06 abril 2007

Aquecimento força peixes da Austrália a migrarem para o sul

da Folha Online

O aquecimento global começa a ter um impacto significativo na vida marinha australiana, empurrando peixes e pássaros que deles se alimentam para o sul e ameaçando os recifes de coral, informou a Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth) nesta quarta-feira.

Conseqüências mais severas --oceanos mais quentes, mudanças nas correntes, distúrbios nos ciclos reprodutivos e migração de espécies-- podem ocorrer nas próximas décadas, afetando a vida marinha, comunidades pesqueiras e o turismo.

Espécies de tartarugas, atuns e águas-vivas já estão migrando para o sul, diz o relatório da organização.

Este foi o primeiro estudo de grande porte na região australiana que reuniu pesquisadores do clima, ecologistas e cientistas.

Corais

Os corais na Grande Barreira da Austrália poderão sofrer branqueamentos mais freqüentes, a cada dois ou três anos. Atualmente, isso ocorre a cada cinco ou seis anos.

Os oceanos também estão ficando mais ácidos com o aumento do nível de dióxido de carbono na atmosfera. Isso deve prejudicar organismos que usam cálcio para carbonatar seus esqueletos e conchas, como corais e moluscos.

O sudeste da Austrália será duramente atingido, e o resultado deve ser o declínio do número de peixes na costa leste do país.

Migração humana

O aumento aguardado de migração humana para a costa australiana nos próximos dez a 20 anos, por causa das temperaturas em elevação, também acrescentaria pressão aos mares da região, afirmou Hobday.

Isso tudo viria acompanhado, ainda, da elevação do nível do mar, que levará à erosão costeira.

Na sexta-feira (6), o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, apresenta um novo relatório sobre os efeitos do aquecimento global.

Com Reuters

Parte da Amazônia pode virar savana, alerta WWF

da BBC

Se a floresta amazônica se tornar um ambiente mais quente e mais seco, uma área de 30% a 60% pode se converter em um tipo de savana seca, de acordo com pesquisa realizada com apoio do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e incluída em relatório do WWF (Fundo Mundial para a Natureza) divulgado nesta quinta-feira.

O relatório "Salvando as Maravilhas Naturais do Mundo de Mudanças Climáticas" foi compilado em antecipação à divulgação do segundo parecer do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Segundo o documento do WWF, modelos sugerem que até 2050 as temperaturas na Amazônia vão aumentar entre 2 e 3 graus Celsius. "Ao mesmo tempo, uma diminuição nas chuvas durante os meses secos levará à seca generalizada."

Essas mudanças trazem graves conseqüências, diz o relatório. "O aumento projetado nas temperaturas e a diminuição da precipitação nos meses já secos podem resultar em secas longas e talvez mais graves, além de mudanças substanciais na sazonalidade."

A região é considerada uma das dez "maravilhas naturais" pela WWF, que diz que "o motor hidrológico da Amazônia tem um grande papel na manutenção do clima global e regional. A água liberada por plantas na atmosfera e por rios no oceano influencia o clima mundial e a circulação das correntes oceânicas".

O aquecimento do ambiente amazônico vai afetar água disponível, biodiversidade, agricultura e saúde humana, diz o relatório. "Ao lado de mudanças de utilização do solo, podemos esperar a degradação dos sistemas hídricos, perda de solos de valor ecológico e agrícola, diminuição na produção agrícola, aumento na infestação por insetos e propagação de doenças infecciosas.'

Emissões de CO2

Há preocupação de que a região amazônica acabe se tornando uma fonte, e não um agente na absorção de dióxido de carbono (CO2), e que seria um dos principais fatores no estímulo de mudanças climáticas.

"Atualmente, as florestas da Amazônia ainda são um reservatório para o CO2, apesar de cerca de 20% das emissões globais de CO2 partirem do desmatamento. Mas foi previsto que o aumento das temperaturas, diminuição de precipitações e a 'savanização' da Amazônia vão levar a região a se tornar uma fonte de CO2, ao invés de um reservatório."

Outras "maravilhas naturais" enumeradas no relatório incluem a Grande Barreira de Corais da Austrália, que "está ameaçada pelo aquecimento das águas, que provoca o branqueamento dos corais".

O rio Yang Tsé, na China, "enfrenta escassez de água na medida em que as geleiras do Himalaia continuam a diminuir".

"De tartarugas a tigres --do deserto de Chihuahua ao grande Amazonas--, todas estas maravilhas da natureza correm risco com o aquecimento global", disse Lara Hansen, cientista-chefe do Programa de Mudanças Climáticas do WWF.

"A adaptação às mudanças climáticas podem salvar alguns deles, mas só ação drástica de governos para reduzir as emissões podem dar esperança para impedir sua destruição completa."

Mudanças climáticas ameaçam dez maravilhas da natureza, diz WWF

da France Presse

As mudanças climáticas ameaçam dez das regiões ou espécies consideradas como parte das maravilhas da natureza, advertiu nesta quinta-feira o WWF (Fundo Mundial para a Natureza).

"Das tartarugas aos tigres, do deserto de Chihuahua à grande Amazônia, todas estas maravilhas da natureza estão ameaçadas pela elevação das temperaturas, assim como as reservas de água doce do planeta", afirmou Lara Hansen, responsável científica do programa sobre clima do WWF, ao apresentar um estudo em Bruxelas.

O Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) divulgará nesta sexta-feira a segunda parte de seu relatório sobre as conseqüências do aquecimento global.

Entre 30% e 60% da floresta amazônica poderão se transformar em savana, indica o WWF em um estudo publicado em Paris.

O bosque valdiviano, que abrange o Chile e a Argentina, onde cresce o larício, uma pequena árvore conífera, de cor verde clara e que pode chegar a viver 3.000 anos, também está ameaçado, segundo a organização ambiental.

O deserto de Chihuahua, entre Estados Unidos e México, habitat de cerca de 3.500 plantas diferentes e de animais ameaçados (jaguar, urso negro), é outro lugar em alerta.

A Grande Barreira de Corais da Austrália pode ser extinta, pois o aumento da temperatura provoca o embranquecimento que a levaria à morte. E as tartarugas marinhas escamadas das costas sul-americanas e caribenhas também estão em perigo.

No Ártico, onde o aquecimento ocorre com o dobro da velocidade da maior parte do planeta, são os salmões do Alasca os mais ameaçados.

Na Ásia, os Sundarbans correm um grande risco. Trata-se da maior extensão do mundo de mangues, entre Índia e Bangladesh, com o famoso tigre de Bengala em seus limites.

Na China, o WWF cita a parte superior do rio Yang Tsé, o mais longo do mundo e uma das duas únicas regiões nas quais vive o urso panda em estado selvagem.

No Himalaia, que abriga mais geleiras que qualquer outra zona da Terra, à exceção dos pólos, o gelo pode se derreter a uma velocidade tal que as conseqüências seriam muito graves.

A fundação expressa sua preocupação com os bosques das costas orientais da África, do Quênia à Tanzânia e Moçambique.

"Não quero dizer que é tarde demais", ressalta Lara Hansen. "Mas, do ponto de vista da conservação, se continuarmos no caminho de um desenvolvimento desenfreado que já exerce uma pressão considerável sobre as reservas naturais, a natureza e a biodiversidade perderão a longo prazo."

"Temos uma grande parte da humanidade que tira seu sustento destas reservas", disse. "É preciso começar a pensar a partir de agora no que fazer de melhor para que tudo isto coexista".

Laudo aponta que maré vermelha causou morte de peixes no Recôncavo Baiano

da Folha Online

A mortandade de cerca de 50 toneladas de peixe na costa do Recôncavo Baiano foi causada por um fenômeno natural chamado de maré vermelha (proliferação de algas tóxicas que dá coloração avermelhada). A causa foi apontada por um laudo técnico do CRA (Centro de Recursos Ambientais) ligado ao governo do Estado.

De acordo com o CRA, as algas, em alta densidade, produzem grande quantidade de matéria orgânica. Segundo o laudo, isso causou nos peixes a obstrução das brânquias --órgão respiratório de espécies aquáticas--, levando-os à morte por asfixia.

A situação ainda foi agravada pela redução do oxigênio disponível na água em função da decomposição da matéria orgânica gerada.

O acidente deixou ao menos cinco municípios da região em estado de emergência por conseqüência da proibição da pesca e outras atividades costeiras da região. A mortandade de peixes foi a maior registrada no Recôncavo.

Ao menos 7.000 pescadores ficaram sem poder trabalhar por conta da suspeita de contaminação da água. Indiretamente, a 30 mil foram prejudicadas com o impedimento de atividades pesqueiras, de acordo com a Bahia Pesca, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura. O governo distribuiu 10 mil cestas básicas.

O trabalho de monitoramento das águas da baía continua, de acordo com o CRA. Segunda-feira (9) está marcada uma reunião do conselho gestor da APA (Área de Preservação Ambiental) da baía de Todos os Santos.

Na ocasião, será discutida a elaboração de um plano de manejo e recuperação das águas, para evitar o lançamento de detritos e combater a poluição.

Maré vermelha

De acordo com a equipe multidisciplinar que trabalhou nos estudos e na elaboração do laudo técnico, a maré vermelha ocorre principalmente por conta de condições climáticas estáveis e do aumento de nutrientes na água.

A estabilidade climática do mês de março colaborou para a reprodução intensa das algas. Foram ao menos 30 dias sem chuvas e ventos fortes na região, o que é incomum para a época, segundo a equipe.

O laudo concluiu ainda que, no fenômeno ocorrido na Bahia, os danos decorrentes afetam apenas o ecossistema, diferentemente da maré vermelha verificada em Santa Catarina em janeiro deste ano, quando as microalgas produziram toxinas que contaminaram ostras e mexilhões.

Contaminação por metais pesados cresce no Acre

Reclamações de médicos e de pacientes levam deputada Perpétua Almeida (PC do B) a se reunir com a diretoria do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

No Acre, os médicos estão assustados com a proliferação de pacientes que apresentam sintomas de contaminação por metais pesados, sem que tenham como fazer os exames.

As suspeitas médicas se voltam em especial para quatro tipos de metais, que apresentam sintomas parecidos: chumbo, alumínio, mercúrio e manganês, que provocam efeitos cujo espectro vai desde a diarréia e dor de cabeça a nos casos mais agudos arteriosclerose precoce, alterações cerebrovasculares e até psicose maníaco-depressiva.

"O maior problema é que grande parte dos pacientes com suspeita de contaminação por metais pesados não tem condições de pagar nem os exames, nem o tratamento que em média não sai por menos de R$ 15 mil", disse Perpétua Almeida ao solicitar o auxilio do Sipam para detectar a origem do problema, que tem na Ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, a primeira pessoa pública a assumir no Acre que sofre com a contaminação por mercúrio.

O diretor-geral do Sipam, Marcelo Lópes, colocou-se à disposição para realizar um estudo para saber a origem e o foco da contaminação, se de fato estiver ocorrendo, porque o Acre não tem garimpo e nem indústrias que liberem esses metais. No entanto, segundo os técnicos do Sipam que realizam estudos há anos sobre o assunto, é possível a existência de áreas naturais de concentração de metais.

"O solo e a água de Brasilia, por exemplo, têm grande concentração de alumínio", salientou o técnico operacional do Sipam e professor da Universidade de Brasilia , Rogério Soares.

Na reunião, na tarde de quinta-feira, na sede do Sipam no Distrito Federal, os diretores e a deputada Perpétua Almeida fecharam um espécie de acordo de cooperação.

O Sipam se comprometeu a articular o governo federal o envolvimento de outros órgãos necessários para a realização do estudo no Acre e a deputada Perpétua Almeida vai entrar em contato com a Universidade Federal do Acre (Ufac) e com a Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) para viabilizar a pesquisa.

"Felizmente, o governador Binho Marques é sensível a esse problema e já afirmou que onde for necessária a ação do Estado, ele não fugirá da responsabilidade"

Segundo Marcelo Lópes, diretor-geral do Sipam, os estudos devem seguir duas frentes, uma para saber a procedência dos metais, se são ou não provenientes de áreas naturais e por meio de exames em pessoas suspeitas de contaminação.

Urgência

A reunião entre a diretoria do Sipam e a bancada federal do Acre, foi pré- agendada para acontecer entre os dias 16 a 27 de abril, para que em seguida possam ser iniciadas as pesquisas.

" Saio daqui animada e tranquila com a certeza que faremos todas as articulações necessárias, a diretoria do Sipan junto aos órgãos federais e nós ajudando a reforçar o tratamento com os órgãos estaduais e o governo. Temos urgência porque não podemos continuar convivendo com a incerteza e com a possibilidade que tantas pessoas que muitas vezes não têm o suficiente nem para sobreviver quando estão sadias, ainda sejam acometidas por doenças que podem ser evitadas, se soubermos seu foco" disse a deputada comunista ao sair da reunião.

Fonte: A Tribuna

Prédios podem ser peça chave no combate às mudanças climáticas

Relatório mostra como medidas simples e de baixo custo de energia podem ajudar no alcanço das metas de Kyoto e excedentes.

Oslo/Nairóbi - Benefícios significativos podem ser alcançados com esforços para combater o aquecimento global, com a redução do uso de energia e o melhoramento da eficiência o do seu uso em prédios.

A mistura correta entre uma apropriada regulamentação governamental, um aprimoramento do uso de tecnologias para economia energética e uma mudança comportamental, pode reduzir substancialmente as emissões de dióxido de carbono (CO2) do setor de construção civil, que acumula cerca de 30 a 40% do uso global de energia, diz o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) Construções Sustentáveis e Iniciativa Imobiliária (SBCI).

O novo relatório, Cosntruções e Mudanças Climáticas: Status, Desafios e Oportunidades, diz que existem muitas oportunidades para governos, indústrias e consumidores realizarem ações apropriadas durante o tempo de vida dos prédios, o que pode minimizar os impactos do aquecimento global.

Citando o exemplo da Europa, o relatório diz que mais de um quinto do consumo de energia e mais de 45 milhões tonelada de CO2 poderiam ser economizados por ano até 2010 com a aplicação de medidas mais ambiciosas para prédios novos e já existentes.

Achim Steiner, Vice Secretário Geral da ONU e Diretor Executivo do UNEP, disse “Eficiência energética, junto com formas limpas e renováveis de gerar energia, é um dos pilares perante os quais um mundo sem carbono irá resitir ou desabar. As economias que já podem ser feitas são potencialmente grandes e o custo para implementá-las é relativamente barato, se um número suficiente de governos, indústrias, empresários e consumidores agirem”.

“Esse relatório foca o setor de construção civil. Por algumas estimativas conservadoras, o setor de construção civil mundial poderia liberar emissões reduzidas em 1.8 bilhões de toneladas de CO2. Uma polícia mais agressiva de eficiência de energia pode liberar mais de dois blihões de toneladas ou perto de três vezes a quantidade programada para ser reduzida pelo Protocolo de Kyoto” ele adicionou.

“Existem mais frutas baixas para serem colhidas. Vários países, incluindo Austrália, Cuba e a União Européia estão cuidando para gradualmente ou totalmente banir o uso de lâmpadas incandescentes que estão no mercado por mais de um século em vários modelos. A agência Internacional de Energia estima que uma total mudança global para lâmpadas compactas fluorescentes pouparia, em 2010, 470 milhões de toneladas de CO2 ou um pouco mais do que a metade das reduções de Kyoto. Nós temos que perguntar quais são os obstáculos – se tiver algum – para alcançar uma mudança tão positiva de redução de custos e tomar previdências decisiva e rapidamente para superá-los, se, eles existirem” disse Sr Steiner.

Pontos chave para os relatórios de contruções e mudanças climáticas

No tempo de vida de um prédio comum, a maior parte da energia é consumida, não para a contrução, mas durante o período que o prédio está sendo usado. Isto é, quando a energia está sendo usada para aquecimento, refrigeramento, ilumação, cozimento, ventilação e outros.

Reconhecendo isso, o relatório apressa um o uso melhorado de tecnologias como isolamento térmico, sombra solar e, iluminação e utensílios eletrônicos mais eficientes, assim como a importância de campanhas de educação e advestências.

"Para alcançar maior efciência energética em prédios, você geralmente não precisa usar soluções tecnológicas avançadas e caras, mas soluções simples, como projetos inteligentes, soluções flexíveis de energia e fornecimento de informação apropriada aos usuários do prédio” diz Oliver Luneau, SBCI Presidente e Diretor de sustentabilidade da Lafarge.

“Soluções simples podem incluir sombras e ventilação natural, uso de materiais reciclados de prédios, adequação do tamanho e da forma do prédio para seu propósito de uso etc” disse ele. “É claro que você pode alcançar resultados até melhores, se soluções mais avançadas forem usadas, como iluminação inteligente e sistema de ventilação, baixa temperatura de aquecimento e refrigeração e economia de energia de uso domético”.

Em acréscimo ao melhoramento do uso de tecnologias para economia de energia, o relatório ressalta a importância de políticas governamentais apropriadas no código do prédio, preço de energia e incentivos financeiros que encoragem a redução do consumo de energia.

Também é enfatizado que o o setor imobiliário aposta nele mesmo, incluindo investidores, arquitetos, donos de propriedades, companhias de construção, inquilinos, etc. precisam entender e apoiar essas políticas para que elas funcionem com eficiência.

O relatório também aponta que tentativas para encontrar soluções para os prédios irão variar. Em países desenvolvidos o principal desafio é alcançar uma redução de emissões entre os muitos prédios existentes, e isso pode ser feito basicamente com a redução do uso de energia.

Em outras partes do mundo, especialmente lugares como a China, onde quase 2 bilhões de metros quadrados são ocupados anualmente com novas construções, o desafio é passar direto para soluções energéticas mais eficientes, diz o relatório.

O relatório de Construções e Mudanças Climáticas será apresentado no encontro anual da SBCI, que acontecerá em Rabat, Marrocos, de 2 a 4 de Abril de 2007. A SBCI é uma parceria internacional para “deixar verde” o multi-bilionário setor de prédios e construções. Inaugurado há um ano atrás junto com o UNEP, hoje tem cerca de trinta membros incluindo alguns dos maiores nomes da área como Lafarge, Skanska e Arcelor. A secretaria da SBCI está alojada junto a Divisão de Tecnologia, Indústria e Economia do UNEP em Paris.

Cópias do relatório sobre Construções e Mudanças Climáticas UNEP SBCI podem ser baixadas nos endereços http://www.unep.fr/ ou http://www.unep.org

(Envolverde/Pnuma)

Lodo para adubar grãos

Enquanto os preços dos fertilizantes sobem, a pesquisa avança para encontrar outras fontes de matéria-prima para adubação. E o fertilizante de lodo de esgoto, que é pesquisado há dez anos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), será apresentado hoje pela instituição, na unidade do Distrito Federal.

O pesquisador Jorge Lemainski explica que o adubo foi testado por sete anos em campo nas culturas da soja e do milho. Ele garante que a produtividade foi a mesma que a registrada na área teste de adubo químico. O diferencial foi o retorno econômico, pois o custo do lodo de esgoto se resume ao transporte da estação de tratamento, à aplicação e à incorporação do adubo (equipamento distribuidor de calcário). Assim, para cada R$ 1 aplicado para o milho, o retorno foi de R$ 0,90, enquanto o do fertilizante químico foi de R$ 0,40.

(Ecopress com informações da Gazeta Mercantil)

CPTM mostra resultados positivos com o uso racional da água

O programa de redução de consumo de água na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) mostra bons resultados desde que foi adotado há três anos. Em 2006, foram utilizados 522,2 mil metros cúbicos, bem menos que os 623,2 mil metros cúbicos de 2005 e os 667,3 mil metros cúbicos do ano anterior. O uso racional da água ocorre em todas as dependências da companhia, que abrangem, entre outros, 87 estações, pátios, oficinas de manutenção e prédios administrativos, distribuídos por 22 municípios.

A empresa instalou sistemas de captação e de reutilização de água das chuvas em todos os projetos de modernização das 53 estações existentes e na construção das novas. A água é reaproveitada na limpeza, em bacias sanitárias (vasos e mictórios) e em serviços de jardinagem. A técnica consiste num grande reservatório de 30 metros cúbicos na cobertura das estações, tubulação independente para encaminhar o líquido captado para um reservatório de amortecimento e depois para outro de reaproveitamento, onde é feita adição de cloro para desinfecção.

A CPTM mantém fiscalização freqüente nos sanitários, para evitar desperdício. Também acompanha a limpeza das plataformas e áreas operacionais. Atualmente, instala torneiras temporizadas, para regulagem das válvulas automáticas de descarga, e monitora diariamente o consumo.Trabalho conjunto " As constantes inspeções, em especial nas tubulações mais antigas, em pátios e oficinas, propiciam à empresa a troca imediata de tubos quando é identificado vazamento. O uso racional é também preocupação constante das equipes de manutenção dos trens e locomotivas. O programa de redução de despesas com água nessa área tomou fôlego com o acompanhamento do consumo por meio de leitura direta dos medidores instalados em todos os abrigos e oficinas.

Com o controle mensal e a análise de resultados, foi possível realizar trabalho conjunto entre as áreas dos abrigos e oficinas e a da manutenção de edificações, para eliminar pontos de vazamento e desperdícios.

Em diversos lugares do planeta, milhares de pessoas sofrem com a escassez de água, bem precioso e insubstituível, essencial à vida. Estima-se que no futuro haverá confrontos em busca de água potável. O Brasil detém 1,6% de toda a água doce do mundo. Temos o maior rio do mundo, o Amazonas, e a maior parte do Aqüífero Guarani, enorme reservatório subterrâneo.

(Ecopress com informações do Governo do Estado de São Paulo)

Brasil sediará reunião sobre biocombustíveis em 2008

O Brasil sediará um fórum mundial de biocombustíveis em 2008. A iniciativa, anunciada na tarde de sábado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faz parte da estratégia do País de formar um mercado global para o álcool combustível como maneira de se consolidar como líder no setor.

Jornal do Comércio

Além disso, missões de cientistas brasileiros visitarão uma unidade de pesquisa de ponta em energias renováveis do Departamento de Energia norte-americano no estado do Colorado, e uma missão conjunta dos departamentos de Energia e de Agricultura americanos irá ao Brasil nos próximos dias.

Para frustração dos envolvidos no encontro entre Lula e o norte-americano George W. Bush, no entanto, as únicas ações concretas que resultaram da segunda reunião dos dois presidentes em menos de 30 dias foram ofuscadas pelo fracasso na evolução das negociações comerciais e pela ênfase dada em temas nos quais os dois líderes divergem.

Lula e Bush se encontraram, na tarde de sábado, em Camp David, para discutir, em menos horas do que estiveram juntos em São Paulo no começo de março, uma ambiciosa agenda, que ia de assento permanente no Conselho de Segurança da ONU a destravamento da Rodada Doha. Nenhum dos dois pontos andou - segundo as palavras do próprio Lula, ele saiu da reunião com "nada", apesar de considerá-la uma das "mais produtivas". O que andou, o detalhamento do memorando bilateral, não mereceu muita atenção, mesmo com o anúncio dos países que serão os primeiros recipientes dos recursos do memorando, Haiti, República Dominicana, São Cristóvão e Névis e El Salvador.

Outros pontos da declaração conjunta, como o tratado trilateral de ajuda a Guiné-Bissau, a ação para tentativa de erradicação da malária em partes da África, a criação de um fórum de CEOs de empresas brasileiras e americanas e um acordo de trocas de informação que pode ser a base para um tratado de tributação, já haviam sido anunciados durante a semana.

Parte do problema foi o foco em pontos de tensão tanto na fala de Lula quanto na entrevista coletiva que se seguiu, no hangar preparado para esses eventos em Camp David.

O brasileiro gastou boa parte do tempo defendendo uma postura mais agressiva em relação à preservação do meio ambiente, assunto que é o calcanhar-de-aquiles da administração do republicano e bandeira de um de seus principais opositores, o democrata Al Gore.

Instado pela imprensa doméstica, o norte-americano passaria boa parte de seu tempo defendendo seu secretário de Justiça ou comentando a situação dos militares britânicos capturados pelo Irã. "No final, houve muito simbolismo e pouca ação", disse um diplomata que prefere não ser identificado.

Relatório prevê crise de água e alimento

Segunda parte de documento do painel do clima da ONU deve indicar que impacto do aquecimento virá já no meio do século

Texto do IPCC, a ser lançado hoje em Bruxelas, sugere ainda danos a ecossistemas e disseminação de doenças como a dengue na Europa

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
ENVIADO ESPECIAL A BRUXELAS

Os efeitos das mudanças climáticas sobre o ambiente e a sociedade não só já são nítidos como podem levar, ainda na primeira metade deste século, à escassez de água e de alimentos, além de fenômenos inusitados - e assustadores - como dengue na Europa.

Esta é a mensagem que os cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) devem divulgar hoje, em Bruxelas (Bélgica), com os dados da segunda parte do chamado AR4, o Quarto Relatório de Avaliação da saúde do clima do planeta.

Direcionado aos "policymakers" - os fazedores de políticas públicas -, o sumário apresenta evidências dos impactos físicos (os mais nítidos), biológicos (os mais bem-documentados) e sociais (os mais controversos) causados pelo aquecimento global.

O texto também analisa a vulnerabilidade das regiões do planeta e as ações a serem tomadas para aumentar a "capacidade adaptativa" da humanidade à porção inevitável das mudanças climáticas.

Cientistas ouvidos pela Folha rejeitam, no entanto, a idéia de que os dados podem cristalizar uma visão apocalíptica sobre o futuro do planeta.

"Não é uma apresentação catastrofista, é um relatório científico honesto, as pessoas verão que as mudanças não vão acontecer do dia para a noite", disse Mohan Munasinghe, vice-presidente do IPCC.

"As boas notícias são que temos evidências científicas claras, sugestões de iniciativas políticas para reduzir a vulnerabilidade e para melhorar a habilidade da sociedade de se adaptar às mudanças", completou.

Europa doente

O brasileiro Ulisses Confalonieri, da Fiocruz, coordenador do capítulo do relatório que trata sobre saúde, é outro que relativiza o tamanho do problema, no que tange aos fenômenos já observáveis.

"De implicação para o Brasil, na parte de saúde, não tem nada. A Europa parece estar mais vulnerável", diz Confalonieri.

"Eles estão assustados com doenças como dengue, leshimaniose, malária, coisas que podem vir da África, cujos vetores podem começar a subir para a Europa com o aumento da temperatura." O maior calor amplia tanto a zona de distribuição de insetos quanto o período quente, propício à sua reprodução, durante o ano.

Não que o impacto sobre a saúde seja desprezível: a exacerbação da poluição urbana, a seqüência de ondas de calor nos países de clima temperado e o maior número de eventos extremos (tempestades, inundações etc.) aumentam o risco para seres humanos - especialmente velhos, crianças e, claro, moradores de áreas pobres.

Mas, segundo o pesquisador brasileiro, entre os dados que serão apresentados hoje o impacto "mais chocante e mais bem-documentado" será na diversidade biológica do planeta.

Outra inter-relação que vai ganhar mais destaque a partir dos novos dados é aquela entre as mudanças projetadas e questões de segurança.

Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, alertou em comunicado para o perigo de que as mudanças climáticas disparem conflitos por água.

"Os impactos projetados nos mostram que precisamos lançar urgentemente um acordo para ações internacionais futuras e para a criação de fundos para ações de adaptação."

Conselho de Segurança

A seriedade do problema foi corroborada ontem pelo anúncio de que o Conselho de Segurança da ONU debaterá pela primeira vez, no próximo dia 17, a mudança climática como ameaça à paz e à segurança.

"De acordo com algumas estimativas, as mudanças ambientais já deslocaram quase tantas pessoas quanto o número de refugiados tradicionais", diz De Boer em seu texto.

"À medida que os impactos do clima forem mais drásticos, o número de desabrigados deve crescer consideravelmente, chegando possivelmente a 50 milhões de pessoas em 2010."
A falta de água e comida como fator de migração também é considerada por Confalonieri.

"O IPCC projeta, para a primeira metade deste século, uma redução na produção de alimentos nos trópicos, pela diminuição das chuvas", explica.

03 abril 2007

Aquecimento pode secar a Amazônia, alertam cientistas

Floresta pode se transformar em imenso cerrado e perder sua biodiversidade. Painel do Clima, da ONU, foi aberto nesta segunda com previsões para todo o mundo.

Do G1, com informações do Jornal Nacional

A Floresta Amazônica pode ter toda a sua biodiversidade transformada em um imenso cerrado, alertam cientistas reunidos em Bruxelas, na Bélgica, para a abertura do Painel do Clima, da ONU, nesta segunda-feira (02). É um cenário de extinção como o planeta nunca viu antes.

Na Cordilheira dos Andes, geleiras podem desaparecer em apenas 15 anos. No Himalaia, na Ásia, o derretimento pode causar falta de água na região mais populosa do mundo.

Em um primeiro momento, o aquecimento global deve causar aumento na produção agrícola das áreas afastadas do Equador, como Estados Unidos, Rússia e Canadá. Na América do Sul, no entanto, a produção deve cair. Na África, praticamente parar. Como em outras tragédias, os pobres serão mais afetados do que os ricos.

Durante o evento, o comissário europeu deu um "puxão de orelha" nos Estados Unidos, já que o responsável por 1/4 da poluição global se recusa assinar acordos de cortes de emissões.

Deserto expulsará 65 milhões da África

Processo de desertificação levará refugiados ao Ocidente, diz ministro. Conferência de três dias apresenta previsão para o ano 2025.

Da France Presse

A desertificação na África obrigará 65 milhões de africanos a buscar refúgio no Ocidente até 2025, afirmou o ministro argelino do Desenvolvimento, Sherif Rahmani, durante uma conferência sobre o tema em Argel.

"Até 2025, 65 milhões de refugiados africanos baterão às portas do Ocidente, empurrados pela desertificação", declarou Rahmani.

Segundo o ministro argelino, em 2025, quase dois bilhões de pessoas no planeta viverão nos desertos, 750 milhões delas na África, contra um bilhão atualmente.

Este encontro de três dias, que começou na segunda-feira (2), é organizado pela Assembléia Nacional Argelina, em cooperação com o Parlamento Pan-Africano, e tem a participação de 20 países africanos, deputados europeus e especialistas internacionais.

Justiça exige que Bush regule gases-estufa

Suprema Corte americana diz que agência ambiental deve regular emissões. Sentença obriga governo a agir para controlar gases causadores do efeito estufa.

Linda Greenhouse
Do "New York Times"

Em uma de suas decisões ambientais mais importante em anos, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta segunda-feira (2) que a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla inglesa) tem a autoridade para regular as emissões de gases-estufa por automóveis. A corte decidiu também que a agência não pode dispensar sua autoridade para controlar gases-estufa que contribuem para a mudança climática, a não ser que forneça argumentos científicos para a recusa.

A decisão, por 5 votos a 4, é um forte abalo para a política do presidente George W. Bush, que argumentava que não tinha o direito de regular emissões de gás carbônico e outras substâncias agravadoras do efeito estufa pela Clean Air Act (algo como "Lei do Ar Limpo") e, mesmo que tivesse, não usufruiria dessa autoridade. A decisão não força a agência ambiental a regular emissões de automóveis, mas a levaria quase com certeza a EPA a ser processada caso não o fizesse.

A única maneira de a agência "evitar tomar providências" agora era "se ela determinasse que os gases-estufa não contribuem para a mudança climática" ou fornecesse uma boa explicação de por que não iria investigar se eles contribuem ou não, disse John Paul Stevens, da Suprema Corte.

Além do contexto específico desse caso -- que diz respeito às emissões vindas de carros e caminhões, que respondem por um quarto de todas as emissões do país -- a decisão provavelmente terá um impacto maior no debate sobre os esforços governamentais para responder ao aquecimento global.

Casos na Justiça em todo o país têm sido adiados até que a decisão da Suprema Corte saísse. Entre eles está um questionamento da recusa da agência ambiental de regular emissões de dióxido de carbono de usinas, que agora pende na instância federal de apelações. Estados individuais, liderados pela Califórnia, já estão de mobilizando agressivamente para combater o aquecimento, no que eles viram como um vácuo regulatório.

Brasileiro é o mais preocupado com clima

Pesquisa revela que dois terços da população mundial têm consciência do problema. Os menos preocupados são exatamente os que mais poluem: os americanos.

Da Reuters

Os brasileiros são o povo mais preocupado com as conseqüências do aquecimento global, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (03). O levantamento revelou que mais de dois terços da população mundial têm consciência do problema, e que os norte-americanos são os que menos pensam no assunto, apesar de seu país ser o maior emissor de gases do efeito estufa.

A pesquisa, que ouviu mais de 14 mil pessoas em 21 países e que foi encomendada pelo canal de TV BBC World, mostrou que a maior parte dos entrevistados acreditava que os EUA tinham uma parcela de culpa maior pelo problema do que outras nações.

"Mais de dois terços (68%) do mundo estão preocupados com as mudanças climáticas. Os sul-africanos (82%) e os brasileiros (87%) são os mais preocupados", afirmou um comunicado com os principais dados da pesquisa. Na outra ponta do espectro de ansiedade estão os norte-americanos (dos quais 57%preocupam-se com a questão) e os indianos (59%).

Quase todos os cientistas afirmam que as temperaturas da Terra estão se elevando devido a um acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera, gases esses gerados na queima de combustíveis fósseis. O aquecimento pode provocar mais enchentes, secas e ondas de calor além de elevar o nível dos oceanos.

Segundo a pesquisa, realizada pelo grupo Synovate, dois terços de todos os entrevistados acreditavam que os EUA tinham mais culpa pelo problema. "No entanto, quase quatro de cada cinco norte-americanos pensam que nenhum país específico é o culpado", disse.

Os EUA são o maior emissor individual de gases do efeito estufa, respondendo por quase um quarto do total, e ficando à frente da China, da Rússia e da Índia. Em termos per capita, os norte-americanos são responsáveis por 20 toneladas de gases do efeito estufa por ano, contra uma média global menor do que 4 toneladas.

Ainda assim, a pesquisa descobriu que 22% dos cidadãos norte-americanos compraram ou planejavam comprar um carro menor -- a média mundial nesse quesito é de 20%. Em 2001, o presidente dos EUA, George W. Bush, retirou seu país do Protocolo de Kyoto, o maior tratado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o combate ao aquecimento da Terra.

Segundo Bush, o acordo faria diminuir a oferta de empregos nos EUA e errava ao eximir os países em desenvolvimento das metas compulsórias de emissão. O governo dele preferiu investir em tecnologias alternativas e nos biocombustíveis.

Mortes com tsunami chegam a 28, e hospital atingido é fechado

Número de desabrigados ultrapassa 2 mil. Austrália doa mais de R$ 3 milhões para as Ilhas Salomão.

Do G1, com agências

O tsunami e o terremoto de quase 8 graus pela escala Richter que atingiram as Ilhas Salomão, segunda-feira (2), matou 28 pessoas, segundo a última informação veiculada pelo governo local. Além das mortes, há mais de 2 mil pessoas desabrigadas.

O hospital de Gizo, principal cidade atingida, teve que fechar as portas, segundo contou Allan Ralphlekalalu , moradora da ilha ao jornal do país "Solomon Star".

Segundo a médica Nola Pikacha, também em relato ao próprio jornal das Ilhas Salomão, a onda chegou ao hospital e destruiu todos os equipamentos e instalações. Ela contou que conseguiram evacuar os pacientes, que estão em instalações provisórias em regiões mais altas de Gizo. O risco de proliferação de doenças, ainda segundo a médico, é grande.

A Austrália comunicou que doará 2 milhões de dólares australianos (mais de R$ 3 milhões) para ajudar as vítimas do tsunami.

O "pior dia" das Ilhas Salomão

A catástrofe foi considerada como “o pior dia da história do país”. A declaração foi feita pelo jornalista Robert L. Iroga, no diário “Solomon Star”, publicada nesta terça-feira (3).

“Algumas províncias experimentaram o pior desastre natural da história do país”, escreveu o repórter. Segundo ele, as ondas chegaram a 12 pés (pouco menos de 4 metros) de altura e invadiram 500 metros da ilha de Gizo.

“Foi o dia mais triste de nossa história”, comentou Iroga. “E a polícia acredita que tenha muito mais mortes, já que a onda e o terremoto atingiram duas vilas inteiras”.

O chefe da polícia local, Peter Marshall, disse que “estamos fazendo mais que o possível”. “Testemunhas de Gizo contaram que o local ficou em ruínas. Uma das mais belas cidades está um caos”.

O que posso ver são corpos e canoas pelas ruas”, contou uma testemunha ao jornalista.

O tsunami deixou ainda pelo menos 2 mil desabrigados, informou nesta terça-feira (3) a Cruz Vermelha em comunicado divulgado pelo Governo. A polícia local afirma que 13 aldeias foram completamente destruídas. Há ainda relatos de vítimas também na Papua Nova Guiné.

Crise humanitária

As primeiras equipes de resgate já chegaram às províncias mais atingidas, a Ocidental e a de Choiseul. O primeiro-ministro, Manasseh Sogavare, disse que patrulhas aéreas relataram uma destruição "enorme e disseminada" por causa do tremor de magnitude 8, ocorrido na segunda-feira (horário local), e do posterior tsunami.

Fotos aéreas mostram casas destruídas e telhados metálicos retorcidos no chão ao longo da área litorânea atingida, enquanto a população vaga aparentemente sem rumo em estradas tomadas por destroços e por barcos que ficaram encalhados depois de serem atirados à terra por ondas de até dez metros.

A prioridade das equipes, segundo Sogavare, é restaurar as comunicações com as áreas afetadas. As autoridades estimam haver 22 mortos e 5.409 desabrigados, mas o saldo de vítimas fatais pode subir. O premiê pediu ajuda da Austrália e da Nova Zelândia, especialmente um hospital móvel.

A ONG australiana Caritas alertou para o risco de doenças entre as vítimas, pois há escassez de antibióticos. A principal movimentação dos médicos ocorre em um morro perto de Gizo, a cidade mais atingida.

"Muitas caixas d'água foram danificadas, e também temos um problema com o fornecimento de alimentos. As hortas foram inundadas, então há um problema com alimentos frescos", disse Liz Stone, porta-voz da Caritas, a uma rádio da Austrália.

Já foram registrados mais de 27 tremores secundários, o maior deles de magnitude 6,2. Cientistas alertam que pode haver mais tsunamis.

Um barco da polícia conseguiu chegar a Gizo levando comida e outros itens de emergência. Escolas e hospitais estão danificados na cidade, e dezenas de casas foram tragadas pelo mar. Pelo menos 13 aldeias podem estar devastadas. A área é muito frequentada por turistas internacionais e mergulhadores, pois é rica em corais. O governo neo-zelandês anunciou que um cidadão seu, morador da área, morreu.

Um comerciante da cidade disse que os operários tentam limpar as estradas e o aeroporto locais para permitir a chegada de vôos militares com barracas, remédios e comida.

"Basicamente são casas uma em cima da outra, telhados de ferro. Ainda está bem bagunçado", afirmou Danny Kennedy, que tem uma loja de mergulho. "Uma aldeia em Simbo foi completamente apagada. A vila inteira se foi, e não temos idéia de onde estão as pessoas."

Segundo Kennedy, os moradores estão traumatizados demais para vasculharem as casas a fim de descobrir vítimas soterradas.

Muitas casas da cidade, de 20 mil habitantes, eram de madeira e bambu, o que as tornava mais frágeis.

A maioria da população das Ilhas Salomão vive da agricultura de subsistência - menos de um quarto da população recebe salários.

02 abril 2007

Ameaça ambiental do etanol é "mito", diz Lula ao Washington Post

Em artigo assinado nesta sexta-feira no diário Washington Post, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a parceria Brasil-Estados Unidos para produção de etanol, e diz que o dilema entre biocombustíveis e preservação ambiental é um "mito".

"É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental", afirma Lula.

O artigo é publicado um dia antes da visita que Lula fará ao seu colega americano, George W. Bush, em Camp David, e um dia depois de o líder cubano Fidel Castro ter criticado a iniciativa no jornal oficial do Partido Comunista cubano, Granma.

Lula disse que a parceria "é uma receita para aumentar a renda, criando empregos e reduzindo a pobreza entre os vários países em desenvolvimento onde colheitas de biomassa são abundantes".

"Essas fontes alternativas (de energia) ajudam a reduzir a dependência global em relativamente poucos países fornecedores."

Aludindo à intenção dos dois presidentes de anunciar investimentos para produção de etanol no Haiti, Lula acrescentou que "o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos permite a diversificação da produção de biocombustíveis através de alianças triangulares em países terceiros".

O presidente brasileiro aproveitou o espaço para criticar os subsídios agrícolas americanos: "o etanol, e depois, o biodiesel só se tornarão commodities globais se o comércio de biocombustíveis não for obstruído por políticas protecionistas", escreveu.

'Mito'

Lula rejeitou a tese de que a produção de cana-de-açúcar para uso em biocombustíveis ameaça as florestas tropicais, afirmando que se trata de um "mito".

"O solo amazônico é altamente inapropriado para o plantio da cana-de-açúcar. Além do mais, no contexto do compromisso inabalável do Brasil com a proteção ambiental, o desflorestamento caiu 52% nos últimos anos", justificou.

No artigo, o presidente brasileiro rejeita ainda a acusação - feita por críticos como os presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e cubano, Fidel Castro - de que as plantações de cana-de-açúcar para fabricação de etanol impedirão a criação de alimentos que poderiam ser utilizados no combate à fome.

"Menos de um quinto dos 340 milhões de terras aráveis do Brasil é utilizado para colheitas. Apenas 1%, ou 3 milhões de hectares, é usado para cana-de-açúcar para etanol", escreveu Lula.

"Em contraste, 200 milhões de hectares são pastagens, onde a produção de cana está começando a se expandir. O desafio real de prover segurança alimentar está em superar a pobreza dos que regularmente têm fome."

Mas o presidente brasileiro disse que as condições de trabalho dos plantadores de cana, normalmente bóias-frias, precisam ser melhoradas no Brasil.

"A agricultura provê não apenas alimento, mas uma maneira de vida para milhões de pequenos produtores em todo o mundo."

"A disseminação da cana-de-açúcar, soja e outras colheitas de oleaginosas para uso em biocombustíveis vai assegurar que as famílias em necessidade tenha os meios financeiros para se sustentar."

Na quinta-feira, a produção de etanol foi criticada pelo presidente cubano, Fidel Castro, em artigo no jornal oficial cubano. Nele, Fidel afirma que 3 milhões de pessoas serão "condenadas à morte prematura por fome e sede no mundo". (UOL)

Pesquisa diz que Cauamé está ameaçado

Shirleide Vasconcelos - Folha de Boa Vista

Uma pesquisa realizada pela UFRR (Universidade Federal de Roraima) comprovou que a qualidade da água em Boa Vista é preocupante. O professor titular do Departamento de Biologia, Marcos Vital, um dos responsáveis pela pesquisa, disse que o rio Cauamé, um dos afluentes do rio Branco, está ameaçado de ficar impróprio para banho.

Ele afirmou que na escala entre um e quatro, o rio atingiu o número dois quanto à qualidade da água. E alertou que, se a degradação continuar, a opção de lazer da população boa-vistense nos finais de semana poderá acabar.

Conforme explicou, na denominação científica, quanto maior a classificação, pior a qualidade da água avaliada. No momento, o trecho do rio Cauamé na ponte está próprio para banho. O mesmo acontece no balneário Curupira, acima do Cauamé, também afluente do Branco.

Segundo a pesquisa que avaliou a qualidade da água, desde a formação do rio Branco até o Água Boa, a água é do tipo um quando o rio inicia. Ao chegar na captação da Caer (Companhia de Águas e Esgotos de Roraima), no bairro São Pedro, a água do rio Branco já perde qualidade, passando para classe dois.

Quando essa mesma água chega no Beiral e Caxangá a classe é quatro, ou seja, imprópria para banho. No Beiral, depois da denúncia feita pela Folha no início do mês, a Caer constatou que três ligações clandestinas na rede pluvial de esgoto são responsáveis por lançar dejetos no rio Branco.

O professor alertou que as piores águas de Boa Vista estão na foz do igarapé Mirandinha, Caxangá e Igarapé Grande junto à lagoa de estabilização.

De acordo com o pesquisador, a saída para evitar o aumento da poluição nos rios e igarapés seria a canalização de esgotos, mais saneamento e educação ambiental. Segundo ele, o que mais faz acabar com os rios é o lançamento de esgoto.

Secretária diz que ações de educação e limpeza estão sendo feitas nos rios

No domingo, programa Boa Vista Limpa levará equipes para igarapé Caranã

A Secretaria Municipal de Gestão Ambiental realiza o trabalho de limpeza e reflorestamento no rio Cauamé, segundo informou a secretária Luciana Surita. Disse também que o órgão tem investido em educação ambiental para evitar que as pessoas continuem sujando os rios e igarapés.

Na avaliação dela, para evitar a poluição nos rios e igarapés, é necessário impedir a invasão na área de preservação permanente e também evitar que o rio seja contaminado com esgoto.

Luciana afirmou que o maior problema do rio Cauamé são a ocupação das margens e o esgoto clandestino. Disse que nos últimos dois anos a secretaria conseguiu atingir duas mil pessoas com educação ambiental, mas é preciso maior envolvimento da sociedade nesse trabalho.

Ela acredita que se as pessoas não tiverem consciência da responsabilidade com o meio ambiente e continuarem jogando lixo, “o rio poderá morrer”. Destacou que, além da educação ambiental, o Município tem feito limpezas periódicas nos rios e igarapés. No próximo domingo, as equipes do programa Boa Vista Limpa estarão no igarapé Caranã.

No Cauamé, quando são feitas limpezas periódicas, são tiradas até duas toneladas de lixo. Os resíduos mais comuns são plásticos, mas já foram encontrados pneus, fogões e até geladeiras.

Dentro desse trabalho ambiental, a Prefeitura de Boa Vista atua com o projeto de recuperação do igaparé Caranã em convênio com o Ministério do Meio Ambiente. (S.V.)


Móveis politicamente corretos

A Fundação OndAzul comemora este ano a marca de 1,5 milhão de garrafas plásticas recicladas desde 2000, quando foi criado o projeto Recult Vigário Geral. Recolhidos dentro da comunidade do Parque Proletário de Vigário Geral, no subúrbio do Rio, os recipientes foram usados na produção de sete mil pufes e poltronas, que são vendidos por até R$ 120. A comercialização dos móveis reciclados gerou receita de R$ 180 mil no período, valor totalmente revertido para a cooperativa de moradores responsável pela transformação das garrafas plásticas em artigos de decoração " Hoje, a produção mensal é de 150 unidades. Até o fim do ano, no entanto, este número deve dobrar " diz Carlos Henrique Alves, diretor da área de Relações Institucionais da ONG. (Ecopress com informaçõs do jornal O Globo)

Cana já ocupa 14,4% da matriz energética

A cana-de-açúcar foi o principal destaque do Balanço Energético Nacional (BEN), divulgado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo o balanço, a produção de etanol no ano passado, que atingiu a 17,8 bilhões de litros (crescimento de 10,8% na comparação com 2005) teve impacto direto na oferta de energia no país. Considerando todas as formas de energia (renovável e não renovável), os produtos de cana-de-açúcar quase se equipararam ao volume de energia hidráulica na matriz energética. Enquanto os derivados da cana-de-açúcar (álcool e bagaço) tiveram, juntos, crescimento de 9,7%, atingindo 33,1 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), a energia hidráulica cresceu 3,7%, atingindo a 33,6 milhões de tep. Isso significa que os produtos da cana ocupam hoje fatia de 14,4% da matriz energética ante 14,6% da energia hidráulica. Por essa fórmula de calcular matriz energética, os derivados de petróleo lideram o bolo, com 38,8% (o mesmo que em 2005). Lenha e carvão vegetal têm participação de 12,4%, ante 13% no ano anterior e gás natural , 9,5%, mesmo porcentual de 2005. (Ecopress com informações da Gazeta Mercantil)

Congresso quer aprovar recompensa para estados por áreas protegidas

A Frente Parlamentar para a Amazônia pressiona pela votação de projeto que prevê recompensa financeira da União para os Estados que preservarem suas unidades de conservação ou que tenham em seus territórios reservas indígenas demarcadas. O projeto foi apresentado pela primeira vez em 2002, pela atual ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Reapresentado na câmara nessa segunda-feira, determina a redistribuição de 2% do Fundo de Participação dos Estados (FPE) para aqueles que lograrem proteger essas áreas.

A idéia, segundo a deputada Perpétua Almeida (PC do B - AC) que tenta recolocar o projeto na pauta de votação do congresso, é criar um mecanismo prático e monetário para os estados que não podem dispor livremente de seu território para atividades econômicas tradicionais.

"Assim se atenderia a demanda de estados como Roraima, por exemplo, com grandes áreas de floresta e reservas indígenas, que reclamam ser praticamente um "estado santuário" do qual não se pode tirar nenhum benefício econômico pela falta de território hábil. Seria uma maneira de estimular a preservação dessas áreas com um retorno econômico", explica a deputada.

O FPE atualmente é distribuído entre os 27 estados da federação segundo as características de sua população, sociedade e economia. A frente de parlamentares para a Amazônia reclama que entre esses critérios de distribuição não há uma variável ambiental mesmo em um momento em que a preservação ganha peso na câmara, com as novas discussões sobre mudanças climáticas nas respectivas comissões. (Ecopress com informações da Amazônia.org.br)

Banco Mundial lança fundo para reduzir emissões de CO2

Por Fernanda Müller, do CarbonoBrasil

As comunidades mais pobres dos países em desenvolvimento serão as grandes beneficiadas com o anúncio, na semana passada, da segunda fase do BioCarbon Fund, do Banco Mundial.

O governo da Irlanda e Espanha, a Syngenta Foundation for Sustainable Agriculture, e a companhia ZeroEmissions Carbon Trust se uniram com o Banco Mundial na semana passada para discutir o plano de negócios da segunda fase, possível devido ao alcance do número mínimo de contribuições, ou seja US$ 10 milhões.

O fundo é uma parceria público/privada que fornece financiamentos para a redução das emissões de gases do efeito estufa, criado com o objetivo de abrir o mercado de carbono para atividades florestais e agrícolas.

O enorme interesse dos países em desenvolvimento para restaurar ecossistemas e produzir serviços ambientais globais, principalmente a mitigação das mudanças climáticas fez o banco mundial ver o fundo como uma oportunidade para a mobilização de recursos adicionais para aproximadamente 10 a 20 projetos.

A segunda fase apoiará projetos de restauração de ecossistemas que seqüestram, ou conservam, carbono nas florestas e em agro-ecossistemas, com uma forte ênfase na redução da pobreza e desenvolvimento sócio-econômico (melhoria no modo de vida rural) em países em desenvolvimento, assim como em países com economia em transição. Os projetos serão desenvolvidos de maneira que as comunidades locais se beneficiem direta ou indiretamente.

Esta fase tem duas janelas. A primeira foca em certificados de projetos que são elegíveis sob o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL-florestamento e reflorestamento) ou sob a Implementação Conjunta (JI – projetos do tipo LULUCF) do Protocolo de Kyoto. A segunda janela irá canalizar recursos para atividades como restauração e conservação de florestas, re-vegetação e manejo agrícola em países em desenvolvimento.

O BioCarbon Fund está começando a cumprir sua promessa de associar benefícios sociais e econômicos com uso do solo, mudança de uso do solo, e florestamento (LULUCF) em muitas comunidades rurais ao redor do mundo, assim como benefícios climáticos globais e créditos de redução das emissões aos seus participantes.

Mudança do uso do solo, em particular o desmatamento, é responsável por cerca de 20% das emissões anuais de gases do efeito estufa, então é a pura lógica que a mitigação sustentável das mudanças climáticas inclua atividades de melhoria do manejo florestal e da terra.

Este segmento do mercado de carbono ainda é pouco desenvolvido, com uma fatia de apenas 1% do mercado, devido principalmente às regras que foram determinadas para a negociação de créditos florestais e agrícolas no MDL, e à exclusão de tais créditos na primeira fase do esquema de comércio de emissões da União Européia.