26 maio 2007

Carro é movido a óleo de cozinha usado

Cada litro de óleo de fritura reciclado rende dez quilômetros. Produção do combustível demora cerca de 20 dias.

Do G1, em São Paulo, com informações do Globo Repórter

Pastéis, bolinhos, batatinha... Frituras de dar água na boca em novíssima versão. Tudo na vida dá um pouquinho de trabalho. É como o óleo de fritura, que segundo os médicos, é um veneno no nosso organismo e fonte poluidora no meio ambiente, mas quando guardado e bem tratado, é um santo remédio para o planeta.

Para contar essa história direitinho, é preciso apresentar o citricultor Paulo Lenhardt. Desde sempre um devoto do meio ambiente, ele nasceu e se criou na cidade gaúcha de Montenegro. Paulo cresceu como todo garoto, apaixonado por carros, e levou vantagem, porque o pai era mecânico.

Ainda adolescente, montou sua primeira máquina, com restos. E, para rodar, experimentou de tudo um pouco – de gás de cozinha a carvão e querosene. Três décadas depois, Paulo está a um passo de sair do anonimato. E tudo por conta do carro que ele usa para trabalhar.

É um carro praticamente normal, mas tem cheirinho de pastel... "Em função disso, a gente colocou, carinhosamente, o apelido de ‘pasteleira’ na caminhonete. O pessoal já conhece e sabe por onde eu passei, porque fica o cheirinho de pastel no ar", conta Paulo.

O cheirinho no ar não é de uma caminhonete que faz entregas. O aroma sai direto do motor do carro, que é movido a óleo de cozinha – aquele que sobra das frituras e é jogado fora.

"Se for jogado no esgoto, no ralo ou num lugar onde caia chuva, vai ser levado para o rio. E um litro de óleo na água equivale, mais ou menos, a um milhão de litros de água contaminada", alerta Paulo.

O motor faz pelo menos dez quilômetros com um litro de óleo de fritura. E já são 95 mil quilômetros rodados! Portanto, mais de 10 bilhões de litros de água dos rios escaparam da poluição, só com a ajuda da "pasteleira" de Paulo. "É muito legal", comemora.

A produção do combustível

Demora uns 20 dias na linha de produção para reciclar o que era lixo. Começa com duas semanas de repouso, para decantar os resíduos. Mais uma, misturado com água, para separar o sal. Por fim, uma fervura, para evaporar essa água. E, depois de abastecer, só mais um detalhe: a própria água quente do motor é usada para esquentar o óleo a quase 90ºC. Assim, ele fica mais fininho, mais parecido com o diesel original.

"Na verdade, a gente tem que adaptar o que já está aí. O motor a diesel nasceu a óleo de amendoim. Foi a indústria do petróleo que adaptou ele para o óleo diesel. A gente quer fazer o inverso", diz Paulo.

E sob o comando de Paulo, o motor já queima as gordurinhas de 15 restaurantes da cidade. Com esses fornecedores fixos, Paulo garante combustível para outra caminhonete e mais dois tratores. "É a minha pequena contribuição para reverter esse processo de demolição do planeta", diz Paulo.

E o filho, o estudante Frederico Lenhardt, já virou discípulo do mestre nesta empreitada. "O cara tem que pegar e fazer, buscar soluções, não ficar só esperando. Todo mundo fala em aquecimento global, mas pouca gente se coça para fazer alguma coisa", conclui.

24 maio 2007

Surto de rubéola no Rio

Autoridades promoverão campanha de vacinação entre os dias 28 e 2, temerosas com o Pan
Pâmela Oliveira - O Dia

Rio - Há menos de dois meses do início dos Jogos Pan-Americanos, o Estado do Rio enfrenta um surto de rubéola. Desde o início do ano, 1.100 casos da doença foram confirmados no estado. Para evitar a sua disseminação, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e as secretarias municipal e estadual vão promover uma campanha de vacinação entre os dias 28 de maio e 2 de junho.

“Homens e mulheres com idade entre 20 e 34 anos devem ser vacinados”, alerta a gerente de Vigilância em Saúde do município, Cecília Nicolae, acrescentando que mesmo as pessoas que já se vacinaram devem ser imunizadas novamente.

De acordo com o ministério, dos 1.100 casos registrados, 70% ocorreram em homens. Na cidade, foram 940 casos desde janeiro, segundo a secretaria. Em todo o ano passado ocorreram 813 registros, de acordo com o órgão. “Uma das nossas preocupações é evitar a circulação da doença nos jogos, época em que teremos aglomerações de pessoas, e isso poderia facilitar a transmissão da doença”, diz a médica.

Cerca de 4 milhões de doses da vacina contra rubéola serão disponibilizadas e aplicadas em dois mil postos de saúde. O esforço contra a doença reunirá aproximadamente 10 mil profissionais e 300 carros.

“Em homens a doença causa poucos sintomas e, por isso, muitas vezes eles demoram a buscar tratamento. Enquanto isso, a doença está sendo transmitida e representa um risco para mulheres grávidas. Pode causar má-formação do feto e aborto”, explica a sanitarista. Em outubro, devido ao aumento dos casos de rubéola, a Secretaria Municipal de Saúde fez um alerta para que a população se vacinasse. Febre baixa, manchas avermelhadas na pele, gânglios e dores nas articulações são alguns sintomas da doença. Mulheres com suspeita de gravidez não devem ser vacinadas.

22 maio 2007

Fepam emite licença para parques eólicos em Palmares do Sul

Jornal do Comércio

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu licenças ambientais para a instalação de mais dois parques de energia eólica no Estado, ambos localizados em Palmares do Sul. A empresa Ventos do Sul Energia SA recebeu Licença de Instalação e a Ecoprojeto Ltda recebeu Licença Prévia. Com estas, já são seis licenças concedidas pela Fepam para a construção de parques com aproveitamento de energia eólica no Estado.

O parque da Ventos do Sul SA, localizado em uma área a 25 quilômetros de Palmares do Sul, a leste da RST-101 e a oeste da lagoa do Quintão, terá capacidade para gerar 50 Megawatts de energia quando entrar em operação. Já o parque da Ecoprojeto Ltda, situado na RS-40, parada 172, em Palmares do Sul, terá capacidade de gerar 9,35 Megawatts.

No dia 18 de abril a Fepam assinou a Licença de Instalação do parque éolico da Elebrás Projetos Ltda em Tramandaí e Licença Prévia para a Natenco do Brasil Energia Alternativas em Xangri-lá. As outras são das empresas ERB: 2 em Xangri-lá e um em Osório. Desde 2003, a Fepam concedeu 23 Licenças Prévias para a instalação de parques eólicos no Rio Grande do Sul.

21 maio 2007

Nepal faz censo para medir população de rinocerontes

Reuters / Estadao.com.br

Autoridades disseram que diversos rinocerontes, que correm risco de extinção na vida selvagem, parecem ter desaparecido de uma reserva no Vale Babai

O Nepal iniciou um censo para medir a população dos grandes rinocerontes de um chifre (ou rinocerontes indianos) em uma reserva ecológica onde a observação do animal tem se tornado cada vez mais rara, disseram autoridades do parque nacional no domingo, 20.

Especialistas em rinocerontes, montados em elefantes, percorrerão o Parque Nacional e Reserva Ecológica de Bardiya, 320 quilômetros ao sudoeste de Katmandu, onde 83 rinocerontes foram soltos em 1984.

Autoridades disseram que diversos rinocerontes, que correm risco de extinção na vida selvagem, parecem ter desaparecido do Vale Babai, uma das regiões da reserva, nos últimos anos, em meio à violência disparada por uma rebelião maoísta no país.

"Após procurarmos pelos animais por duas semanas, poderemos dizer quantos ainda estão vivos, quantos foram mortos ou levados pelos rios", disse a autoridade do parque nacional, Omkar Joshi, à Reuters por telefone.

"Isto nos ajudará a compreender a situação pós-conflito."

Ambientalistas disseram que a caça ilegal de rinocerontes aumentou após autoridades diminuírem o número de postos de segurança, devido às ameaças de maoístas, direcionadas aos soldados.

Com os maoístas no governo e sob um tratado de paz, as autoridades começaram a reabrir os postos de segurança nos parques.

Os testículos e chifres dos rinocerontes são amplamente utilizados pela medicina tradicional chinesa, disseram especialistas da vida selvagem.

Entre 2000 e 2005, a população de rinocerontes no Parque Nacional de Chitwan, maior refúgio da espécie no Nepal, caiu de 544 para 372. O Parque Nacional de Kaziranga, no nordeste indiano, é o único local alternativo para a espécie.

Pesquisadores brasileiros estudam produção de etanol a partir de enzimas de resíduos vegetais

Alana Gandra / Agência Brasil

A produção de biocombustível a partir da celulose pode ser alcançada antes do que estimam os especialistas. A Embrapa Agroindústria de Alimentos, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sediada no estado do Rio de Janeiro, está desenvolvendo estudos para a produção do etanol a partir de enzimas extraídas do bagaço da cana-de-açúcar e de outros resíduos agrícolas e florestais, como madeiras.

A pesquisadora Sonia Couri, responsável pelo Laboratório de Processos Fermentativos da Embrapa Agroindústria de Alimentos, disse à Agência Brasil que atualmente parte do bagaço da cana é utilizado para queima em caldeiras. Mas que grande parte desse resíduo poderá ser utilizada, através dessa bioconversão, usando enzimas específicas, ou seja, celulose, para a produção de etanol.

A pesquisadora reconhece que o processo de obtenção dessa enzima não é uma coisa muito fácil. “Hoje, já existem algumas biorefinarias que estão produzindo, mas a um custo muito alto quando você compara a produção do álcool a partir da cana ou a partir do amido, que é a um preço muito menor do que utilizar esse material, porque você tem um outro processo acoplado, que é a hidrólise da celulose”, explicou.

Sonia Curi estima que para ser viável o custo desse processo teria de diminuir cerca de 50 vezes. A meta da Embrapa, porém, é produzir uma enzima que seja eficiente e muito mais barata do que é hoje. A produção no Brasil dessas enzimas permitirá ao país reduzir a dependência das importações e os custos inerentes a essas operações, uma vez que a maior parte dessas matérias-primas é adquirida no exterior e chega ao Brasil com um preço três vezes maior do que o cobrado no país de origem, salientou Sonia Couri.

A diminuição dos custos estaria atrelada, segundo analisou, ao incentivo à produção dessas enzimas pelas indústrias nacionais, destacando a própria indústria que vai produzir o etanol. “Depende muito de políticas de incentivo e também de investimentos”, avaliou a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos. Nos Estados Unidos, os investimentos programados no setor de biocombustíveis atinge em torno de US$ 1 bilhão.

A estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura, decidiu partir para esse estudo em função de experiência realizada desde 1986 na produção de enzimas celulolíticas (ricas em celulose) para a indústria de alimentos. Foram estudadas várias frutas, oleaginosas e sementes, extraindo-se óleo por um sistema aquoso, utilizando enzimas, em vez de usar um solvente orgânico, que é muito tóxico. Sonia Couri salientou ainda que o processo de produção do etanol via enzima de celulose envolve uma tecnologia mais limpa, que não agride o meio ambiente. “Qualquer tipo de resíduo é menos poluente, desde que seja vegetal”, observou Couri.

Para viabilizar a produção dos microorganismos que produzem essas enzimas, a pesquisadora revelou que a Embrapa está lançando também um grande projeto de florestas plantadas energéticas. Será estudado o aproveitamento dos resíduos de florestas de eucaliptos e pinhos para a produção de biocombustíveis, além de outras aplicações consideradas mais convencionais, afirmou.

Couri informou, ainda, que outros institutos de pesquisa, como a Universidade de Campinas (Unicamp) e o Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro também estão efetuando pesquisas sobre a produção de biocombustíveis no Brasil, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, e da Petrobras.


Pesquisa aponta que saneamento teve o menor índice de execução orçamentária no primeiro mandato de Lula

Bárbara Lobato / Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostra que a área de saneamento teve o menor índice de execução orçamentária no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo adota como referência o patamar de 70% como um "nível de execução razoável".

O primeiro ano de governo apresentou o índice mais baixo: apenas 26,05% dos recursos destinados ao setor foram utilizados. Em 2006, esse percentual subiu para 36,09%.

No ano passado, de acordo com o assessor de Saneamento da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Edson da Silva, dos R$ 13 bilhões autorizados pela União para o setor, somente R$ 3 foram investidos. O restante, acrescenta, foi usado para liquidar dívidas de outras áreas do governo.

O secretário de Saneamento do Ministério das Cidades, Sérgio Antônio Gonçalves, contesta o estudo do Inesc. Segundo ele, a execução dos recursos destinados ao setor não se concentra em um único programa e mesmo em um único ministério. Além disso, o levantamento avalia os programas como um todo e não separadamente, o que compromete o resultado final da pesquisa.

O assessor do FNU aponta a burocracia como um dos impedimentos para uma execução orçamenária satisfatória. "É muito importante que o governo crie um grupo interministerial para que os recursos para o saneamento sejam desburocratizados. Por causa da burocracia, estados e municípios não se sentem incentivados a investir no setor".

Silva também aponta a dificuldade de acesso de estados e municípios aos recursos liberados pela União. Na avaliação dele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só vai dar certo se houver mudanças na forma como o dinheiro é repassado.

O programa prevê investimento de R$ 40 bilhões até 2010, uma média de R$ 10 bilhões por ano, incluindo 2007. O total é quase quatro vezes maior que os R$ 12 bilhões investidos entre 2003 e 2006, segundo o secretário do ministério.

Em relação ao repasse de verbas para estados e municípios, Gonçalvez diz que o ministério está fazendo estudos para tentar agilizar os processos, "sem perder o controle público".

Relatório da WSPA aponta a pecuária industrial como uma das causas da pobreza

Jornal do Meio-Ambiente

Um novo relatório da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) traça a relação entre os métodos industriais de produção de animais e as causas da pobreza no mundo. “Pecuária Industrial – Parte do Problema da Pobreza”, que está sendo divulgado hoje, demonstra que a crueldade e os custos ocultos da pecuária industrial resultam em más condições de vida e perda da subsistência das pessoas que vivem nos países em desenvolvimento e dependem da criação de animais para sua sobrevivência.

A WSPA acredita que a maioria das práticas de pecuária industrial não só causa sofrimento aos animais, como é uma das causas da pobreza e da fome nos países em desenvolvimento.

O relatório, escrito por Janice Cox, especialista em bem-estar animal, aponta as conseqüências devastadoras da pecuária industrial, que incluem:

- Colocação de pequenos fazendeiros fora dos negócios

- Destruição de comunidades rurais

- Uso ineficiente de terra e água aplicadas na criação de pasto para consumo do gado. A pecuária industrial requer muitos quilos de grãos, que poderiam ser usados no consumo humano para produzir um quilo de carne

- Criação de unidades de produção de carne em larga escala que estão sujeitas a doenças

Uma carta pedindo providências sobre o assunto está sendo enviada pela WSPA para mais de mil pessoas-chave, incluindo governos e organizações parceiras.

A preocupação da WSPA é que práticas de pecuária em menor escala, que em geral são melhores em termos de bem-estar animal e suprem comunidades mais pobres, estão perdendo terreno.

O Brasil se tornou o terceiro maior produtor de aves do mundo, quase todo gerido por grandes corporações. Parte do resultado disso é que em apenas um ano mais de 20 mil famílias foram obrigadas a deixar as áreas rurais.

A China é hoje o maior produtor do mundo de carne de porco, de vaca e também de ovos. Além disso, esse país está passando das fazendas tradicionais para produtores industriais mais amplos. No entanto, a pobreza nas zonas rurais ainda está presente em muitas áreas.

Paul Rainger, chefe do programa de animais de produção da WSPA, disse: “É hora de os governos tentarem resolver os problemas de pecuária industrial, antes que mais comunidades desapareçam e mais animais sofram”.

Na Europa, os efeitos prejudiciais da pecuária industrial já foram sentidos. A tendência é o continente se voltar para um futuro mais sustentável [1] .

Rainger concluiu: “Acreditamos que a pecuária industrial é uma das causas principais da fome e da pobreza no mundo de hoje. A menos que uma ação urgente seja tomada, a meta número um das Nações Unidas para o milênio, de reduzir tal prática pela metade até 2015, nunca será alcançada. Se mudássemos apenas 10% a 15% da produção mundial de cereal para consumo animal para safras destinadas ao consumo humano, haveria um grande impacto na fome do mundo”.

Sobre a WSPA

A Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) é a maior federação de organizações de bem-estar animal, representando mais de 770 afiliadas em 147 países. Através de trabalhos de campo, campanhas, trabalho legislativo, educação e programas de treinamento, a WSPA luta para criar um mundo onde o bem-estar animal tenha importância e a crueldade para com os animais tenha fim.

O RELATÓRIO DA ONU SOBRE BIOENERGIA

Causou-nos perplexidade o recente relatório da ONU sobre bioenergia, quando alertou o mundo acerca da ameaça para a oferta de alimentos devido à produção de biocombustíveis. Segundo o texto, o rápido crescimento na produção de biocombustíveis vai aumentar o preço das commodities agrícolas e pode ter efeitos econômicos e sociais negativos, particularmente sobre os pobres que gastam uma grande parte da sua renda com comida. O relatório adverte ainda que a produção de biocombustíveis já parece ter elevado o preço do milho em 2006 e 2007, além de informar que a disponibilidade da oferta adequada de alimentos pode ser ameaçada pela produção de biocombustíveis na medida em que a terra, água e outros recursos produtivos sejam desviados da produção de alimentos.

A produção mundial de biocombustíveis dobrou no últimos cinco anos e deve dobrar novamente nos próximos quatro anos.O que nos chama à atenção nesse relatório é que ele é muito modesto ao dizer que a produção de biocombustíveis parece ter elevado o preço do milho, pois se a produção de biocombustíveis dobrou nos últimos cinco anos, devido ao etanol estadunidense feito à base de milho, é óbvio que com a maior procura por milho , o preço forçosamente teria que subir. Ademais, com a possibilidade da produção novamente dobrar nos próximos quatro anos, podemos vislumbrar que o preço de todos os alimentos que servem de matéria prima ao etanol também subam.

As relações econômicas mundial de biocombustíveis está tomando o mesmo rumo histórico do petróleo e das demais matérias primas. Os países pobres e emergentes se tornarão fornecedores de biocombustíveis aos países ricos, enquanto estes continuarão detendo o controle da industria de ponta,capazes de os manter na liderança mundial, deixando os países do hemisfério sul dependentes econômicamente . A prova mais contundente dessa nossa afirmação é a notícia da Agência Reuters de que a Alemanha tem ociosidade em biocombustíveis. Uma forte tributação desanimou os produtores alemães, os quais já querem vender suas refinarias. Segunda a notícia, a indústria de biodiesel Alemã está trabalhando com cerca de 50% de sua capacidade devido a incidência de um imposto que impactou as vendas do produto, fazendo com que produtores estejam considerando encerrar as atividades. Atente-se que a Alemanha já está na fase do biodiesel, etapa superior ao etanol, mesmo assim está forçando a falência de todo o projeto.Exsurge a pergunta: por que o governo alemão está querendo acabar com essa indústria produtora de combustíveis renováveis e não poluentes? A resposta é cristalina: eles já sabem que terão os países do hemisfério sul como fornecedores de biocombustíveis.

O Brasil está sendo levado a uma armadilha por falta de visão estratégica, impulsionado por uma elite subserviente aos interesses estadunidenses. O maior absurdo é o Brasil se afastar do projeto do Gasoduto do Sul, o qual tem a capacidade de suprir toda a América Latina e o Caribe de uma energia limpa, barata e abundante,preferindo se submeter aos interesses dos países ricos, liderados pelos EUA . É lamentável assistir todos os dias o Brasil ser apresentado como a Nova Arábia Saudita, quando na verdade essa propaganda tem a nítida finalidade de nos manter meros fornecedores de matérias primas aos países desenvolvidos, continuando o processo de colonização existente há 500 anos.

MELQUISEDEC NASCIMENTO
PRESIDENTE DO INSTITUTO ABREU E LIMA

Itaú e WWF-Brasil comemoram resultados do Projeto Florestar PIC Natureza

Lançado em outubro de 2006, o Projeto Florestar PIC Natureza - uma parceria entre o WWF-Brasil e a Cia Itaú de Capitalização, que visa a restauração florestal e proteção dos recursos hídricos em áreas de Mata Atlântica - apresenta seus primeiros resultados. Cerca de 22 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica já foram plantadas nas três regiões de abrangência do projeto - Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais - recuperando aproximadamente 15 hectares de floresta. Com duração inicial de um ano, o projeto prevê a restauração de 30,5 hectares de floresta com o plantio de mais de 62 mil mudas até outubro deste ano.

"O Itaú colabora para esse projeto destinando a ele uma porcentagem de recursos originários do PIC Natureza, um título de Capitalização comercializado entre setembro e outubro de 2005, no qual o cliente contribui mensalmente e concorre a prêmios em dinheiro", explica Osvaldo Nascimento, diretor Itaú Capitalização, empresa do Banco Itaú Holding Financeira SA.

"O projeto Florestar PIC Natureza é o primeiro passo de uma parceria corporativa que só trará benefícios para a sociedade brasileira e para a conservação dos recursos naturais do País", cita Denise Hamú, Secretária-geral do WWF-Brasil, explicando que além de selecionar parceiros para a execução do projeto em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o WWF-Brasil acompanha e monitora de perto todos as ações em campo.

No Rio de Janeiro, a instituição beneficiada pelo projeto, Associação Mico-Leão-Dourado, coordenou o plantio de 6 mil mudas de espécies nativas, que garantiram a recuperação de 2.2 hectares de floresta. Luciana Simões, especialista em conservação da Mata Atlântica do WWF-Brasil, lembra que recuperar pequenos trechos entre matas isoladas, ou seja, construir corredores ecológicos, tem grande importância, pois possibilita a ligação de grandes áreas verdes: "só no estado do Rio, por exemplo, o trabalho realizado em dois hectares conectou 380 hectares de florestas nativas na região", aponta. A meta para o Estado é restaurar 13 hectares com o plantio de 32,5 mil mudas de espécies nativas. Novas áreas prioritárias para o plantio já foram mapeadas.

Em Minas Gerais, onde o projeto conta com a parceria da Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, foram restaurados 9,2 hectares de floresta nativa, com o plantio de quase 6 mil mudas. Este trabalho possibilitará a recuperação de um corredor florestal capaz de conectar importantes áreas de remanescentes de Mata Atlântica no Vale do Rio Doce, ao leste do estado, como Feliciano Miguel Abdalla e Mata do Sossego. Minas deve chegar ao final de 12 meses com um total de 15 mil mudas plantadas, o que garantirá a restauração de 13 hectares de floresta. Além disso, a Rede de Intercâmbios e parceiros locais têm realizado o diagnóstico participativo da região, que culminou no I Encontro Regional da Agricultura Familiar. O evento abriu espaço para a discussão sobre o processo de modernização da agricultura e de seus impactos socioambientais.

Já em São Paulo o projeto representado pelo Instituto Giramundo Mutuando prevê recuperar 4,5 hectares com o plantio de 15 mil mudas num período de nove meses, na região de Botucatu no interior do estado. Somente nos quatro primeiros já foram plantadas 10 mil mudas, contribuindo para a restauração de uma área superior a 2 hectares. A ação recuperou cinco nascentes da região, que integram área de recarga do Sistema Aqüífero Guarani. O Instituto também realizou experiências agroecológicas em uma área de 10 hectares.

O vice-presidente do Itaú e da Fundação Itaú Social, Antonio Matias, ressalta que o Pic Natureza faz parte do compromisso do Itaú de contribuir para o desenvolvimento sustentável. "Essa é mais uma iniciativa do banco para trazer o conceito de sustentabilidade para sua linha de negócios", afirma.

Já Mônica Rennó, superintendente de Marketing e Relações Corporativas do WWF-Brasil, lembra que, através do Projeto Florestar PIC Natureza, o Banco Itaú "envolve seus clientes na causa ambiental, além de disseminar a empresas parceiras e outras instituições do setor a importância de se adotar práticas compatíveis à sustentabilidade".

Cada uma das três organizações parceiras - Associação Mico-Leão-Dourado, no Rio de Janeiro; Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, em Minas Gerais e Instituto Giramundo Mutuando, em São Paulo - utiliza estratégias de conservação da natureza adequadas à realidade de cada região. As metodologias utilizadas nas atividades de restauração florestal e proteção de recursos hídricos são similares e vão muito além do plantio de mudas. "As pessoas têm se mostrado muito receptivas às ações e já entenderam que é necessário recuperar as florestas que perderam ou aumentar as que já tem. Plantar árvores evita a perda do solo, tão importante para a função agrícola das terras e, assim, percebemos que a causa ambiental vai muito além da 'questão verde', e atinge a esfera socioeconômica", conclui Luciana Simões. Os trabalhos incluem a realização de diagnósticos, planejamento, comunicação, capacitação e educação ambiental.

Mais informações:

Anderson Falcão, assessor de comunicação do WWF-Brasil pelo telefone +55 61 3364 7472 / ou pelo email andersonf@wwf.org.br

O WWF-Brasil é uma organização da sociedade civil brasileira, sem fins lucrativos, reconhecida pelo governo como instituição de utilidade pública. Criado em 1996 e sediado em Brasília, o WWF-Brasil atua em todo o país com a missão de contribuir para que a sociedade brasileira conserve a natureza, harmonizando a atividade humana com a conservação da biodiversidade e com o uso racional dos recursos naturais, para o benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações.

O WWF-Brasil também é membro da maior rede ambientalista mundial: a Rede WWF. Criada em 1961, a rede é formada por organizações similares e autônomas de 40 países, e conta com o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários. Ela atua nos cinco continentes, em mais de 100 países. O secretariado-internacional da Rede WWF está sediado na Suíça.