17 maio 2007

Kassab quer reduzir poluição de São Paulo em 30%

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai lançar a segunda fase do projeto Cidade Limpa. Depois da lei contra a poluição visual em São Paulo, o próximo alvo é a poluição do ar. Durante palestra no Conselho das Américas, em Nova York, Kassab prometeu anteontem (15) adotar "medidas amargas" contra a poluição atmosférica na maior cidade do País, reduzindo-a em 30% num período de dois a três anos. "No que diz respeito à poluição do ar, ainda estamos na Idade da Pedra."

Os veículos são os grandes vilões da poluição atmosférica na capital. Enquanto aguarda uma definição sobre o programa de inspeção da frota de automóveis, que depende de legislação federal, a Prefeitura já encontrou meios de reduzir a emissão de poluentes na frota de ônibus e caminhões. E, em Nova York, Kassab mencionou genericamente o uso de "filtros", solução considerada simples e eficaz por especialistas para reduzir a poluição de veículos movidos a diesel.

O embrião da segunda fase do Cidade Limpa é o projeto Ar Limpo, da Secretaria Municipal de Transportes. Entre os estudos conduzidos pela equipe da secretaria está o que analisa alternativas energéticas para a frota de 15 mil ônibus da cidade. Além disso, a Prefeitura já obriga, na renovação da frota, à compra de ônibus com padrão europeu de emissão. De acordo com o secretário Frederico Bussinger, os 1.400 ônibus mais modernos comprados em 2006 significaram 600 toneladas anuais a menos na emissão de gases poluentes particulados (fumaça preta, prejudicial à saúde).

As informações são de O Estado de S.Paulo.

Radar brasileiro será usado em operação na Indonésia

OrbiSat, que desenvolveu o sistema

Roberto Godoy

O governo da Indonésia contratou a empresa brasileira OrbiSat da Amazônia para realizar, no
prazo máximo de 60 dias, todo o sensoriamento remoto e o mapeamento geográfico do território de Kalimantan, ex-Bornéu. O trabalho vai custar US$ 2 milhões e começa em julho.

Será o primeiro emprego do sistema da radares e sensores OrbiSAR-RFP, produzido pela
empresa, de São José dos Campos. O equipamento, aerotransportado, não exige aviões especializados.

Os vôos estarão sob a responsabilidade da OrbiSat. O levantamento pretendido cobrirá uma área levemente superior a 30 mil km2.

A tecnologia InSar, contida no sistema, foi utilizada em projetos de sensoriamento remoto do
Brasil e da Venezuela. O diretor da OrbiSat, João Moreira, acredita que 'a operação na Indonésia estará concluída até fevereiro de 2008'. O radar, afirma, 'é o mais avançado do mercado, capaz de produzir informações com rapidez e custo baixo'. O OrbiSar emite ondas eletromagnéticas para gerar imagens sem interferência. É capaz de originar dados de superfície durante a noite, sob chuva ou através de nevoeiro. Operando com duas freqüências, nas bandas X e P, fornece a altura da copa das árvores. O recurso é adequado à definição da formação do solo em locais de vegetação densa.

Segundo João Moreira, 'o governo da Indonésia vai receber dados referentes a biomassa, ao tipo
de cobertura do terreno pesquisado e do escoamento das águas'. Esse material resultará na confecção de mapas da rede hidrológica, de transportes, do uso da terra, e do cadastramento urbano/rural.

País pode ter mais 8 usinas nucleares

Valor Econômico
Do Rio

O planejamento energético do Brasil até 2030 abre espaço para uma maior participação da fonte
nuclear na expansão da matriz de energia do país. Márcio Zimmermann, secretário de planejamento e desenvolvimento do Ministério de Minas e Energia, disse ontem que o governo trabalha com a hipótese de construção de mais quatro a oito usinas Nucleares, além de Angra 3. As usinas, com custo unitário de cerca de US$ 2 bilhões, teriam capacidade de gerar mil megawatts (MW) cada uma.

Zimmermann disse que o Plano Nacional de Energia 2030, trabalho de planejamento de longo
prazo, deverá ser aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) na próxima reunião.

O CNPE, formado por dez ministros, é órgão de assessoramento do presidente da República.

Ao participar ontem do Fórum Nacional, no Rio, Zimmermann mostrou que a energia nuclear é
competitiva frente a outras fontes de geração. Segundo ele, o custo de uma usina nuclear que opera com 90% da capacidade é de R$ 151,6 por megawatt hora (MWh). Já a tarifa de uma térmica a gás natural que opere com fator de capacidade de 94% é de R$ 175 por MWh.

"Na energia nuclear o investimento inicial é alto e o custo de operação baixo", disse o secretário.

Ele avaliou que a energia nuclear não só é competitiva em termos de preços como tem vantagens quando se analisa os efeitos da geração de energia sobre o aquecimento global. Zimmermann disse que a curto prazo o Brasil será a terceira maior reserva de urânio do mundo, atrás da Rússia e EUA.

Ele disse que a estimativa é de que a participação da fonte nuclear na matriz de energia elétrica
brasileira passe de 1% para 3%. O parque nuclear poderia sair dos atuais 2 mil MW para 9,3 mil ou 11,3 mil MW em 2030. Hoje o Brasil tem duas usinas nucleares: Angra I, com capacidade de 657 MW, e Angra II, com 1.350 MW.

(FG, com Agência O Globo).

Escorpião invade o Rio

Há risco de infestação na Ilha, Baixada, Campos e Sul do estado

Rio - Pequena mas perigosíssima praga está está ganhando terreno no estado do Rio. O aumento da incidência em áreas urbanas do escorpião-amarelo, aracnídeo cujo veneno pode matar crianças e idosos, ligou o alerta no Instituto Vital Brazil (IVB). Há risco de infestação na Ilha do Governador; em Belford Roxo; em Campos e em Rio das Flores, no Sul Fluminense. Para impedir que os escorpiões invadam suas casas, a população deve evitar ao máximo o acúmulo de lixo nos terrenos.

“O aquecimento global e o desmatamento ajudaram a levar o escorpião-amarelo às grandes cidades. Mas o crescimento desordenado das periferias em direção a áreas de mata e o acúmulo de lixo e entulhos perto das casas também preocupam”, avisa Cláudio Maurício de Souza, biólogo do IVB.

O especialista explica que as mudanças climáticas alteraram o ciclo reprodutivo do animal. “Antes, eles só procriavam no inverno. Agora, como as estações estão menos definidas, eles se reproduzem o ano todo, gerando muito mais escorpiõezinhos. Cada gravidez traz até 30 filhotes”, destaca.

O IVB fará em Rio das Flores projeto-piloto de mapeamento de escorpiões. Após localizá-los, técnicos escolherão a melhor estratégia para combatê-los. O programa será expandido para o estado.

MUITA DOR E CALAFRIOS

Os escorpiões passam o dia todo escondidos e saem para caçar alimentos à noite — razão pela qual eles se instalam na casa sem serem notados. Os bichos proliferam em paredes e muros mal rebocados, madeira empilhada e entulho. Preferem umidade, pouca luz e insetos.

A picada de escorpião é das mais letais. Provoca intensa dor na área imediatamente; faz a pessoa suar frio; causa febre e contrações musculares e até altera os batimentos cardíacos.

Se a pessoa for picada, é importantíssimo seguir alguns cuidados, como jamais sugar o veneno e levar a vítima aos hospitais Lourenço Jorge (Av. Ayrton Senna 2.005, Barra) ou do Fundão. Informações sobre a presença do bicho devem ser repassadas ao IVB: 2715-1555.

Morador da Cacuia, o aposentado Valdir Silva, 57 anos, está preocupado. Ele é vizinho do Morro do Dendê, onde um foco já foi encontrado. “Estarei de olho. Tão logo apareça um, vou ligar para o IVB”, conta.

16 maio 2007

Cabral inaugura coletor que despeja menos esgoto na Baía de Guanabara

O Dia Rio - A partir desta quarta-feira, a cada oito dias, a Baía de Guanabara deixará de receber um Maracanãzinho de esgoto in natura. Por dia, serão 230 litros de esgoto bruto por segundo que deixam de ir para os rios Maracanã e Trapicheiros - que desaguam na baía, via Canal do Mangue - e vão para a Estação de Tratamento de Alegria, no Caju, graças ao novo sistema coletor instalado pela Nova Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) na Praça da Bandeira, Zona Norte, e inaugurado nesta manhã pelo governador Sérgio Cabral.

A obra na Praça da Bandeira liga a rede de esgotos de cerca de 100 mil moradores da própria praça e de parte dos bairros de Tijuca, Vila Isabel e Maracanã ao tronco coletor que leva o material para a estação de tratamento de Alegria.

Segundo o presidente da Nova Cedae, Wagner Victer, a estação de Alegria está tratando de forma primária atualmente 1,6 mil litros de esgotos por segundo.

– Nosso objetivo é atingir 3,1 mil litros por segundo até maio de 2008, uma marca expressiva em termos de tratamento de esgoto no Rio de Janeiro – informou Victer.

Surto de caxumba ataca 45 alunos da Unicamp

JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA

A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) enfrenta um surto de caxumba entre os universitários. Desde a segunda quinzena de março, 45 casos foram confirmados entre os alunos -um funcionário também contraiu a doença, transmitida pela saliva de uma pessoa infectada. Houve ainda nove casos na Facamp (Faculdades de Campinas) e dois na PUCCamp. Ambas ficam perto da Unicamp.

Para o coordenador do Centro de Saúde da Unicamp, Edison Bueno, é provável que o caso gerador do surto tenha sido contraído por um aluno fora da instituição.

Em 2006, não houve notificações de casos de caxumba na Unicamp, que tem 20 mil alunos e por onde passam, por dia, 45 mil pessoas. Após o início do surto, cerca de 6.000 pessoas da instituição receberam a vacina tríplice viral - contra caxumba, rubéola e sarampo.

Na Facamp, 1.386 dos 2.000 alunos foram vacinados. De hoje ao dia 22, serão instalados na Unicamp mais dois postos de vacinação. O objetivo é atender dez mil alunos.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram notificados no Estado neste ano 159 casos de caxumba relacionados a surtos.

Qualidade da água do rio Tietê piora ainda mais

Conclusão é da Cetesb, que apresentou relatório sobre condição ambiental no Estado

Motivos ainda estão sendo investigados, mas a variação das chuvas no ano passado é citada como uma das causas


AFRA BALAZINA
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL

Parecia não ser possível, mas a qualidade da água do rio Tietê piorou ainda mais em 2006. Segundo a Cetesb (agência ambiental paulista), o rio apresentava situação praticamente estável nos últimos anos.

A conclusão foi apontada ontem pela Cetesb na apresentação dos relatórios de qualidade ambiental do Estado de São Paulo, que incluem a situação de praias, rios, águas subterrâneas e disposição do lixo.

Os motivos ainda estão sendo investigados, mas a variação das chuvas no período é citada como uma das causas por Eduardo Mazzolenis de Oliveira, gerente do departamento de Águas Superficiais da Cetesb.

No início e no final do ano, uma maior precipitação em relação às médias históricas pode ter levado maior carga de poluição para o rio - a água "lava" a rua e joga no Tietê, por exemplo, o lixo acumulado nas vias.

Já o período de estiagem, no meio do ano, foi mais rigoroso em 2006 que a média histórica e também pode ter prejudicado o rio -o menor volume de água dificulta a diluição do esgoto.

Num dos pontos monitorados, em Santana de Parnaíba (quando o rio sai de SP para o interior e está com a contribuição de esgoto do Tamanduateí, do Aricanduva e do Pinheiros), o oxigênio passou de 0,4 mg/l para 0 mg/l. Segundo Nelson Menegon Júnior, gerente de Águas Interiores da Cetesb, para que exista vida no rio é necessário 4 mg/l de oxigênio.

O nitrogênio amoniacal, subproduto do esgoto não tratado ou tratado parcialmente, ficou com média 15,81 mg/l nesse ponto (contra uma média histórica de 11,73 mg/l).

Segundo a Sabesp, para reduzir a poluição do rio Tietê "serão necessários investimentos contínuos e ininterruptos na expansão dos serviços de coleta e tratamento de esgotos" e, ainda, acompanhar o crescimento populacional na região metropolitana de São Paulo.

A empresa diz que foram investidos US$ 1,1 bilhão na primeira etapa do Projeto Tietê - realizado entre 1992 e 1998 com a meta de coletar e tratar o esgoto gerado na região metropolitana do Estado.

Atualmente, o programa está na segunda etapa, que se estende até o 1º semestre de 2008.

Nessa fase estão sendo investidos US$ 400 milhões -metade desse total é financiada pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Estão sendo construídos 36 quilômetros de interceptores, 1.200 quilômetros de redes coletoras e 290 mil ligações domiciliares.

Para o ambientalista Carlos Bocuhy, do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), para melhorar o Tietê ainda falta "uma política integrada de saneamento" -uma gestão intermunicipal.

Para ele, o aumento populacional na última década e a ampliação da atividade econômica na área aumentam a quantidade de esgoto sem tratamento jogado no local. Esses fatores, diz, aliados à ausência de tratamento dos efluentes em algumas cidades provocam o aumento da poluição do rio.

Petrobras despeja poluentes no canal de São Sebastião

Estatal lança resíduos contaminados com amônia e boro no mar, diz relatório da Cetesb

Medições feitas pela própria empresa e pela prefeitura apontam que dejetos tóxicos jogados no litoral estão bem acima dos níveis aceitáveis

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO e AFRA BALAZINA
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA DE SÃO PAULO

A Petrobras lança resíduos contaminados com amônia e boro, um metal pesado, no canal de São Sebastião (litoral norte de São Paulo), onde uma subsidiária da estatal, a Transpetro, mantém o Tebar, maior terminal de petróleo do país.

As águas do canal banham praias -além de São Sebastião- da vizinha Ilhabela. Também é um local de concentração de colônias de pescadores.

A contaminação, admitida pela Petrobras, foi apontada ontem pela Cetesb (agência ambiental paulista) na apresentação dos relatórios de qualidade ambiental do Estado.

Os resíduos chegam ao canal pela tubulação (emissário marítimo) que a Petrobras opera para despejar no canal restos do processamento do petróleo. Passam pelo Tebar cerca de 70% do petróleo do país.

Segundo Eduardo Hipólito do Rego, do Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente), medições a pedido da Prefeitura de São Sebastião apontavam, há quatro anos, indícios de amônia na água do mar bem acima dos níveis aceitáveis.

Na época, houve casos de até 125 mg/litro, para um limite de 20 mg/litro. As concentrações são estabelecidas por resolução do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente).

O emissário marítimo da Petrobras lança por hora 120 mil litros de água com excesso de contaminação no canal de São Sebastião.

Medições da própria Petrobras apontam que o índice de boro atinge até 35 mg por litro de resíduos, 600% mais do que o máximo permitido. No caso da amônia, o valor é de 90 mg/l a 100 mg/l -o índice máximo aceitável é de 20 mg/l.

Como a ETE (Estação de Tratamento de Efluentes) não conta com a tecnologia adequada, segundo a Cetesb, nem todos os contaminantes são eliminados. Em razão dessa deficiência, a Petrobras não obteve licença para operar o sistema.

Os metais pesados se acumulam no organismo ao longo do tempo depois de ingeridos através de pescados, por exemplo, e são considerados potenciais causadores de câncer.

De acordo com a Cetesb, a amônia é tóxico "bastante restritivo à vida dos peixes" e reduz o nível de oxigênio na água.

O gerente do departamento de tecnologia de águas superficiais da Cetesb, Eduardo Mazzolenis de Oliveira, afirma que o emissário da Petrobras só vai receber licenciamento ambiental quando o projeto for adaptado às exigências legais.

"Estamos discutindo isso há muito tempo. A Petrobras discorda de alguns parâmetros que fixamos", disse.

Para adaptar o sistema e corrigir a falha, a empresa petrolífera afirma que vai investir R$ 120 milhões até 2009 (leia texto nesta página).

Sabesp

Além da Petrobras, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) também precisa aperfeiçoar o tratamento do esgoto lançado no litoral por seus sete emissários marítimos. O tratamento, afirma a Cetesb, é insuficiente para enquadrar o esgoto às normas do Conama.

Segundo Fernando Rei, diretor-presidente da Cetesb, "houve um tempo em que se acreditava" que os emissários eram adequados. "Mas o monitoramento mostra que não é a melhor solução. É preciso fazer um tratamento primário [retirar sólidos em suspensão] antes de lançar ao oceano. Já seria um ganho extraordinário", disse. Hoje, é feito apenas um tratamento preliminar do esgoto -é como se o efluente fosse apenas peneirado.

O diretor de tecnologia e planejamento da Sabesp, Marcelo Salles, diz que a empresa vai investir na melhoria do sistema no emissário de Santos, que opera há 30 anos, além de instalar em Praia Grande um emissário moderno.

15 maio 2007

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai fazem balanço do Projeto Aqüífero Guarani

InfoRel

Nos dias 10 e 11, representantes dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai participam da VIII Reunião do Conselho Superior de Direção do Projeto Aquífero Guarani, que terá seu Programa Estratégico de Ação finalizado até 2008. A reunião será realizada em Assunção, no Paraguai, que ocupa a presidência do projeto.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Aqüífero Guarani é a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aqüíferos do mundo, com uma área total de 1,2 milhão de km² na Bacia do Paraná e parte da Bacia do Chaco-Paraná.

Em 1999, deu-se início à elaboração de um projeto de proteção e desenvolvimento sustentável do aqüífero. O Brasil, que abriga 80% da área do reservatório subterrâneo, ocupa a secretaria-executiva do projeto. Argentina e Paraguai revezam-se na presidência e o Uruguai é o país-sede, informou o MMA.

O secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, explicou que a pauta de reunião prevê a apresentação dos resultados dos trabalhos executados por três consórcios de empresas que prestam serviços nas áreas de hidrogeologia, trabalhos de campo e o portal de informações chamado GIS.

Segundo ele, "os trabalhos, na etapa em que se encontram, já começam a dar condições para o Programa Estratégico de Ação no aqüífero". Senra disse ainda que representantes do Banco Mundial e da Organização Estados Americanos (OEA), apresentarão um informe sobre o projeto. As duas instituições participam da administração do projeto que é financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

O volume do manancial do Aqüífero Guarani chega a 37 mil km³ e sua extensão se aproxima de 1,2 milhões de Km². O Brasil possui a maior parte - 840 mil km² (70%do total); a Argentina, 225,5 mil Km²; o Paraguai, 71,7 mil Km² e o Uruguai, 58,5 mil Km².

Em geral, as águas são de excelente qualidade para consumo doméstico, industrial e para irrigação. No Brasil, abrange os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Dos efeitos do acidente nuclear de Chernobyl e algumas surpresas quanto aos mesmos

Um estudo britânico publicado recentemente classifica os riscos de um sobrevivente do acidente nuclear de Chernobyl vir a falecer por causa do acidente comparável ao risco do mesmo sobrevivente vir a morrer por poluição do ar, ou fumo passivo.

Desde há muito que se debate o número de mortos provocados pelo acidente de 1986, mas existem cada vez mais indícios de que as consequências não foram tão graves quando se poderia inicialmente recear (a Greenpeace chegou a prever mais de 90 mil mortos)… Segundo o estudo, aqueles que mais estiveram expostos à radiação resultante da explosão do reator 4 tiveram um aumento de apenas 1% nas mortes devidas a radiação, precisamente o mesmo valor para quem vive numa cidade muito afetada pela poluição do ar, como a Cidade do México ou Tóquio.

O estudo foi conduzido por Jim Smith “Centre for Ecology and Hydrology”, do Reino Unido e no âmbito destes trabalhos visitou extensamente o local do acidente encontrando uma vida vegetal e animal próspera e abundante e nenhuma das mutações que surgiram, por exemplo, num episódio dos X-Files… Onde num episódio da segunda temporada surge o “Flukeman” um híbrido humano-verme que se sugere ter sido criado pelo acidente da central nuclear ucraniana…

É claro que nos heróicos bombeiros e soldados soviéticos que enfrentaram o reator e que o encerraram no cofre de cimento que ainda hoje o protege encontramos outros valores… Dos 134 homens envolvidos na primeira linha de reação ao acidente, 40 morreram em virtude da radiação, a maioria após um sofrimento atroz, mas com a certeza de as suas ações terem salvo a vida a milhares… Que era o que sucederia se não tivessem contido o reator 4…

Até ao momento cerca de 4 mil pessoas contraíram tumores na tiróide, naquele que é o reflexo mais visível do acidente, mas com uma taxa de sobrevida que ronda os 99%.

Este estudo reflete algo que já se sabia: a vida é capaz de resistir a doses ligeiras de radiação durante muito tempo sem exibir ou adquirir danos consideráveis… Aliás, uma dose de radiação é essencial ao processo da Evolução (a qual também não existe, segundo o Blasfémias, assim como o Aquecimento Global). É também uma excelente notícia, já que é inevitável que - mais cedo ou mais tarde - tenhamos outro reator a explodir, algures no mundo, algures no tempo… Demonstra que as coisas poderão não ser tão más… Mas fica o receio de saber se haverá então outros 140 heróis dispostos a dar a vida novamente… Sobretudo num regime bem diferente do soviético que ainda vigorava em 86 e onde as forças militares e militarizadas raramente discutiam as ordens… Por mais perigosas que estas fossem.

Fonte: MosNews

Alcoa rebate acusação de danos ambientais no Pará

Renata Gaspar - Amazônia.org

Os Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) devem finalizar nesta terça-feira (15) o documento da ação civil pública em que solicitam o cancelamento da licença ambiental concedida à Alcoa para exploração de bauxita em Juruti (PA). Em entrevista ao site amazônia, Tiniti Matsumoto Jr., gerente geral do projeto, rebateu alegações das comunidades locais de que as atividades da multinacional estariam causando danos ao meio ambiente.

Apesar da exploração do minério estar programada para começar em 2008, a população afirmou, em audiências públicas realizadas nos dias dois e três de maio, já sofrer com os impactos da construção de um porto, uma estrada e de alojamentos para funcionários da companhia - atualmente em andamento.

Uma das principais queixas era a da contaminação da água de igarapés que banham a cidade. Segundo o MPE, estudos técnicos apontaram a presença de coliformes fecais no lago Jará, que abastece o município. Segundo a comunidade, a Alcoa não estaria realizando o tratamento adequado do esgoto do alojamento de seus funcionários.

Matsumoto afirma desconhecer esses resultados e disse que "todas as análises indicaram que não há nenhum tipo de contaminação". Ele conta que houve um fato pontual em dezembro de 2006, quando, por causa das chuvas, teria ocorrido o transbordamento do lago de tratamento de efluentes da empresa. "Os efluentes eram tratados, mas as pessoas acharam que estávamos jogando esgoto", diz.

Outro problema que o gerente aponta como possível causa das queixas seria o asfaltamento de vias urbanas que a companhia estava fazendo em parceria com a prefeitura de Juruti. Matsumoto afirma que o período de chuvas ocasionou o carregamento da terra das obras para o lago. "Os trabalhos foram suspensos até que passe essa estação chuvosa", acrescenta.

Invasão de áreas - Membros dos assentamentos agroextrativistas em Juruti Velho e Socó acusaram a empresa de realizar desmatamento em áreas não autorizadas dentro dos projetos do Incra. Segundo Matsumoto, a população estaria se queixando de que a linha que demarca a área de exploração de bauxita não estaria correta, pois estariam havendo sobreposições com algumas áreas dos assentamentos. A Alcoa, contudo, afirma que a portaria do Incra que criou o assentamento em Juruti Velho é de 10 de novembro de 2005, enquanto a licença prévia e a licença de instalação por ela obtidas são anteriores, de junho e agosto de 2005, respectivamente.

Impacto nas contas públicas - Em entrevista concedida na semana passada ao Amazônia, o procurador Raimundo Moraes, um dos responsáveis do MPE pela ação contra a Alcoa, afirmou que estaria havendo um aumento das despesas dos órgãos públicos locais. O motivo seria a maior demanda por serviços de saúde, educação e infra-estrutura ocasionada por funcionários da mineradora e por pessoas que foram para a região em busca dos empregos prometidos.

"Todo projeto que gera perspectiva de emprego atrai pessoas. Mas em Juruti, o projeto traz também perspectivas de melhoria de vida", diz o gerente da Aloca. Os avanços seriam proporcionados pelo investimento de R$ 50 milhões que a Companhia pretende fazer nas áreas de saúde, segurança, educação e infra-estrutura.

O projeto - A Alcoa, maior produtora de alumínio no mundo, investirá cerca de R$ 1,7 bilhão no projeto. A bauxita da área é suficiente para manter 70 anos de exploração e será destinada à fábrica de alumina em São Luís, no Maranhão. A produção inicial será de 2,6 milhões de toneladas de bauxita por ano.

A previsão é de que a fase de construção gere quatro mil empregos diretos e dois mil indiretos. Durante a operação, cerca de 1.200 pessoas devem trabalhar na planta. A Alcoa estima que cerca de 60% da mão-de-obra será local. Nessa fase, devem ser geradas cerca de mil vagas indiretas.

Ação Civil Pública - Segundo o procurador Raimundo Moraes, a decisão de solicitar o cancelamento da licença tem como objetivo evitar uma reação violenta por parte da população local, que desejaria a saída da empresa a qualquer custo, e promover uma revisão rigorosa do licenciamento.

Matsumoto afirmou que a Alcoa já enviou esclarecimentos aos Ministérios Públicos e que não crê em um cancelamento da licença.

Austrália quer matar excesso da população de cangurus

Associated Press - Estadão Online

Integrantes de grupos de direitos dos animais protestaram nesta segunda-feira (14) contra um plano para matar mais de 3 mil cangurus na periferia da capital da Austrália. As autoridades alegam que os marsupiais estão se tornando muito numerosos e por isso há risco de escassez de alimento.

O Departamento de Defesa precisa pagar atiradores profissionais para selecionar os cangurus. Os animais, símbolo da Austrália, são protegidos em áreas determinadas.

A administração de Camberra espera que seja decidido nessa semana a aprovação da matança a fim de prevenir que o número se torne muito grande, disse o porta-voz do governo, Yersheena Nichols.

O Departamento de Defesa experimenta o desenvolvimento de contraceptivos orais para cangurus para tentar reduzir o número de novos marsupiais em um dos locais do subúrbio de Belconnen, declarou o governo em comunicado.

A presidente da entidade Liberação dos Animais (ACT), Mary Hayes, alerta que a decisão pode fazer com que o governo local adquira uma reputação de cruel. "É muito cruel, um caminho violento para tratar dos animais", ela afirmou à radio australiana.

O projeto pretende exterminar em julho 3.200 cangurus da cor cinza, que podem ficar tão altos quanto um homem.

A ativista da coalizão pela proteção dos cangurus, Pat O´Brien, rejeitou o argumento do governo que os cangurus podem ficar sem comida se parte deles não for morta. "É apenas uma desculpa para matá-los", ele opinou.

Em site o governo disse que de fato a área de Camberra abriga uma população de 450 cangurus por quilômetro.

Mais de mil cangurus são mortos nas estradas de Camberra a cada ano em acidentes de tráfego que custam 6 milhões de dólares australianos em danos nos veículos, constatou o governo.

O final da decisão sobre as execuções deverá ser feita pela administração oficial de Russell Watkinson. "Nosso interesse é com o bem-estar dos animais e uma possível falta de alimento", afirmou Watkinson à ABC.

George W. Bush pede normas para regular poluição de carros até 2008

Associated Press - Estadão Online

O presidente dos EUA, George W. Bush, reagindo a uma decisão da Suprema Corte, ordenou que seu governo crie meios de regulamentar a emissão de poluentes por automóveis até o final de sua administração. Em pronunciamento feito nos jardins da Casa Branca, o presidente disse que as novas regras "cortarão o consumo de gasolina e as emissões de gases do efeito estufa por parte de veículos automotores".

A ordem executiva que mobiliza diversas agências federais para a execução da tarefa até o final de 2008 também diz que essas agências devem levar em conta informações prestadas pelo público, o impacto na segurança, o conhecimento científico, a tecnologia disponível e os custos.

Em abril, a Suprema Corte repreendeu o governo Bush por se omitir na questão do aquecimento global. Em uma decisão tomada por cinco votos contra quatro, o tribunal declarou que o dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa devem ser classificados como poluentes para os efeitos da Lei do Ar Limpo e, portanto, são passíveis de regulamentação ambiental.

O Partido Democrata, que assumiu o controle do Congresso nas últimas eleições, vinha pressionando a administração a dizer quando cumpriria a decisão da Suprema Corte.

"Trata-se de um assunto complexo, legalmente e tecnicamente, e vai demorar para se resolver por completo", disse o presidente.

Geleiras alpinas ficam intactas mesmo com aquecimento global

France Presse - Estadão Online

A grande altitude, acima dos 4.200 metros, as geleiras alpinas não derretem, ao contrário dos similares de menor elevação, anunciaram cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) de Grenoble, França, nesta segunda-feira (14).

Nas pequenas calotas glaciais de Mont Blanc, por exemplo, o acúmulo de neve variou pouco desde o início do século 20, apesar do aquecimento do planeta.

"A estas alturas, todas as precipitações são sólidas, sob a forma de neve. O derretimento da cobertura nevada é muito pequeno e só acontece em raros episódios, como o forte calor de 2003", afirmaram.

As variações de massa de uma geleira em grande altitude dependem de dois parâmetros: o acúmulo de neve e o derrame de gelo em decorrência de seu peso. O estudo foi publicado na revista especializada "Journal of Geophysical Research".

Yahoo inicia campanha contra aquecimento global

Reuters - Estadão Online

O Yahoo quer empregar seu poder como maior companhia de internet dos Estados Unidos para encorajar milhões de consumidores a tomarem medidas básicas de preservação do meio ambiente, como parte de sua campanha empresarial de combate ao aquecimento global.

A empresa lançou nesta segunda-feira(14) o Yahoo Green, um programa online de educação que oferecerá aos usuários as mais recentes notícias ambientais, dicas para os consumidores e informações sobre como trabalhar ativamente, em termos sociais e pessoais, no combate ao aquecimento global.

No mês passado, o Yahoo anunciou que até o final de 2007 se tornaria neutro em termos de emissões de carbono, uma promessa que envolve medidas de conservação de energia ou aquisição de créditos para neutralizar, ou compensar, o uso de energia de uma pessoa ou instituição.

O Yahoo aderiu ao crescente número de grandes empresas norte-americanas que estão investindo recursos em esforços de redução nas emissões de gases de aquecimento global em suas operações de negócios, e em campanhas por mudança nas políticas ambientais dos governos locais e nacional.

Executivos da empresa acreditam que o papel mais importante que o Yahoo possa desempenhar seja o de encorajar a mudança pessoal entre os 500 milhões de usuários mensais de seus serviços em todo o mundo. O programa será iniciado nos EUA, mas futuramente será expandido a outros países.

"Qual seria a maior maneira de causarmos impacto? A maior maneira, até o momento, é transmitir essa mensagem a meio bilhão de pessoas," disse o co-fundador do Yahoo David Filo em entrevista à Reuters.

Conteúdos - O site Yahoo Green permite que os consumidores escolham de um cardápio de opções para reduzir suas emissões pessoais de carbono, e vejam o impacto coletivo de todos os participantes.

Pede que os usuários substituam lâmpadas, usem transportes coletivos, reutilizem sacolas de compras, mantenham os pneus de seus veículos corretamente calibrados, pratiquem reciclagem e mais.

O projeto também poderá ser levado para outros mercados e inclui ainda um concurso que vai doar 10 unidades do Ford Escape, um utilitário esportivo que usa um motor híbrido, e que serão utilizados como táxis na cidade que tiver o maior numero de usuários participando das atividades do novo site.

Outros 10 táxis híbridos serão doados à cidade de Nova York em substituição a táxis convencionais.

Queimadas ´são segunda maior causa de aquecimento global´

BBC Brasil - Estadão Online

As queimadas de áreas florestais são a segunda maior fonte de emissões de gases do efeito estufa, tornando o combate ao desmatamento a forma mais fácil e barata de mitigar a ação do aquecimento global, segundo afirma um relatório publicado nesta segunda-feira (14), pela ONG ambiental Global Canopy Programme.

Segundo o relatório, as queimadas respondem por 18% a 25% das emissões de gases do efeito estufa, atrás somente das emissões provocadas pelo uso de energia.

Em comparação, a organização estima as emissões decorrentes das viagens aéreas, um dos vilões atuais dos ambientalistas, em 2% a 3% do total.

Segundo o relatório, “mesmo com o aumento previsto para o tráfego aéreo, as emissões pelo desmatamento entre 2008 e 2012 deverão ser maiores do que o total das emissões por aviões desde sua invenção até pelo menos 2025”.

Para o fundador da ONG, Andrew Mitchell, as florestas tropicais são “o elefante na sala da mudança climática”.

“As florestas precisam ter prioridade nos esforços para mitigar as missões globais porque a captura de carbono ou a tecnologia nuclear levarão décadas para ter qualquer impacto significativo em reduzir as emissões, enquanto podemos combater o desmatamento já, sem a necessidade de inventar nada novo ou de infra-estrutura cara”, diz ele na carta de apresentação do relatório.

Brasil - Segundo o relatório, o Brasil, 4º maior emissor de gases do efeito estufa por conta do desmatamento, perde anualmente até 26 mil quilômetros quadrados de florestas, gerando cerca de 400 milhões de toneladas de CO2.

A organização argumenta que uma das melhores formas de combater o desmatamento seria o estabelecimento de um mercado global de carbono, para que os países com mais emissões pudessem pagar pela conservação de áreas em outros países.

O relatório estima em US$ 10 bilhões ao ano o ganho potencial que a preservação dessas áreas atualmente queimadas poderia trazer ao Brasil.

Para a ONG, o Brasil já tem hoje leis adequadas para a preservação das florestas, mas não existe vontade política nem recursos para implementá-las.

O estabelecimento de um mercado global de carbono poderia gerar, em sua avaliação, recursos ao país que excederiam o custo-benefício do desmatamento para atividades como a criação de gado ou o plantio de soja, como ocorre hoje.

Para Mitchell, paradoxalmente o aquecimento global pode dar às florestas uma melhor chance de sobrevivência caso sua preservação seja recompensada financeiramente.

“Os países suficientemente sábios para terem mantido suas florestas poderão se ver no futuro donos de uma nova indústria do ecossistema de bilhões de dólares”, argumenta.

Impactos climáticos na pré-história

Washington Castilhos - Agência Fapesp

A descoberta de uma espécie de parasita tida como extinta evidencia que, além dos impactos ambientais mais conhecidos, as mudanças climáticas podem alterar a distribuição de diversas espécies de helmintos e, conseqüentemente, a ocorrência de doenças causadas por esses tipos de vermes.

Após análise feita com fezes fossilizadas de mocós (espécie de roedores) no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, um grupo de pesquisadores passou a suspeitar que uma forte mudança no clima da região há 10 mil anos teria sido a causa da extinção no local de uma espécie de parasita do gênero Trichuris, que pode infectar humanos.

A suspeita da equipe do Laboratório de Paleoparasitologia do Departamento de Endemias da Ensp - Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz), estava embasada no fato de as fezes dos mocós atuais não apresentar o helminto. Porém, ao analisar fezes de roedores da mesma espécie no Parque Nacional Serra das Confusões, também no Piauí, os pesquisadores encontraram o parasita. Com a descoberta, veio a certeza.

“Como hoje em dia o clima no Parque das Confusões é mais úmido, similar ao do Parque da Capivara há 10 mil anos, concluímos que aquela espécie de parasita se extinguiu por causa das mudanças climáticas ocorridas nesse último local. Como o clima no primeiro parque permaneceu úmido, ele conseguiu sobreviver por lá”, disse a paleoparasitologista Luciana Sianto à Agência Fapesp.

Luciana explica que os helmintos são encontrados nas fezes fossilizadas normalmente em ovos, envoltos em uma casca, o que permite a conservação por milhares de anos. “Os helmintos evoluem devagar. O homem moderno tem parasitas que estavam em nossos ancestrais e que não se transformaram em várias espécies, como ocorreu com o próprio homem durante sua evolução”, disse.

A pesquisa será um dos destaques da exposição Paleopatologia: O estudo da doença no passado, que o Museu da Vida da Fiocruz inaugurou nesta segunda-feira (14), no Rio de Janeiro.


Rodízio de parasitas - Segundo a pesquisadora da Ensp, o parasita desapareceu na Serra da Capivara porque, para completar seu ciclo, precisa passar pelo solo. “Se não passasse pelo solo, não se tornaria infectante”, explicou. Por poder sobreviver apenas em temperatura de até 20ºC, quando o clima se tornou mais quente a espécie não resistiu.

No entanto, existem parasitas de ciclos diferentes que, quando eliminados, podem infectar imediatamente, como é o caso do oxiúro, que atinge especialmente crianças. Nesse caso, a contaminação é direta. “Estamos falando de um tipo de parasita que resistiu a mudanças e que veio para o Brasil com as migrações pelo estreito de Bering. Encontramos espécies de oxiúros tanto em coprólitos de humanos pré-históricos como nas fezes da população atual”, disse a pesquisadora.

Além das análises de fezes fossilizadas de humanos e de animais, o Laboratório de Paleoparasitologia da Ensp faz também estudos de dieta de populações antigas. O objetivo é analisar as doenças do passado e avaliar se (e como) seus agentes causais se adaptaram às mudanças climáticas, se surgiram novas endemias ou se retornaram ainda mais freqüentes.

“Assim como achamos em outro local uma espécie de parasita que pensávamos que não existia mais por conta das mudanças climáticas do passado – período em que a caatinga se tornou como a conhecemos atualmente –, podemos encontrar outros parasitas com potencial para afetar humanos”, disse Luciana.

Segundo ela, a partir do momento que um parasita desaparece, pode haver o aparecimento de outro. “E, se não havia transmissão para o ser humano, pode passar a ter. É normal a população ter parasitas. O problema é que, quando se elimina o parasita comum a um indivíduo, abre-se uma porta para outro.”


Poder de adaptação - Segundo Luciana Sianto, com as mudanças climáticas é possível que o homem desapareça e o helminto não. “O parasitismo viveu todas as transformações pelas quais o mundo passou e contribuiu muito para a evolução. A paleoparasitologia estuda o passado para entender melhor o presente”, afirmou.

O material usado pelas análises na Ensp – que inclui, além dos coprólitos (fezes fossilizadas), sedimentos da área pélvica de esqueletos mumificados e latrinas de casas – é resultado de escavações feitas pela Fundação Museu do Homem Americano, no Piauí, que, junto com o Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, administra o Parque Nacional Serra da Capivara, onde se encontra o mais importante patrimônio pré-histórico do Brasil.

A exposição Paleopatologia: O estudo da doença no passado estará na sala de exposições temporárias do Museu da Vida até o dia 9 de setembro. A partir do dia 15, a exposição estará aberta ao público de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e aos sábados, das 10h às 16h. Os helmintos poderão ser observados pelos visitantes por meio de microscópios com lâminas.

Servidores do Ibama iniciam greve contra pressão por licenciamentos ambientais

Fabiana Futema - Folha Online

Servidores do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis de todo o país iniciaram nesta segunda-feira (14) uma greve por tempo indeterminado contra o que eles chamam de "sucateamento" do órgão e a suposta pressão do Planalto pela aceleração da concessão das licenças ambientais. O presidente da Asibama-Nacional - Associação Nacional dos Servidores do Ibama, Jonas Corrêa, disse que a categoria está insatisfeita com a interferência do governo no órgão.

"O sentimento que há entre os servidores é de indignação, de traição. Nos sentimos traídos pelo governo", disse ele em referência à criação do Instituto Chico Mendes.

Para os grevistas, a reestruturação do Ibama, com a criação desse instituto, deu início à suposta tentativa do governo de pressionar o órgão a acelerar a concessão de licenças ambientais. "Os dirigentes anteriores do Ibama não sabiam dessa reestruturação. Tudo foi armado com o objetivo de atender os setores do governo que querem as concessões de licenças a qualquer custo, mesmo que isso prejudique o ambiente", afirmou Corrêa.

Segundo ele, o governo sinaliza querer agora discutir com os servidores a MP (medida provisória) 366, que reestruturou o Ibama. "Não podemos dialogar com a MP em vigor. Essa discussão precisaria ter ocorrido antes. Tudo foi planejado com o objetivo de desmantelar e enfraquecer o órgão."

Pelo cronograma da greve, aprovado nas assembléias realizadas na semana passada, as associações estaduais discutem a paralisação até quarta-feira (16). Neste dia, as assembléias estaduais encaminharão um representante para o comando nacional de greve.

Em todo o país, segundo o Asibama, o Ibama emprega 6.400 funcionários - a maioria está no Distrito Federal.

Procurado pela reportagem, o Ministério do Meio Ambiente ainda não comentou a paralisação iniciada hoje.

Outro lado - Em nota oficial, os presidentes substitutos do Ibama e do Instituto Chico Mendes, Bazileu Alves Margarido Neto e João Paulo Ribeiro Capobianco, respectivamente, disseram na sexta-feira passada que o "diálogo continua aberto" com a categoria.

"A edição da MP que cria o Instituto Chico Mendes é um importante instrumento para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama)", diz a nota.

"É importante frisar que as presidências e direções destes institutos, apesar de terem se colocado à disposição dos servidores para dirimir suas dúvidas, não foram por eles demandados."

O dono da água da chuva no DF somos nós

D’Alembert Jaccoud (*)

As parcerias público-privadas (PPPs) recém anunciadas pelo governo do DF podem permitir a adoção de medidas de sustentabilidade ambiental que tragam benefícios econômicos e sociais à população, ao governo e ao empresariado da capital. Visando a finalização da infra-estrutura e a abertura de novas áreas para a expansão urbana, as PPPs devem garantir que a demanda por água seja atendida de modo racional e, ao mesmo tempo, salvaguardar os limitados mananciais de água potável disponíveis no DF. Reconhecidos os impactcos da mudança climática global sobre os recursos hídricos e a necessidade de prevenir seu esgotamento, Brasília tem excelentes condições de adotar medidas práticas frente ao aumento da demanda e aos crescentes custos do seu abastecimento.

O projeto do setor Noroeste prevê uma população de 36.000 habitantes abrigada em 220 blocos com 19.400 apartamentos. Com um consumo médio de 200 litros por pessoa por dia, este bairro demandará 7.200.000 litros por dia para o consumo residencial; considerando a menor tarifa residencial (R$1,33 por 1.000 litros de água), esta população pagará uma conta diária de R$9.576,00 (ou R$ 30,27 por pessoa por mês).

Diante deste quadro, torna-se tanto injustificável como insustentável que a expansão urbana da capital dependa do uso de água potável nas instalações sanitárias, irrigação de jardins, piscinas, lavagem de roupas, edificações, carros e outros usos. A PPP indica que os empresários farão a infra-estrutura e urbanização local, cabendo ao governo descontar estes investimentos do valor dos terrenos; a hora de pensar na conta de água e na preservação dos mananciais é agora, durante a definição dos projetos e contratos de interesse público.

O aproveitamento da água da chuva para consumo não potável é adotado nos Estados Unidos, Alemanha, Japão e outros países desenvolvidos. Há iniciativas no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, nos estados do semi-árido e em outras regiões do país; o estado do Amazonas, que possui 74% da água doce do país, tem um programa estadual de aproveitamento da água da chuva. Vários municípios determinaram nas suas Leis das Cidades o aproveitamento deste recurso. No DF, nem mesmo a polêmica em torno da construção do Lago Corumbá IV levou esta alternativa a ser considerada pelos planejadores públicos e privados, apesar de que a diminuição da demanda da água potável fornecida pelas empresas de saneamento resulta na redução dos seus custos e na preservação dos mananciais para a universalização deste serviço básico.

A coleta e armazenamento de água de chuva é um processo simples e de fácil aplicação: a água é coletada através de calhas nas áreas impermeáveis das construções, normalmente o telhado, sendo filtrada e depositada num reservatório comum, onde é tratada e distribuída para uso não potável. O uso da água potável é retomado quando acaba a água da chuva armazenada. A viabilidade econômica desta tecnologia depende, basicamente, da qualidade e da quantidade da água da chuva. A chuva no DF se dá no período de menor poluição atmosférica, pois as queimadas agropecuárias ocorrem na seca. E cada metro quadrado de superfície do DF recebe anualmente entre 1.500 e 1.750 litros de chuva; assim, o consumo anual de cada habitante corresponde ao volume de chuva que cai sobre 50 metros quadrados.

Para chegar às residências, no sistema atual, a água da chuva deve, primeiro, abastecer os mananciais (infiltrando-se no solo ou escorrendo pelo sistema de águas pluviais), de onde é então coletada, tratada (coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção e fluoretação) e, finalmente, bombeada para as caixas de água dos usuários. Após todo este rigoroso e dispendioso processo, mais de 60% desta água potável é, então, utilizada para descarga sanitária e lavagem geral. O uso da água de chuva para fins não potáveis deve ser estimulado.

A água que cai do céu ainda não foi privatizada no Brasil e a tendência é de que as pessoas captem esta água para utilização própria. A Bolívia vendeu o sistema de águas de Cochabamba para a empresa norte-americana Bechtel, em 2000; o contrato impedia os moradores de coletarem a chuva, passando todos os recursos hídricos para a posse da empresa. Após violentos protestos populares, onde foi morto pela polícia um jovem ativista de 17 anos, a empresa desistiu do empreendimento.

Devemos tomar conta da água da chuva em Brasília, pois ela ainda é nossa.

* É agrônomo e ambientalista.