Tiririca passam por momentos decisivos

Isabel de Araújo – O Fluminense

No próximo dia 5 será comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Para marcar a data, nada melhor do que a certeza de que projetos de preservação e recuperação ambiental estão sendo postos em prática. Em Niterói, o ano de 2007 serviu para a retomada de dois grandes trabalhos.
Em abril, a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) reiniciou a segunda etapa da revitalização do sistema lagunar de Piratininga-Itaipu, na Região Oceânica. As intervenções prometem renovar toda a água das lagoas a partir do primeiro semestre de 2008.


Além disto, na próxima quarta-feira, será votada a lei de delimitação da área do Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizado entre Niterói e Maricá, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


Em março deste ano, a Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) retomou o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que promete - através da ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Alegria, no Caju, Zona Portuária do Rio, prevista para dezembro - impedir o despejo de uma quantidade equivalente a um Maracanã de esgoto por dia na Baía.


O vice-presidente da Serla, Carlos Abenza, garantiu que o andamento da segunda fase do projeto de revitalização da Lagoa de Piratininga caminha de acordo com o cronograma. No entanto, ele disse que pode ser necessária a complementação do orçamento, em torno de R$ 1,5 milhão, para reparos no traçado original.


"Esta verba já estava prevista. Como estamos perfurando rochas, sabíamos das dificuldades em alguns trechos".


Nesta etapa, orçada em R$ 8,5 milhões, será concluída a escavação dos 288 metros do túnel entre a lagoa e o mar, a instalação do sistema de comportas nos canais do Tibau e de Camboatá e Também a dragagem de um canal no local.


Qual o melhor presente para Niterói?


Na semana em que é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, O FLUMINENSE ouviu autoridades do setor, que definiram quais seriam as principais melhorias para a cidade

"A renovação das águas do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu e a delimitação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Acredito que a realização destes dois projetos, que estão muito bem encaminhados e próximos de uma solução, seriam o melhor para a cidade. Ambos são maiores patrimônios ambientais do município e é fundamental que sejam protegidos ." Carlos Minc, secretário estadual de Ambiente


"A melhoria mais importante seria a conclusão das ligações de esgoto. Atualmente, a cidade tem cerca de 85% dos imóveis conectados, graças a Águas de Niterói. Mas torço para que Niterói seja pioneira com 100% de esgoto tratado. As praias do entorno da Baía serão as mais beneficiadas. Somente assim teremos a total confiança na balneabilidade". Jefferson Martins, secretário municipal de Meio Ambiente


"Acho que o melhor presente para o niteroiense seria ter todas as praias da Baía de Guanabara próprias para o banho. Já a grande melhoria para Niterói fica por conta da necessidade de diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera. Para isso, é fundamental amenizar o quadro dos engarrafamentos no município, que tanto contribui para a poluição do ar". Axel Grael, presidente da Feema


Limites do Parque


A segunda e definitiva votação da Lei 1.901/91, que vai determinar os limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca, está marcada para quarta-feira, às 16h, no auditório da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no Centro do Rio.


O deputado estadual Comte Bittencourt (PPS), que presidirá a sessão onde será votado o projeto de lei, antecipou que serão apresentadas seis emendas para a lei. As duas primeiras seriam relacionadas com a remoção de uma pequena área do limite, referente ao Morro das Andorinhas, entre Itaipu e Itracoatiara, onde residem cerca de 13 famílias.


A terceira diz respeito a permanência de 6 mil famílias que moram no limite do parque com o Engenho do Mato há pelo menos 50 anos. A quarta pede que sejam definidos os limites anteriores ao projeto de lei, indo contra as três primeiras, e as duas últimas pedirão que sejam acolhidos ao limite áreas específicas não divulgadas.


"Acredito que entre estas, apenas três ganhem a simpatia dos parlamentares. A remoção de parte do Morro das Andorinhas e a permanência das famílias tradicionais no Engenho do Mato", comentou.


Fundado em 1991, o parque nunca teve uma delimitação definida. Dotada de uma área composta por mais de 20 quilômetros quadrados de floresta remanescente de Mata Atlântica, a serra vem sofrendo desde sua fundação com invasões, depredação e comercialização de loteamentos.


Segundo dados da comissão da Frente de Defesa da Serra da Tiririca, durante os últimos 16 anos, a área já sofreu a perda de cinco quilômetros quadrados para a construção de casas.

Cinco mil anos de furacões - O aquecimento global contribuiu para esse fenômeno?

Amostras de solo da lagoa Playa Grande, em Porto Rico, possibilitaram que cientistas dos Estados Unidos analisassem uma história de cinco mil anos de furacões no Oceano Atlântico
Franziska Badenschier - Der Spiegel
Em Woods Hole, Massachusetts


A primeira vista, as amostras de solo coletadas pelo geofísico Jeffrey Donnelly na lagoa Playa Grande, em Porto Rico, não parecem dar motivo nenhum para empolgação. O material armazenado no seu laboratório em Woods Hole, no Estado de Massachusetts parece consistir apenas de pedaços de argila preta e úmida. Mas quem observar as amostras mais atentamente verá as camadas cinzentas e porosas de grãos diminutos. Trata-se de areia que foi transferida de uma área próxima para a lago por poderosos furacões. Ao se examinar as camadas de areia em cada uma das amostras de quatro metros de comprimento, elas se transformam em um extenso registro de história climática. Juntas, elas representam a mais longa cronologia de atividades de furacões existente no mundo.

As amostras permitiram que Donnelly, analista da história dos furacões da Instituição Oceanográfica Woods Hole (WHOI, na sigla em inglês), analisasse mais de 5.000 anos do passado do nosso planeta. E aquilo que ele descobriu pode ter profundas implicações para o nosso entendimento dos efeitos do aquecimento global sobre tempestades violentas. A freqüência das tempestades ferozes que varrem o Caribe e a ilha de Vieques, em Porto Rico, varia consideravelmente. Existem períodos tempestuosos e épocas mais plácidas - e elas se alternam incessantemente.

Donnelly e o seu colega Johnathan Woodruff publicaram os resultados encontrados em uma edição recente do periódico científico "Nature". No artigo eles afirmam que os furacões atingiram regularmente a lagoa em um período compreendido entre 5.450 e 3.650 anos atrás. Esse período de intensa atividade de furacões só contou com uma breve interrupção de 150 anos. E depois dessa época de intensa atividade houve apenas poucos furacões - até cerca de 2.550 anos atrás, quando teve início um intervalo marcado por um número relativamente elevado de furacões, que continuou até a próxima fase de trégua, que começou há cerca de 1.050 anos. Mas durante os últimos 300 anos, a lagoa ficou novamente exposta a uma grande quantidade de furacões violentos - no momento em que essas tempestades desagradáveis também se multiplicavam por outras partes.

Responsabilidade humana?

O aumento do número de furacões superintensos de categorias quatro e cinco - o nível máximo alcançado pelas tempestades - tem sido difícil de ignorar nos últimos anos. Eles deixaram atrás de si uma trilha de morte, destruição e um prejuízo de bilhões de dólares. A destruição de Nova Orleans pelo furacão Katrina foi talvez o episódio mais devastador, mas tempestades como Wilma (2005) e Ivan (2004) não ficaram muito atrás.

O aparente aumento do número de furacões violentos, de acordo com o que se tem ouvido repetidamente nos últimos anos, seria causado pelo aquecimento global. Segundo essa hipótese, a mudança climática aumenta as temperaturas da superfície do oceano, o que faz com que ventos fracos se transformem em poderosos furacões. Pesquisadores anunciaram no verão passado que os seres humanos - devido às emissões de carbono que provocam o aquecimento global - têm pelo menos uma parcela da culpa pelo número recorde de furacões em 2005.

Donnelly disse a "Spiegel Online" que a temperatura superficial dos oceanos está de fato aumentando. "Mas isso apenas favorece o desenvolvimento de furacões", diz ele. Em outras palavras, este fato não explica integralmente os vários furacões registrados nos últimos anos.

"Estamos vivendo em uma fase ativa de furacões", afirma friamente o geólogo, exibindo na enorme tela do seu computador as recentes tempestades tropicais que atingiram a costa leste dos Estados Unidos.

Os cientistas só passaram a acompanhar atentamente a variação das temperaturas superficiais dos oceanos e os furacões na década de 1960, lembra Donnelly. "Isso é um período muito curto e não confiável para realmente revelar as tendências referentes às atividades das fortes tempestades tropicais". A análise de amostras de solo que ele descreve no seu artigo publicado na "Nature" pode se constituir em um fator muito mais confiável.

Separação em vez de união de forças

Donnelly também acredita que sabe o motivo pelo qual a intensidade dos furacões variou tão drasticamente durante os últimos 5.000 anos. Mudanças na monção do oeste da África - um processo de circulação de ar que ocorre em uma vasta área - e no El Nino seriam, em sua opinião, a razão. Esse fenômeno climático é causado por um aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico a cada período que varia de três a oito anos. As correntes quentes resultantes acabam com o padrão harmônico dos ventos nas camadas superiores da atmosfera, resultando em secas e tempestades severas em todo o globo.

Nos períodos durante os quais o El Nino ocorre mais freqüentemente, o número de furacões diminui drasticamente, explica Donnelly. O motivo? O fenômeno climático faz com que as massas de ar acima do oceano se dirijam para direções diferentes. Elas se separam em vez de juntarem forças para criar uma tempestade - os temidos colapsos afunilados. Segundo Donnelly, os dados de Porto Rico também mostram algo mais: "Quando o El Nino diminui de intensidade, os furacões retornam". É isso o que parece ocorrer atualmente.

Os meteorolositas alertaram recentemente para o fato de que os Estados Unidos enfrentarão uma ativa temporada de furacões neste ano. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) amenizou um pouco este alerta, mas os especialistas em clima dos Estados Unidos ainda estão assumindo que há uma probabilidade de 75% de uma temporada de furacões acima da média. De acordo com os meteorologistas, o El Nino só atingiu intensidades fracas e médias no Pacífico tropical em dezembro e janeiro últimos, de forma que a atividade de furacões no Atlântico norte está atualmente aumentando. Tempestades mais poderosas, mais furacões e mais contatos destes com a terra estão previstos para este ano. De fato, a primeira tempestade tropical do ano surgiu com uma antecedência incomum.

O aquecimento global também parece afetar o El Nino. Mas a pergunta é: que tipo de efeito o aquecimento global tem sobre o El Nino? "Temos que admitir que não sabemos ao certo se a alteração climática causará mais El Ninos ou mais furacões", afirma Donnelly. Ele acrescenta que a previsão apropriada das mudanças de intensidade dos furacões exige um exame mais detalhado e um melhor entendimento do El Nino, bem como dos efeitos do aquecimento global sobre as monções do oeste da África.

Tradução: UOL

Cresce nos Estados Unidos movimento para banir lâmpadas incandescentes

Bob Keefe - Cox Newspapers
San Diego

Seria este o momento do apagar das luzes para uma das maiores invenções da humanidade?

O aumento do preço da energia e as preocupações com o meio-ambiente estão ameaçando de extinção a lâmpada incandescente, a criação de Thomas Edison que mudou o mundo.

Os legisladores da Califórnia deverão submeter em breve a votação um projeto de lei que poderá torná-lo o primeiro Estado do país a banir as vendas de lâmpadas incandescentes. A partir de 2012, os vendedores contariam com permissão para vender apenas lâmpadas mais eficientes sob o ponto de vista energético, tais como as fluorescentes compactas. Lâmpadas incandescentes pequenas e de baixa voltagem, como as luzes de Natal, ficariam isentas da proibição.

Mas não são apenas os ecologistas da costa oeste dos Estados Unidos que tentam desligar as lâmpadas incandescentes que são o padrão utilizado há mais de 125 anos.

A Austrália e o Canadá recentemente aprovaram legislações semelhantes que entrarão em vigor em dois anos. E desde a apresentação do projeto de lei na Califórnia, os legisladores de pelo menos dois Estados, Connecticut e Rhode Island, passaram a analisar a possibilidade de aprovação de uma legislação do gênero.

No Texas, um projeto de lei proposto exigiria que as lâmpadas incandescentes de todas as repartições e escolas públicas estaduais fossem substituídas por lâmpadas fluorescentes ou por diodos emissores de luz (LEDs), já a partir deste ano. E o governo de Nova Jersey também está cogitando proibir lâmpadas incandescentes nos prédios públicos.

"O objetivo real disso é criar um bom exemplo em nível estadual para chamar a atenção do povo para a disponibilidade de opções de baixa voltagem", afirma o deputado Mark Strama, o democrata de Austin que propôs o projeto de lei do Texas. "Esperamos que o Estado seja capaz de iluminar um caminho a ser seguido pela população."

Sentindo o crescimento dessa tendência, o Congresso está trabalhando em conjunto com os fabricantes de lâmpadas e os ambientalistas no sentido de promover a adoção de padrões de eficiência que poderiam provocar a redução do uso das lâmpadas incandescentes nos próximos dez anos e a proibição dessas lâmpadas nos prédios públicos federais dentro de três anos.

Segundo uma lei aprovada neste mês pelo Comitê do Senado para Questões de Energia e Recursos Naturais, o governo poderia até mesmo criar uma espécie de recompensa para planos de eliminação das atuais lâmpadas incandescentes, oferecendo até US$ 20 milhões (cerca de R$ 40 milhões) em prêmios para quem desenvolvesse lâmpadas mais eficientes.

Com prêmios ou não, os fabricantes já estão abandonando as lâmpadas incandescentes tradicionais que atualmente estão encaixadas em cerca de 4 bilhões de soquetes só nos Estados Unidos.

Em março passado, a Philips Lighting Corporation, a maior fabricante de lâmpadas incandescentes do mundo, anunciou o seu plano de deixar de vender esse tipo de lâmpada até 2016. As duas outras grandes fabricantes de lâmpadas incandescentes, a General Electric Corporation - a companhia fundada por Thomas Edison - e a Osram Sylvania, também estão trabalhando com vários tipos de lâmpadas projetadas para substituir as lâmpada atuais.

Lloyd Levine, membro da Assembléia da Califórnia, que deu início ao movimento contra as lâmpadas incandescentes entre os legisladores dos Estados Unidos, quando apresentou o seu projeto de lei em fevereiro último, conta: "A reação inicial das pessoas foi se referir à minha proposta da seguinte forma: "Que diabos ele acha que está fazendo?'".

"Mas como a idéia está atraindo atenção em todo o mundo, eles agora dizem que ela 'faz sentido'", acrescenta o parlamentar.

A característica que prejudicou o futuro da lâmpada incandescente comum é a sua conhecida ineficiência energética.

Pelo menos 90% da energia utilizada por ela é perdida na forma de calor.

Já aquelas pequenas e retorcidas lâmpadas fluorescentes podem custar mais na hora de passar pelo caixa, mas elas convertem cerca de 75% da corrente elétrica em luz. Como resultado, cada lâmpada pode fazer com que o consumidor poupe US$ 50 (R$ 100) no decorrer da vida útil do produto, que é de cerca de 10 mil horas - aproximadamente dez vezes maior que a das lâmpadas incandescentes.

Autoridades do governo dizem que se apenas os Estados Unidos substituíssem as suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes, isso reduziria os custos do país com energia elétrica em mais de US$ 18 bilhões por ano (R$ 36 bi), tornaria desnecessárias 80 usinas termo-elétricas movidas a carvão e, conseqüentemente, reduziria as emissões de gases causadores do efeito estufa em 158 milhões de toneladas por ano.

Os LEDs, freqüentemente agrupados em semáforos ou telas de propaganda, podem ser ainda mais eficientes. Alguns LEDs duram de 10 a 100 vezes mais do que as fluorescentes, são acesos mais rapidamente e têm um brilho mais intenso.

Durante a maior parte do século 20, poucas pessoas se importaram muito com o fato de a energia elétrica consumida pelas lâmpadas incandescentes afetar o meio-ambiente.

Mas as preocupações atuais com o preço elevado da energia, os suprimentos de petróleo estrangeiro e os problemas ambientais têm contribuído para fazer da abolição da lâmpada incandescente um ponto de inflexão no processo de mudança no setor energético.

"Há uma onda crescente de interesse pela eficiência energética", afirma Kateri Callahan, presidente da organização sem fins lucrativos Alliance to Save Energy, que trabalha em conjunto com o Congresso no sentido de colaborar para a adoção de novos padrões de consumo de energia. "E a lâmpada incandescente é um ícone do consumo da energia. Essa é a primeira coisa que vem à mente."

No entanto, nem todos acreditam que o banimento da lâmpada incandescente seja uma idéia brilhante.

Dois meses atrás, a deputada Pricey Harrison apresentou um projeto de lei na Carolina do Norte com o objetivo de acabar com o uso de lâmpadas incandescentes naquele Estado até 2016. A iniciativa gerou centenas de e-mails, telefonemas e cartas furiosos.

Segundo ela, várias reclamações foram feitas por pessoas que afirmaram simplesmente não gostar da aparência das lâmpadas fluorescentes. Outros oponentes afirmaram que as fluorescentes contêm traços de mercúrio, um elemento tóxico.

Recentemente, Harrison revisou o texto do projeto de lei. Agora este preconiza apenas que o Estado busque formas mais eficientes de iluminação bem como maneiras de descartar de uma maneira melhor as lâmpadas fluorescentes no futuro.

"Não somos a Califórnia", disse ela em uma entrevista por telefone. "Fui bastante criticada".

A Associação Americana de Iluminação, um grupo comercial de fabricantes, vendedores e projetistas de lâmpadas, com sede em Dallas, apóia integralmente a adoção de padrões para iluminação mais eficientes sob o aspecto energético.

Mas, segundo o presidente da entidade, Richard Upton, um banimento completo das lâmpadas incandescentes seria uma medida equivocada.

"Achamos que nenhuma tecnologia deva ser banida", diz ele. "Tecnologias diferentes funcionam melhor ou pior dependendo da situação."

Upton diz que as lâmpadas fluorescentes compactas podem ser ideais para a iluminação de corredores, ou para serem usadas em abajures. Mas ele acha que as incandescentes são melhores para leitura ou para iluminar objetos de arte.

Porém, Upton admite que as lâmpadas fluorescentes compactas passaram por um aperfeiçoamento drástico nos últimos anos, sendo muito melhores do que a iluminação grosseira de escritórios que muitos consumidores conhecem bem.

Até mesmo as lâmpadas fluorescentes compactas mais baratas não apresentam mais aquelas longas e irritantes cintilações quando são acesas, e a maioria se encaixa melhor do que antes nos soquetes tradicionais.

E embora as fluorescentes baratas ainda possam lançar uma tonalidade pálida em um aposento, ou mostrarem-se incapazes de funcionar com um regulador de intensidade luminosa, as lâmpadas fluorescentes mais caras são praticamente indistinguíveis das incandescentes aos olhos do consumidor.

Mas Upton diz que as fluorescentes compactas não são também o instrumento final de iluminação. Por exemplo, lâmpadas incandescentes mais eficientes desenvolvidas pela General Electric podem no futuro se mostrar melhores do que as fluorescentes em várias residências. E o mesmo se aplica aos LEDs.

Levine, o legislador da Califórnia, conta que conversou com autoridades da General Electric e de outras instituições, e que ainda poderia modificar a sua proposta de forma a torná-la menos restritiva.

"Parte disso diz respeito apenas a atrair atenção para essa questão", afirma ele. "Trata-se de fazer com que as pessoas olhem de forma diferente para o mundo a sua volta além de deixar que saibam que existem medidas muitos simples capazes de tornar o mundo melhor."

Tradução: UOL

Herói ou vilão? Crítico das emissões de carbono defende uso do carvão

Ivar Ekman
Em Estocolmo

Lars Josefsson
não parece ser um homem de posições radicais. Com 56 anos de idade, o diretor-executivo da companhia de energia elétrica sueca Vattenfall irradia aquele tipo de calma vinculada a uma fala suave que deu aos líderes empresariais suecos a fama de serem discretos criadores de consenso.

Mas, apesar do seu estilo comedido, Josefsson provoca os sentimentos mais intensos - tanto positivos quanto negativos.

Muitos vêem nele um verdadeiro visionário. Na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, neste ano, a chanceler alemã Angela Merkel usou parte do seu discurso de abertura para dizer como estava "encantada" com as iniciativas de Josefsson no sentido de engajar o setor empresarial no combate ao aquecimento global. Em 2005 a revista "Time" o chamou de "herói" europeu pelo mesmo motivo.

Mas para outros ele é a encarnação de um "vilão" corporativo, conforme o descreveu recentemente o "Aftonbladet", o maior jornal diário da Escandinávia. Peter Eriksson, um líder político sueco membro do Partido Verde, chamou o ambientalismo de Josefsson de um "embuste".

Como diretor de uma das maiores empresas européias de serviços públicos em um momento de crescente consciência ecológica, bem como de mudanças dramáticas - uma onda de fusões empresariais varre os mercados de energia do continente, e a Vattenfall tem sido uma protagonista ativa neste processo - , Josefsson está destinado a estar no centro das atenções.

Mas pelo menos tão importante quanto isso é a direção na qual Josefsson colocou a Vattenfall desde que se tornou diretor-executivo da companhia em 2000. Os lucros da empresa estatal mais do que quadruplicaram, saltando de 32 bilhões de coroas para 145 bilhões de coroas, o equivalente a US$ 20,9 bilhões, especialmente por meio de grandes investimentos em usinas termoelétricas movidas a carvão e em minas de linhito na Alemanha.

Sob um ponto de vista empresarial, essas aquisições fizeram muito sentido. Com os preços ascendentes do petróleo e o fechamento de várias usinas nucleares, o carvão se tornou mais importante para o suprimento energético da Alemanha. Josefsson também chama a atenção para o fato de o carvão ser uma fonte barata de energia, o que significa que é altamente lucrativa.

Mas as aquisições de empresas alemãs também significam que a Vattenfall deixou de ser uma emissora insignificante de dióxido de carbono - as suas unidades de produção na Suécia são em sua maioria nucleares e hidroelétricas, e "vattenfall significa "queda d'água" em sueco -, passando a emitir 80 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, fazendo da companhia uma das maiores poluidoras do continente. Quando a organização não governamental World Wide Fund for Nature (WWF), publicou recentemente uma lista das "Trinta Mais Sujas", as 30 usinas de energia mais poluidoras da Europa, a Vattenfall apareceu como a proprietária de quatro dessas unidades poluidoras.

Ao mesmo tempo, Josefsson se tornou uma espécie de profeta corporativo sobre os perigos do aquecimento global. Ele fez um intenso lobby pela adoção de um limite de emissões globais e de um sistema global de comércio de quotas de dióxido de carbono. Ele também fundou a organização 3C Initiative, no âmbito da qual 40 das maiores companhias do mundo, incluindo a General Electric, a Suez, a Tata Power e a Lufthansa, concordaram com os princípios para a criação de uma "sociedade de baixa emissão".

Em dezembro do ano passado, Merkel o nomeou assessor sobre clima para o governo alemão, a fim de que ele a ajudasse a promover questões relativas a políticas energéticas durante a atual presidência alemã da União Européia e do G8, o grupo dos países mais industrializados do mundo.

Sendo ao mesmo tempo produtor de grandes volumes de poluentes e crítico conhecido das emissões de carbono, Josefsson está bem consciente de que se arrisca politicamente. Mas ele afirma invariavelmente que as duas posições não são contraditórias.

"A maior contribuição que podemos dar para o meio-ambiente é fazer exatamente o que estamos fazendo", disse ele, sentado em uma sala de conferência na Vattenfall, no modesto escritório da empresa em Estocolmo, tendo acabado de retornar de uma viagem por várias capitais européias. "Ao usarmos a tecnologia, somos capazes de garantir que os danos à atmosfera sejam os menores possíveis".

Josefsson, que é engenheiro, argumenta que o carvão está aqui para ficar, e que é melhor confiar no desenvolvimento tecnológico e em companhias como a Vattenfall para obter os melhores resultados a partir da atual conjuntura.

Para isso a companhia recentemente começou a construir uma usina piloto na Alemanha para testar uma nova tecnologia de seqüestro de carbono, que ele espera que esteja comercialmente disponível até 2020.

"Assumimos responsabilidades em relação aos nossos clientes, ao desenvolvimento econômico e ao meio-ambiente", garante Josefsson.

Alguns críticos questionam se ele, como diretor de uma companhia estatal, deveria gastar tanto tempo e dinheiro do contribuinte viajando pelo mundo, vendendo uma mensagem que muitos acreditam pertencer aos políticos.

"Ele é altamente político", afirma Peter Wolodarski, editorialista do jornal liberal sueco "Dagens Nyheter". "É válido que se questione se a Vattenfall deveria realmente assumir a liderança no que diz respeito a essas questões".

Outros argumentam que a estratégia ambiental de Josefsson é repleta de palavras e carente de substância, e observam que menos de 1% do lucro operacional de 27 bilhões de coroas da companhia no ano passado foi destinado a tecnologias para a proteção do clima.

"O carvão tem sido um investimento brilhante para a Vattenfall, mas até o momento não existe nenhuma estratégia real de longo prazo sobre como romper com a nossa dependência desse tipo de energia", critica Lars Kristoferson, secretário-geral do escritório sueco da WWF. "O discurso deles sobre o meio-ambiente simplesmente não condiz com os fatos".

Alguns ambientalistas estão preparados para conceder a Josefsson o benefício da dúvida.

"Posso estar enganado, mas creio que ele acredita no que diz", afirma Stephan Singer, diretor da unidade de políticas sobre mudança climática da WWF em Bruxelas.

"Josefsson
é um sujeito honesto", afirma Singer. "Ele compreende os desafios representados pelo carvão, e quer lidar com tais desafios".

Tradução:
UOL

10 junho 2007

São Paulo inicia blitz contra emissão excessiva de gases poluentes

da Folha Online

Começou no final da manhã desta segunda-feira, em São Paulo, a primeira blitz da operação Inverno, que pretende combater a emissão excessiva de gases poluentes em veículos com motores a diesel. O bloqueio acontece no portão 3 do Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo), na zona oeste da cidade.

Segundo a Cetesb (agência ambiental paulista), os veículos movidos a diesel são responsáveis por 28% das partículas inaláveis presentes no ar da Grande São Paulo. Essas partículas penetram no aparelho respiratório e são um dos principais motivos de internação de crianças e idosos nesta época do ano.

No total, cerca de 200 profissionais participarão das blitze, que acontecerão até o próximo dia 26 de setembro, principalmente em rodovias.

Os veículos que forem flagrados emitindo fumaça preta acima dos padrões estabelecidos na lei serão multados em 60 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), o equivalente a R$ 853,80. O valor dobra em caso de reincidência e pode chegar a até R$ 6.830,40.