04 janeiro 2007

COMUNIDADES RARAS DE PANDAS SÃO VISTAS NO NORTE DA CHINA

Grupos de 10 a 20 animais vivem juntos em cavernas. São sete as comunidades achadas, nas montanhas Qinling.

EFE

Cientistas chineses acabaram de descobrir comunidades de entre 10 e 20 ursos panda, animais solitários que só se encontram com outros na época do acasalamento, vivendo juntos em cavernas nas montanhas, informou neste domingo (31/12) a imprensa oficial.

A descoberta de sete comunidades de pandas nas montanhas Qinling, na província de Shaanxi (norte), pode mudar as idéias estabelecidas sobre este animal, que é símbolo da nação chinesa e corre risco de extinção.

Os grupos descobertos quase não se relacionam entre si, salvo quando se encontram por acaso na floresta enquanto procuram comida.

Também é surpreendente o fato de as "famílias", para evitar a endogamia, expulsarem as fêmeas da comunidade quando elas completam dois anos e conservarem os filhotes machos, que, no futuro, "aceitarão" na comunidade ursas expulsas de outras cavernas.

As comunidades de pandas sabem reconhecer se um indivíduo pertence a sua "família" ou não pelo cheiro de seus excrementos, disse Yong Yange, diretor do instituto de pesquisa da reserva natural de Foping, onde vivem os animais.

Outro tipo de interação social destes pandas, muito raro na espécie, são as brigas entre ursos jovens da mesma comunidade por uma fêmea estrangeira ou o fato de as mães, às vezes, cederem sua casa a ursas "visitantes".

As tocas dos pandas nestes "povoados" costumam ter duas cavidades por cada família - uma serve como dormitório - e estar voltadas para o sul, o lado mais ensolarado (exatamente como as casas humanas tradicionais na China).

Os pesquisadores continuam investigando os grupos de pandas para analisar que soluções estes animais procuram quando há um número excessivo de fêmeas e como constroem suas tocas.

Yong acredita que, sabendo o suficiente sobre os costumes desta subespécie de pandas, será possível ajudar os animais a construírem novas "casas" e "povoados" que sirvam para aumentar sua reprodução.

Atualmente, existem cerca de 1.600 ursos pandas em liberdade, dos quais 300 pertencem à subespécie de Qinling. Os demais vivem mais ao sul, nas florestas de bambu de Sichuan (sudoeste da China).

Os problemas de reprodução deste animal, causados pela endogamia, pela destruição das florestas em que os espécimes vivem e pela caça ilegal, condenaram o panda ao lento desaparecimento, embora os cientistas chineses estudem formas de evitar que isso aconteça.

MEGABLOCO DE GELO SE DESPRENDEU NO ÁRTICO, DIZ CIENTISTA

Massa com 66 quilômetros quadrados saiu da ilha de Ellesmere. Para geógrafo, fato é mais um sintoma do aquecimento global.

AFP

Um grande bloco de gelo se desprendeu violentamente da ilha de Ellesmere, no Ártico canadense, indicaram na sexta-feira 29/12 cientistas do Canadá, que vêem neste fenômeno um outro sintoma de aquecimento do planeta.

Uma massa de gelo de 66 km² de superfície se desprendeu da ilha de Ellesmere, enorme faixa de terra vizinha da Groenlândia.

O fenômeno, que ocorreu em agosto de 2005, emitiu tanta energia que foi detectado por aparelhos sismológicos canadenses situados a 250 quilômetros de distância. Mas ninguém pôde identificar então o que havia realmente acontecido.

O geógrafo Luke Copland, da Universidade de Ottawa, reconstruiu a cadeia de acontecimentos combinando os dados sísmicos e imagens de satélites fornecidas pelo Canadá e pelos Estados Unidos.

"Trata-se da maior perda em 25 anos", declarou Copland nesta sexta-feira, precisando que o bloco de gelo reduziu-se em 90% desde seu descobrimento em 1906.

"Isso ocorreu de maneira súbita, em uma hora. No passado, observávamos perdas progressivas de cobertura gelada, dia a dia, mas hoje parece que, quando se chega a certo ponto, uma plataforma de gelo pode se separar de uma única vez", afirmou.

RINOCERONTES DESAPARECEM DE RESERVA NATURAL NO NEPAL

Cerca de 50 animais sumiram misteriosamente de parque. Restam apenas 2.500 indivíduos da espécie na natureza.

G1

Dezenas de rinocerontes de um chifre (Rhinoceros unicornis), uma espécie ameaçada, desapareceram misteriosamente de uma reserva natural do sudoeste do Nepal nos últimos dois anos, afirmou uma autoridade da área na quarta-feira.

Um total de 72 rinocerontes do tipo, conhecidos também como rinocerontes indianos, foram colocados no vale Babai, cerca de 320 quilômetros a sudoeste de Katmandu, como parte de esforços de conservação iniciados em 1984.

"Temos registros mostrando que 23 rinocerontes morreram nas mãos de caçadores ou devido a outros motivos. O restante está desaparecido", afirmou Laxmi Prasad Manandhar, uma autoridade do Departamento de Parques Nacionais e de Conservação da Vida Selvagem.

Manandhar descartou a possibilidade de todos os 49 rinocerontes desaparecidos terem sido mortos por caçadores.

"Se caçadores fossem os responsáveis, eles teriam deixado os corpos dos animais para trás, após tirarem o chifre deles", disse, acrescentando que apenas um esqueleto de rinoceronte foi encontrado em uma grande operação de busca realizada em junho.

"Para onde eles foram? Não sei. Esse é um mistério", disse a autoridade.

Os rinocerontes foram levados até o vale Babai vindos do Parque Nacional Chitwan, nas planícies do sul do Nepal. A operação contou com o apoio do grupo internacional WWF.

Em dezembro, depois de meios de comunicação terem relatado a morte de ao menos dez animais desde julho, a Suprema Corte do Nepal mandou que o governo melhorasse a proteção de Chitwan, a maior reserva de rinocerontes do país.

Segundo autoridades, ao menos 12 rinocerontes morreram nos últimos seis meses em Chitwan, cuja população desses animais caiu de um total de 544 em 2000 para 372 em 2005.

Essa queda deveu-se principalmente à ação de caçadores interessados no chifre deles. Os chifres teriam qualidades afrodisíacas e seriam muito procurados na China. Menos de 2.500 animais ainda existem na natureza.

PÁSSARO RARO É ENCONTRADO EM NOVAS ÁREAS DA MATA ATLÂNTICA

Espécie foi identificada na Bahia e Sergipe. Biólogos querem proteger olho-de-fogo rendado.

Do Bom Dia Brasil

A Mata Atlântica é a segunda maior floresta tropical do Brasil. Antes da colonização, há mais de 500 anos, ocupava uma área de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, que ia do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Hoje restam apenas 5% de sua extensão original. Apesar da devastação, algumas espécies de animais sobrevivem e surpreendem biólogos, segundo reportagem do Bom Dia Brasil.

As áreas foram invadidas pelas cidades, pastagens e agricultura. Por causa da destruição, cerca de 200 espécies de animais estão ameaçadas. O macaco guigó é uma delas. Atualmente só é possível encontrá-lo em algumas áreas do Litoral do Sergipe.

Outras espécies, como o pássaro olho-de-fogo rendado lutam pela sobrevivência nas áreas remanescentes. Em 500 hectares de Mata Atlântica em Sergipe, há árvores centenárias, como o visgueiro, com mais de 20 metros de altura. Onde o homem ainda não tocou, a natureza se mostra exuberante.

O olho-de-fogo rendado foi identificado pela primeira vez há mais de 150 anos no Interior da Bahia. A cor preta e o olho vermelho lhe dão imponência. Nas costas, há uma mancha branca que o torna único.

Novas áreas de ocorrência da espécie vêm sendo encontradas no Litoral Norte da Bahia e em Sergipe. Mas o pássaro é exigente e só habita áreas de Mata Atlântica conservadas. Com a ajuda de imagens de satélite, biólogos mapearam e identificaram 25 grandes blocos de fragmentos florestais, onde o olho-de-fogo rendado vive. “Nosso intuito é trabalhar para que os ambientes continuem preservados e que ocorra uma proteção maior”, diz o biólogo Marcelo Cardoso.

Prefeito proíbe enchentes


Uma lei inusitada provoca polêmica no interior de São Paulo. O prefeito de aparecida proibiu a ocorrência de enchentes na cidade.

Jornal Hoje

Quem mora no bairro Ponte Alta, em Aparecida, precisa saber observar o rio e se preparar para os alagamentos. As marcas da água estão nos muros.

O prefeito resolveu abordar esse problema em tom de brincadeira. Enviou à Câmara um projeto de lei que proíbe na cidade as enchentes provocadas por tempestades ou por cheias do Rio Paraíba. “Cobraram de mim se eu tinha algum projeto de lei para combater as enchentes. Eu não tenho projeto de lei e para evitar prevaricação, então enviei o projeto”, disse José Luiz Rodrigues, prefeito de Aparecida.

O projeto será analisado pelas comissões da Câmara e deverá ser votado em 90 dias. “Nós vemos isso como uma atitude negativa para o município”, afirmou Ernaldo Marcondes, vereador.

Esta não é a primeira vez que o prefeito de Aparecida causa polêmica. No ano passado, ele criou o selo-turismo, um pedágio para os ônibus de romeiros entrarem na cidade. A lei está suspensa por determinação do Tribunal de Justiça.

Em 2005, José Louquinho baixou um decreto para obrigar os padres a usar batina nas ruas, mas acabou desistindo da idéia. Em 2003, quis proibir o uso de minissaia durante a Quaresma. O projeto de lei nem chegou a ser apresentado na Câmara.

Os moradores já se acostumaram com as loucuras do prefeito. “Todo ano ele arruma uma coisa diferente. O nome já fala: José Louquinho”, disse uma moradora. Mas quem mora nas áreas de risco, não está achando graça. “Ele é Deus, né?”, ironizou outra.

RIO DOS SINOS TEM NOVA MORTANDADE DE PEIXES

Técnicos vão verificar a quantidade de animais mortos. Em 2006, 100 toneladas de peixes foram retiradas do rio.

Do Jornal Hoje

Equipes da Fundação Estadual de Proteção Ambiental detectaram uma nova mortandade de peixes no Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. Técnicos vão para Novo Hamburgo, nesta quinta-feira (04/01), para checar a quantidade e as espécies mortas, segundo reportagem do Jornal Hoje.

Em outubro, cerca de 85 toneladas de peixes morreram no mesmo rio. Um empresário suspeito de despejar esgoto irregularmente teve a prisão preventiva decretada. Em dezembro, mais 15 toneladas de peixes mortos tiveram que ser retiradas do rio.

Trinta e duas cidades da região metropolitana de Porto Alegre são abastecidas pelo Sinos.

03 janeiro 2007

2007 é eleito por cientistas como o "Ano Polar Internacional"

da France Presse, em Montreal

Cientistas de 60 países tentarão, em 2007, entender melhor os pólos no primeiro, desde a década de 50, "Ano Polar Internacional" (API), marcado, desta vez, pelo fantasma da mudança climática.

Especialistas no Ártico e na Antártida poderão desfrutar do aumento em seus orçamentos nos próximos anos devido a um amplo programa que permitirá injetar quase US$ 440 milhões de dólares na pesquisa de temas polares.

Esta é a quarta vez que se celebra o API (1882-83, 1932-33, 1957-58), mas é a primeira que a data se inscreve no contexto da mudança climática.

"Aproximadamente 60% do que sabemos sobre as regiões polares, em particular sobre o Ártico, se deve ao esforço de pesquisa realizado em 1958. A diferença, hoje, é que a nova data se inscreve em um contexto de aquecimento climático", explicou à France Presse Louis Fortier, diretor científico da ArcticNet, rede canadense de pesquisas sobre o Ártico.

Com um aporte de US$ 129 milhões, o Canadá é o principal contribuinte do API, seguido dos países escandinavos e dos EUA, cuja contribuição é estimada em cerca de US$ 51 milhões.

"O objetivo do Canadá com este programa é convidar cientistas estrangeiros ao Ártico canadense. Possuímos mais de um terço do Ártico. E a porção ártica da Rússia é muito menos acessível", acrescentou Fortier.

Os especialistas no Ártico, região atualmente considerada o "barômetro" das mudanças climáticas, se limitavam no passado a observações biológicas, físicas ou geográficas, enquanto neste ano será considerado o impacto humano nas variações climáticas.

"Outra diferença é a inclusão explícita da dimensão humana na investigação", destacou David Hik, especialista do Ártico na Universidade de Alberta. "É difícil pesquisar como fazíamos há 50 anos. A ciência deve levar em conta as populações do Norte, incluí-las, de forma que possam se beneficiar da pesquisa durante o API", disse à France Presse.

Os "inuit" (aborígines do Ártico) também colaboraram. "Antes, os 'inuit' eram objeto de pesquisa, agora eles querem ser parceiros da pesquisa", destacou Fortier. Pouco mais de 150 mil "inuit" vivem distribuídos entre Alasca, Canadá, Groenlândia, Escandinávia e Rússia, territórios que cercam o Ártico. E organizações como a Conferência Circumpolar Inuit já confirmaram sua participação neste ano.

A maioria dos projetos de pesquisa deve ser aprovada pelos diferentes países antes de março, quando começarão as primeiras observações, realizadas durante dois anos. "Precisamos de dois anos para coletar informação. Quanto aos resultados, não estarão disponíveis antes de 2009-2010", explicou Kathleen Fischer, diretora do programa canadense para o API.

E os cientistas também esperam deixar um legado. "Uma das heranças será a formação de uma nova geração de especialistas em pólos em todo o mundo. No Canadá, isto implica estimular os jovens do norte a ingressarem neste campo de pesquisa", afirmou Hik.

Restos de animais de 280 milhões de anos são vendidos ilegalmente

CLAUDIO ANGELO
do Enviado Especial da Folha de S.Paulo a Itapetininga (SP)

Em meados de novembro, a alfândega francesa apreendeu no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, um carregamento de oito fósseis de mesossauro --um réptil marinho de 250 milhões de anos-- extraídos ilegalmente do Brasil. As peças estavam em um carregamento de bíblias e foram avaliadas em 100 mil (cerca de R$ 295 mil).

Os fósseis provavelmente saíram de uma pedreira na região de Itapetininga, no sudoeste paulista. Ali, trabalhadores rurais são contratados para passar o dia quebrando blocos de calcário em busca dos vestígios desses seres. O pagamento varia: alguns recebem menos de um salário mínimo por mês; outros ganham de R$ 30 a R$ 50 por "pedra" (fóssil) extraída.

Essa diferença de quase mil vezes nos ganhos nas duas pontas da cadeia é só um dos problemas do tráfico de fósseis. Num momento em que o Ministério Público e o DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral, órgão ligado ao Ministério das Minas e Energia) se unem para elaborar uma legislação mais rigorosa contra esse comércio, a extração clandestina e a exportação de restos de plantas e animais pré-históricos segue a toda no país.

O problema é mais conhecido na bacia do Araripe, no Ceará, uma das maiores e mais importantes jazidas fossilíferas do mundo. Mas também existe no Estado de São Paulo, onde, segundo a Folha verificou, algumas pedreiras deixam de comercializar o calcário --atividade para a qual obtiveram licença-- para "minerar" os fósseis que nele se encontram.

Numa pedreira visitada pela reportagem na região de Itapetininga, por exemplo, há duas áreas de extração recém-abertas com essa finalidade --das quais saem fósseis de planta, peixe e, principalmente, os "bichos" (mesossauros adultos) e as "lagartixas" (mesossauros filhotes, ainda mais raros).

Ambas as áreas foram abertas para exploração por Antônio Márcio Gusmão, que arrenda pedreiras para extrair fósseis pelo menos desde a década de 1980. Ele é irmão da artesã Urânia Gusmão Corradini, apontada pelo DNPM como chefe do esquema de tráfico de fósseis no Estado de São Paulo.

A artesã também tem ligações com a comunidade científica --tem até um inseto batizado com seu nome, o Cratogenites corradinae. Diz ter vendido material a pelo menos dois pesquisadores de renome mundial: Diógenes Campos, chefe do Museu de Ciências da Terra do DNPM, e Alexander Kellner, do Museu Nacional. Ambos negam a compra.

Ela responde a pelo menos dois processos na Justiça Federal. É acusada de se apropriar ilegalmente de bens da União (os fósseis, como tudo que está no subsolo, são patrimônio federal) e negocia com o Ministério Público Federal um termo de ajustamento de conduta, pelo qual receberia uma pena alternativa em troca da suspensão do comércio.

Corradini disse à Folha que está "parada" e há mais de seis meses não vende fósseis. Diz que não tem contato com o irmão "há quatro meses" e que nunca recebeu fósseis dele para mandar ao exterior.

Em uma pedreira arrendada por Gusmão e visitada pela reportagem, mais de uma dezena de fósseis de mesossauro se encontravam já separados, em blocos, prontos para o transporte. Ferramentas como marretas, pás e talhadeiras estavam espalhadas pela área, a indicar trabalho recente.

Famílias

A pedreira é a mesma de onde saíram duas lajes de calcário contendo "famílias" de mesossauros do gênero Stereosternum. No dizer dos trabalhadores das pedreiras, "famílias" são placas nas quais vários répteis morreram juntos. São peças raríssimas --no Brasil inteiro só são conhecidas essas duas--, e ambas foram vendidas por Corradini no passado.

Um dos trabalhadores contratados por Gusmão afirma ter extraído, em um mês de trabalho, "seis bichos e dez lagartixas". Em sua casa, ele mantém uma espécie de caderneta de poupança petrificada: três fósseis espetaculares de mesossauro, que está deixando "para vender depois". Um deles, diz, gostaria de trocar por uma antena parabólica. Valor: R$ 400.

Se vendesse seus fósseis na internet, provavelmente ganharia mais dinheiro. Fósseis de mesossauro da formação Irati, como se chama esse conjunto de rochas, podem ser achados à venda no eBay e em sites especializados em fósseis (esse comércio é legalizado em várias partes do mundo, como nos EUA) por valores que vão de US$ 300 (R$ 600) a US$ 2.000 (R$ 4.000).

Prejuízo

O tráfico de fósseis traz prejuízos à comunidade científica nacional, que muitas vezes precisa buscar espécimes raros da fauna pré-histórica brasileira para estudar em museus e coleções privadas no exterior. Ou, pior, pagar o mico de ver cientistas estrangeiros descrevendo com prioridade fósseis brasileiros aos quais os próprios brasileiros não tiveram acesso, porque não puderam pagar.

"Não sei se essa nova legislação será eficaz contra esse comércio. É um problema que existia, existe e continuará existindo", diz o paleontólogo Reinaldo José Bertini, da Unesp de Rio Claro.

Fósseis comuns como os mesossauros, no entanto, já não representam novidade nenhuma para a ciência. Mesmo assim, diz Bertini, seu comércio precisa seguir proibido. "Não é porque existem às pencas que devem sair do país. Isso é um acervo brasileiro, que nem todas as universidades têm."

Mudança climática pode explicar queda de Dinastia Tang e civilização maia

da France Presse, em Paris

Os declínios da dinastia Tang --uma das mais importantes da história da China-- e da civilização clássica maia (América Central) podem ter sido causados pelas mudanças nas monções da Ásia, segundo autores de um estudo que será publicado na edição de quinta-feira da revista "Nature".

Segundo os autores do estudo, que trabalharam sob a direção de Gerald Haug, do Centro de Pesquisas sobre a Terra "GeoforschungsZentrum", em Potsdam (Alemanha), a destruição dessas grandes culturas coincide com as modificações do ciclo climático ocorrido entre os anos 700 e 900 d.C..

A seca provocada pelas alterações no regime de chuvas --com quedas catastróficas de colheitas e empobrecimento quase geral-- poderia explicar as profundas tensões que levaram ao fim das sociedades.

Os cientistas chegaram a essa conclusão a partir da análise de sedimentos do lago Huguang Maar, no sudeste da China. Suas propriedades magnéticas e sua composição de titânio dão indícios sobre a força das monções no leste da Ásia. No inverno, estes ventos periódicos sopram em direção ao mar (monção seca) e no verão, em direção à terra (monção úmida).

Gerald Haug e seus colegas chineses e americanos constataram que, durante os últimos 16 mil anos, houve três períodos em que a monção de inverno foi bastante forte e o clima consideravelmente seco na China --sobretudo na época do declínio da 13ª dinastia chinesa dos Tang, que reinou de 618 a 907. Ao fim de três séculos de grandeza, a dinastia, célebre por sua arte e sua atividade comercial com a Índia e com o Oriente Médio, terminou em revolta geral.

Para os pesquisadores, as variações no índice das chuvas tropicais poderiam ter sido globais e explicariam, também, o fim da era clássica maia (de 250 a 900) --no território hoje ocupado pelo México e pela Guatemala.

Conhecida por suas cidades-Estado, por sua escritura hieroglífica, suas artes decorativas, seu calendário solar de 365 dias e suas pirâmides, a civilização maia desapareceu bruscamente em plena Idade do Ouro.

Novo portal na internet informa sobre a biodiversidade brasileira

Visando oferecer informações e compartilhar conhecimentos, ele pode ser acessado pelo endereço www.mma.gov.br/portalbio .

Fonte: Assecom - Ministério do Meio Ambiente
Por Rafael Imolene

Brasília, DF - O Ministério do Meio Ambiente lançou oficialmente na quarta-feira (20/12/06) um novo portal na internet que contém informações completas sobre a biodiversidade no País. O Portal Brasileiro sobre Biodiversidade, ou simplesmente PortalBio, foi apresentado durante a 12ª Reunião Extraordinária da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), aberta pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na sede do Ibama em Brasília.

O portal tem como finalidade não só oferecer informações, mas também compartilhar conhecimentos. Como bem define o texto em sua página inicial, o PortalBio "é um mecanismo de incentivo à produção, à sistematização, à troca de informações e à transferência de tecnologias importantes para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade brasileira(...)".

Sua viabilização é resultado do intenso trabalho da Conabio, que se dedicou ao Portalbio por ser um ponto importante da estratégia do Brasil para a adoção do Clearing House Mechanism, um mecanismo que facilita o acesso à informação, previsto na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). "Eu queria cumprimentar o grupo da Conabio por chegar ao fim do ano trabalhando com a mesma intensidade e vontade que tinha no dia 1º de janeiro", disse Marina Silva na abertura da reunião. O portal pode ser acessado pelo endereço eletrônico: www.mma.gov.br/portalbio

Comissão Européia doa 6 milhões de euros para instalação do Distrito Florestal da BR-163

Fonte: Ministério do Meio Ambiente
por Rafael Imolene

A Comunidade Européia (CE) e o Ministério do Meio Ambiente firmaram em 21/12/06, em Brasília, o Ajuste Complementar de Cooperação ao Acordo Quadro de Cooperação entre a CE e o governo brasileiro. Os europeus doarão 6 milhões de euros, ou R$ 16,5 milhões, ao Projeto Manejo Florestal, Apoio à Produção Sustentável e Fortalecimento da Sociedade Civil na Amazônia Brasileira - BR-163.

Os recursos possibilitarão ao ministério implantar o Distrito Florestal da BR-163 na região paraense contemplada pelo projeto, regularizando, assim, a exploração sustentável da área e possibilitando a criação de 100 mil empregos diretos ao longo de quatro anos. O apoio financeiro da CE mostra o compromisso do bloco com as políticas do governo brasileiro em favor da conservação das florestas tropicais e do desenvolvimento humano de mais de 20 milhões de habitantes da Amazônia.

Com os recursos, acrescidos da contrapartida nacional, será possível fortalecer a sociedade civil regional, complementando os esforços já realizados pelo Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil.

UE adota quotas de CO2 para linhas aéreas

Fonte: Terra

A Comissão Européia adotou formalmente hoje a proposta de incluir a aviação em seu sistema de comércio de licenças de emissão de gases de efeito estufa, dando aos vôos internacionais que chegam ou saem do bloco um prazo de um ano para aderir ao regime. Os vôos internos na União Européia integrarão o esquema, que visa à redução da poluição global do ar, em 2011, e os aviões que chegam ou saem da UE devem fazer o mesmo no ano seguinte, informou a Comissão.

O regime de comércio de licenças de emissão da UE - o EU Emission Trade Scheme, ferramenta-chave na luta contra o aquecimento global na redução da emissão de poluentes conforme o Protocolo de Kyoto - põe um limite na quantidade de dióxido de carbono (CO2) que pode ser emitida por grandes poluidores como fábricas e refinarias de petróleo. Mas até então, a aviação internacional não havia sido incluída neste sistema, mas ela é considerada uma das principais fontes de poluição devido ao crescimento do tráfego aéreo.

As companhias compram direitos para poluir se ultrapassam suas metas, ou vendem esses direitos no caso de ficarem abaixo da emissão de gases.

Itália irá construir maior usina de queima de hidrogênio

por Paula Scheidt, CarbonoBrasil

A maior usina de queima de hidrogênio em escala industrial será construída na Itália, próximo a cidade histórica de Veneza. O anúncio foi feito pela companhia de energia italiana ENEL logo depois de 20 manifestantes do Greenpeace subirem a chaminé de uma usina de queima de petróleo em protesto aos planos de convertê-la para produção de carvão.

O projeto irá envolver investimentos na ordem de 40 milhões de euros para os próximos cinco anos e mais de quatro milhões de euros em suporte vindos da região de Veneto para pesquisa e desenvolvimento. Além dos sistemas de geração de energia a partir da combustão do hidrogênio, os fundos serão empregados na geração de biomassa e sistemas de armazenamento de hidrogênio.

O acordo com a administração da região fortalece o comprometimento da ENEL na área de hidrogênio, que começou nos arredores de Veneza com a fundação do Parque Hidrogênio em 2003.

No mesmo dia do anúncio, um grupo de 20 voluntários do Greenpeace escalaram uma chaminé de 250 metros de uma usina da ENEL em Porto Tolle, cerca de 50 quilômetros ao sul de Veneza. A organização não-governamental (ONG) Greenpeace protesta contra os planos da empresa de converter as duas maiores usinas de petróleo em carvão. A ONG afirma que a empresa é a maior emissora de dióxido de carbono (CO2) da Itália e a conversão das usinas aumentaria as emissões para além do limite estabelecido pelo Protocolo de Kyoto.

Hidrogênio – molécula do futuro

Na busca por novas tecnologias na área energética, o hidrogênio tem sido um dos mais populares. Grandes avanços já foram feitos nesta área, porém a questão fica agora com relação a obtenção da molécula do hidrogênio.

Apesar de ser a mais abundante entre as substâncias do planeta, o hidrogênio não é fácil de ser obtido. Alguns processos usados para este fim são o termoquímico com o uso de metano, gasolina, biomassa ou carvão; e a eletrólise. Somente esta opção é considerada limpa e sustentável. Através da eletrólise da água, as moléculas de oxigênio e hidrogênio são separadas, porém num processo de alto consumo energético. Somente quando usada uma fonte renovável para obter esta energia é que a produção de hidrogênio é considerada sustentável.

Nesta semana foi anunciado um sistema experimental que utiliza energia de turbinas eólicas para produzir e armazenar hidrogênio puro, no estado de Colorado, nos Estados Unidos. O hidrogênio gerado é armazenado para, mais tarde, ser usado em células combustíveis ou em motores de combustão.

Na Feira de Automóveis de Los Angeles, realizada no início de dezembro, a Ford apresentou uma versão movida a hidrogênio do Explore SUV, com capacidade de 174 cavalos de potência. O veículo possui um grande tanque de hidrogênio situado no centro do carro, no local normalmente ocupado pelo modelo de transmissão automática. Isto permite ao carro atingir uma velocidade de 218 quilômetros por hora, a maior alcançada até hoje para um modelo movido a célula de hidrogênio.

Mercedes-Benz pagará US$ 1,2 milhão por dano ambiental

Defeitos teriam permitido o escape de 500 toneladas de poluentes
EFE

WASHINGTON - A Mercedes Benz terá que pagar US$ 1,2 milhão por violar as normas ambientais dos Estados Unidos sobre emissões na atmosfera, informou nesta sexta-feira a Agência de Proteção Ambiental (EPA) americana.

A empresa também terá que "melhorar sua pesquisa sobre defeitos nas emissões e seu sistema de notificações para garantir o cumprimento futuro das normas, com um custo estimado de aproximadamente US$ 1 milhão por ano".

Segundo o comunicado da EPA, vários modelos da Mercedes-Benz entre 1998 e 2006 tinham defeitos nos conversores catalíticos que deveriam ter filtrado as emissões, mas que permitiram o escape de 500 toneladas de poluentes. O fabricante demorou a notificar o problema.

Depois que a EPA começou a investigar o problema, a Mercedes começou um "recall" para regular dois dos defeitos e notificou aos proprietários que ampliaria a cobertura da garantia para resolver um terceiro.

A EPA destacou que os poluentes não filtrados são os principais culpados pela produção do "smog", que contribui para o desenvolvimento de câncer, além de prejudicar as pessoas com asma e problemas respiratórios.

Projeto Educação Gaia é recomendado pela ONU

Jornal do Meio Ambiente

Reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma prática exemplar para a sustentabilidade do Planeta, o programa Educação Gaia chegou ao Brasil este ano e já começa a preparar as atividades para 2007.

O programa está sendo ministrado simultaneamente em 11 países, com o objetivo de incentivar os moradores das grandes metrópoles a viver de maneira sustentável, reeducando seu modo de viver no dia-a-dia. No Brasil, o Gaia é realizado em São Paulo e conta com o apoio da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal, do grupo Ecobairro e da Ecovila São Paulo.

Em 2006, o curso formou 80 novos facilitadores, que puderam compartilhar experiências com socioeconomistas, sociólogos, antropólogos e engenheiros. Agora, a meta é expandir o público-alvo e atingir formadores de opinião.

O arquiteto Marcelo Todescan, diretor da Todescan e Siciliano Arquitetura, é um dos responsáveis pelo Educação Gaia no Brasil. Ele conta que a iniciativa surgiu com base em experiências européias de ecovilas (comunidades auto-sustentáveis) e expandiu-se para outros continentes com a proposta de conscientizar as sociedades.

"O objetivo do Gaia é viabilizar um "estilo de vida" sustentável nas grandes metrópoles, como São Paulo, com a qualidade de vida que a grande cidade oferece sem comprometer a capacidade do Planeta e as futuras gerações", resume o arquiteto.

Ele destaca o fato de que o Brasil sedia a primeira experiência urbana do Gaia. Nos demais países, o foco são as comunidades rurais. "O trabalho extrapolou as ecovilas e foi muito bem-sucedido. Para 2007, queremos formar novos multiplicadores", adianta.

Com um ensino voltado para diretrizes sustentáveis alicerçadas na "Transformação Urbana: design ecológico, social e econômico para o desenvolvimento de cidades sustentáveis", o curso, de 180 horas distribuídas em 4 semanas, aborda desde aspectos teóricos até atividades práticas."Participamos da Feira de Economia Solidária, aqui na Capital, onde realmente colocamos a mão na massa! Foi importantíssimo para o aprendizado", complementa Marcelo Todescan.

A nova turma do Educação Gaia tem início previsto para abril de 2007. Os participantes irão interagir com profissionais experientes e respeitados no mundo inteiro. Informações: umapaz@prefeitura.sp.gov.br

02 janeiro 2007

HORTALIÇA GIGANTE CAUSA ESPANTO NO TRIÂNGULO MINEIRO

Ela pesa cerca de 15 quilos, mas ninguém sabe o que é. Comerciante diz que achava que as sementes eram de chuchu.

Do G1, em São Paulo, com informações do MGTV

No quintal de uma casa em Uberaba, no Triângulo Mineiro, nasceu uma hortaliça gigante que está chamando a atenção da vizinhança. Ela pesa quase 15 quilos e ninguém conseguiu identificar o que ele é.

O comerciante Geraldo Pereira acreditava que as sementes que plantou há cerca de três meses fossem de pepino. Agora ele acha que elas eram de chuchu. "Foi um amigo que trouxe as sementes. Aqui nunca deu isso. Os vizinhos também não sabem o que é", diz Pereira.

Ao todo, já nasceram três hortaliças semelhantes no quintal do comerciante.

A Secretaria Municipal de Agricultura já esteve no local e deve fazer uma análise para identificar o que foi plantado no quintal de Pereira.

01 janeiro 2007

Governo Bush propõe declarar urso polar em risco de extinção

Ambientalistas esperam que o novo status do urso, ameaçado pelo aquecimento global, force a administração americana a limitar a emissão de gás carbônico

fonte: AP

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos, sob pressão de três grupos ambientalistas, proporá a inclusão do urso polar na lista das espécies ameaçadas, informa o jornal The Washington Post.

O secretário do Interior, Dirk Kempthorne, marcou uma entrevista coletiva para esta quarta-feira, a fim de discutir a situação dos animais.

O Post, citando um representante do Departamento de Interior que pediu para não ser identificado, disse que a proposta será apresentada para publicação e ficará aberta a comentários do público por 90 dias. Segundo o funcionário citado pelo jornal, "analisamos todos os dados que nos levam a crer que o gelo sobre o mar, do qual os ursos dependem, vem recuando". O mesmo funcionário teria dito que "obviamente, o gelo marítimo está derretendo porque as temperaturas estão maiores".

Ainda segundo o jornal, o funcionário afirmou que o Serviço de caça e Pesca dos EUA estima que o urso poderá estar ameaçado de extinção dentro de 45 anos.

Uma vez que uma espécie é declarada em risco, o governo se vê impedido de tomar qualquer atitude que possa pô-la em perigo. No caso do urso polar, ambientalistas têm a esperança de que a declaração force as autoridades americanas a limitar as emissões de gás carbônico, um dos causadores do aquecimento global.

A administração de George W. Bush vem se recusando a impor limites à poluição gerada pela queima de combustíveis fósseis e a aderir a acordos internacionais que prevêem limites do tipo, afirmando que essas restrições poderiam colocar em risco a economia do país. A despeito disso, Estados como a Califórnia já adotaram estatutos próprios a respeito.

França: Lixo tóxico espalha o medo

Por Julio Godoy, da IPS

Paris - Cresce na França o temor pela decisão de queimar uma grande quantidade de lixo tóxico trazidos por mar desde a Costa do Marfim. Os resíduos, cerca de sete mil toneladas de petróleo e substâncias químicas misturadas com terra e cascalho, foram transportados no mês passado desde Abidjã, capital marfilesa, até a cidade portuária francesa de Le Havre. Uma vez no porto, foram levados de trem ao incinerador que fica em Salaise-sur-Sanne, a cerca de 50 quilômetros da cidade de Lyon, onde devem ser queimados nos próximos meses. Moradores e grupos ambientalistas respeitam a operação, mas outros levantam dúvidas sobre a eficiência do incinerador.

“Não sabemos nada sobre a toxidade destes dejetos, e perguntamos por que devem ser queimados em lugar de armazenados”, disse à IPS o porta-voz da Federação para a Proteção da Natureza (Frapna), Alain Chabrolle. Ele explicou que o acordo entre os governos da França e da Costa do Marfim “foi feito em total segredo, sem informar ao público. A companhia que administra o incinerador foi escolhida por Abidjã sem licitação”, afirmou. Chabrolle, disse que recentemente se descobriu que os incineradores emitem um nível de dioxinas superior ao permitido pelas normas ambientais e sanitárias francesas.

As dioxinas são subprodutos de processos industriais e de combustão. São substâncias muito tóxicas e voláteis, de grande persistência e capacidade para acumularem nos tecidos animais gordurosos e se transmitir através da cadeia alimentar. Estes compostos causam desordens nos sistemas imunológico e neurológico e podem provocar diversas doenças, desde uma forma persistente de acne até câncer, além de problemas na tireóide e defeitos de nascimento. Os cientistas comprovaram que os incineradores de lixo são os principais responsáveis pela contaminação da atmosfera com toxinas.

Dioxina se converteu em sinônimo de veneno ecológico depois do desastre ocorrido na cidade italiana de Seveso. Em julho de 1976, navios de carga de uma usina química perto dessa localidade se romperam e liberaram vários quilos de lixo tóxico, causando a morte de dezenas de milhares de animais domésticos e de criadouros. Cerca de 25 quilômetros quadrados de terra e vegetação foram afetados. Mais de 600 pessoas tiveram de ser evacuadas e duas mil tratadas por envenenamento com toxinas.

Jean-Luc Pérouze, porta-voz da organização ambientalista francesa Vivre Ici, disse que as deficiências do incinerador em Salise-sur-Sanne e a natureza tóxica do lixo a ser queimado “requerem um estudo epidemiológico na localidade e uma análise sistemática do solo da região”. Pérouze acrescentou à IPS que “queremos saber se podemos comer verduras, ovos e carne de animais que criamos aqui sem ter de pensar duas vezes sobre os riscos sanitários”. O lixo foi embarcado originalmente em Amsterdã até Abidjã em agosto pela firma holandesa de transporte de petróleo Trafigura Beheer BV.

Na capital da Costa do Marfim, o lixo causou a morte de, pelo menos, 10 pessoas, envenenamento de 10 mil e a contaminação de produtos agrícolas e de diversos sítios ao redor de uma lagoa. Salaise-sur-Sanne é uma pequena localidade no densamente povoado vale do Rio Rohne, onde se concentra grande parte da indústria química da França. Ali, antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os militares franceses produziram armas químicas como o gás mostarda. A preocupação pelo lixo tóxico aumentou depois que estudos do Instituto para a Vigilância da Saúde (InVS) constaram que os riscos de contrair câncer são maiores entre as populações que vivem perto de incineradores.

“Havia uma significativa relação entre o crescimento do risco de alguns tipos de câncer e o lugar de residência próximo de incineradores”, disse o InVS. As pesquisas também concluíram, em uma população de 2,5 milhões de pessoas que residem perto de incineradores, cerca de 136 mil desenvolvem diferentes tipos de câncer. O InVS calculou que o risco de contrair essa doença aumenta quase 10%. A França tem 128 incineradores, o maior número da Europa, e os usa para queimar lixo doméstico e industrial. Estes estudos levaram as autoridades sanitárias e ambientalistas a pedir uma moratória na queima dos dejetos.

Sébastien Lapeyre, porta-voz do Centro Nacional Independente de Informação sobre Incineração de Lixo, disse que os resultados da pesquisa InVS são “aterradores”. A indústria “não pode continuar mentindo sobre as conseqüências para a saúde humana da incineração de lixo tóxico. É tempo de deixar de usar esta tecnologia arcaica e perigosa”, disse à IPS. A oposição à incineração de lixo aumentou nos últimos anos, disse a antropóloga Elvire Van Stael, de Lyon. “Na França, o número de pessoas que rejeita projetos em zonas residenciais por questões ecológicas cresce dia a dia, particularmente quando se refere a incineradores”, acrescentou à IPS. (Envolverde/ IPS)

Últimos seis anos foram os mais quentes da história, diz ONU

A Terra está cada vez mais quente e o principal responsável pelo fenômeno, que ameaça a própria viabilidade do planeta, é o homem. Parte dos danos causados pelo aquecimento já é irreversível e o nível do mar continuará subindo durante mais de um século, mesmo se forem eliminadas as emissões de gases que geram o efeito estufa. Este é o resumo do Informe do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, em sua sigla em inglês), que foi antecipado na terça-feira pelo jornal espanhol El País.

O aquecimento global foi analisado por 2.500 cientistas durante cinco anos. Conclusões: seis dos sete anos mais quentes já registrados aconteceram depois de 2001; o Hemisfério Norte perdeu 5% de neve desde 1966; o nível do mar sobe por conta dos desgelos glaciais e aumento da temperatura. Desde 1961, subiu cerca de 0,8 milímetros por ano. Os cientistas acham altamente improvável que a recente mudança climática seja causada pela variabilidade natural do clima. (Jornal do Meio Ambiente)

Pesca sem controle

Por Fábio de Castro - Agência FAPESP

Sem a criação de grandes áreas de exclusão de pesca, boa parte das 60 espécies de tubarões e raias do litoral brasileiro poderá desaparecer dentro de dez anos. A avaliação é do oceanógrafo Sandro Klippel, analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo Klippel, que estudou a conservação dessa classe de peixes – os seláquios – no litoral da região Sul, a pesca industrial é a principal ameaça. “Na plataforma Sul, houve uma redução de aproximadamente 90% na abundância original das espécies, o que caracteriza fase crítica de extinção. A situação não é diferente no resto do litoral brasileiro”, disse à Agência FAPESP.

Entre 2001 e 2005, o pesquisador integrou a equipe do projeto Salvar Seláquios do Sul do Brasil, da Fundação Universidade Federal de Rio Grande (Furg), que identificou as áreas críticas em que seria necessário interditar a pesca ou interromper a captura de determinadas espécies. No fim de 2005, o pesquisador lançou, em co-autoria com o biólogo Carolus Maria Vooren, o livro Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil.

O projeto identificou 21 espécies de tubarões e raias na plataforma Sul. Nove delas criticamente ameaçadas de extinção. “A proporção é semelhante no resto do Brasil e a situação não mudou em 2006. Conseguimos a proibição da captura de certas espécies, o que ajuda muito, mas não houve avanços no ponto central: a criação de grandes áreas de exclusão de pesca”, afirmou.

A pesca de arrasto e de emalhe são as mais nocivas à biodiversidade marinha, de acordo com Klippel. Há áreas controladas, com fiscalização feita pelo Ibama. Cada barco pesqueiro flagrado realizando arrasto nessas áreas pode ser multado em até R$ 100 mil, mas as áreas de exclusão ainda não são suficientes.

“Avaliamos que seria preciso implementar, na plataforma continental, áreas de exclusão que equivalem a algo entre 30 e 50% de todo o litoral brasileiro. Com isso, conseguiríamos uma recuperação mínima dentro de dez ou 20 anos”, afirmou o pesquisador.

Hábitos reprodutivos especiais

Tubarões e raias sofrem particularmente com a ameaça de extinção devido a suas estratégias reprodutivas. “Os seláquios são vivíparos e as áreas costeiras de até 30 metros de profundidade são berçários. Dependendo da espécie, a gestação das fêmeas pode durar de um a três anos. A recuperação é muito lenta e impossível se houver pesca”, disse Klippel.

Embora algumas espécies sejam protegidas por lei, todas continuam sofrendo com a chamada pesca incidental. “Na maior parte das vezes, o barco pesqueiro procura outros peixes, mas atua nos berçários de tubarões e raias”, explicou.

Segundo o oceanógrafo, na década de 1980, somente no porto de Rio Grande (RS), eram desembarcadas anualmente cerca de 7 mil toneladas de tubarões e raias. Hoje, a fartura acabou. A criação de áreas de exclusão seria importante não apenas para preservar as espécies, mas para viabilizar a própria atividade pesqueira.

“A pesca só sobrevive porque tem subsídios do governo. O resultado é um círculo vicioso: incentiva-se o setor para que ele não quebre, evitando um impacto social, mas o investimento se transforma em devastação ambiental, que depois terá conseqüências sociais ainda mais perversas”, disse Klippel.

O livro Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil está integralmente disponível no site do Centro de Pesquisa e Gestão dos Recursos Pesqueiros Lagunares e Estuários de Rio Grande (Ceperg), do Ibama, no endereço www.ibama.gov.br/ceperg.

Argentina: Desmatamento sem controle

Por Marcela Valente, da IPS

Buenos Aires – Apesar do descontrolado avanço do desmatamento na Argentina, o projeto de declarar emergência florestal em todo o país, que esteve perto de ser aprovado no Congresso, foi adiado para o próximo ano. Em novembro passado, a Câmara de Deputados aprovou de maneira geral um projeto de lei cujos artigos começariam a ser debatidos quando o bloco de legisladores do oficialista partido Frente para a Vitória se dividiu. Na última sessão legislativa do ano, e após três adiamentos, a proposta elaborada com a participação de ambientalistas, ficou sem quórum, pelo menos em 2006, para ser debatida artigo por artigo.

“Os representantes das províncias afetadas decidiram não tratar o projeto porque tem aspectos pouco claros”, disse à IPS a legisladora Fabiana Bianco, da Frente para a Vitória na província de Misiones. “Não nos opomos, mas acreditamos que cada província deve aderir à emergência de forma voluntária”, acrescentou. Outros legisladores que apóiam este ponto de vista argumentam que a iniciativa iria “afetar a autonomia das províncias” se fosse aprovada tal com está. No entanto, esta idéia é rejeitada pelos promotores do projeto, para os quais a norma deve ser compulsiva para que tenha efetividade.

A deputada Marta Maffei, do opositor partido Afirmação para uma Republica de Iguais, disse à IPS que o oficialismo se dividiu entre os que são a favor de administrar racionalmente o recurso florestal e aqueles contrários ao controle do desmatamento. “Os deputados das províncias do norte do país querem que a floresta seja administrada pelos governadores, e já sabemos como isso termina, porque, até agora, as florestas vêm sendo exploradas e saqueadas sem controle por parte de grupos econômicos privados”, disse Maffei.

O projeto de lei Pressupostos Mínimos de Proteção Ambiental para Florestas Nativas (um patrimônio de 33 milhões de hectares em todo o país) objetiva frear a perda de 250 mil hectares com efeito da expansão da agricultura intensiva e da pecuária. Foi apresentado pelo deputado Miguel Bonasso, do partido Convergência, próximo ao oficialismo, e fortemente defendido por Maffei. A iniciativa foi adiada para as sessões extraordinárias de fevereiro próximo, quando, segundo os ambientalistas, será ainda mais difícil conseguir acordo porque 2007 será um ano de eleições gerais. Além disso, o projeto deverá passar depois pelo exame do Senado.

“Será preciso trabalhar muito para que não haja novo adiamento e para que o projeto seja aprovado sem mudanças substanciais que o façam ficar sem sentido”, afirmou Maffei. Dados da Secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (máximo organismo oficial encarregado do tema) mostram que a cada ano são destruídos na Argentina 250 mil hectares de florestas, uma extensão equivalente a 12 vezes a superfície de Buenos Aires, com o objetivo de ampliar zonas de cultivo, principalmente da soja.

“É uma vergonha, um papelão. A pressão das províncias que desmatam fez os deputados que eram favoráveis à lei voltarem atrás”, disse à IPS Hernán Giardini, coordenador a Campanha de Florestas do Greenpeace Argentina, uma das entidades que participou da preparação do projeto. Para essa entidade, trata-se de “uma hipocrisia” da parte dos legisladores oficialistas, já que o próprio presidente Néstor Kirchner afirmou este ano que “a mudança climática, a proteção da floresta nativa e o controle da água” seriam “os eixos principais da política de Estado em matéria ambiental” de seu governo.

O adiamento do debate legislativo se deve precisamente à resistência de deputados de seu próprio partido e que pertencem às províncias onde o desmonte é crítico. A Secretaria de Meio Ambiente apoiou a proposta, mas os interesses dos deputados provinciais foram mais fortes do que sua lealdade partidária. Uma fonte da secretaria, que preferiu o anonimato, revelou à IPS que houve fortes pressões de legisladores e até governadores para deter o projeto.

A proposta também tem apoio de todas as entidades ecológicas e de outras organizações, como a Federação Agrária Argentina, que reúne pequenos produtores rurais, e a Organização de Nações e Povos Indígenas na Argentina. A iniciativa legislativa, que foi votada afirmativamente de maneira geral por 150 dos 176 deputados presentes à sessão de 25 de novembro, diz que a partir de sua sanção “qualquer desmatamento será ilegal”, inclusive se feito com autorização regional, daí a resistência de províncias como Formosa, Misiones e Salta.

De fato, na véspera da última e sem sucesso sessão legislativa do ano, o Greenpeace denunciou que o governo de Salta autorizou o corte de 20 mil hectares de florestas, uma área equivalente a quase toda a cidade de Buenos Aires. O projeto declara a “emergência florestal” em todo o território e proíbe o desmatamento sem autorização da Secretaria de Meio Ambiente. Para levantar a proibição cada jurisdição deve apresentar um plano de ordenamento territorial. Esse plano deverá estabelecer categorias de florestas de acordo, por exemplo, com a superfície mínima para ser habitat de espécies nativas, sua vinculação com outras espécies, seu estado de conservação ou seu potencial agrícola e florestal.

Segundo este ordenamento, haveria zonas verdes de baixo valor de conservação que poderiam ser transformadas total ou parcialmente. Amarelas, de valor médio, que só podem ser destinadas a atividades sustentáveis, e as vermelhas, de altíssimo interesse ambiental, onde a preservação é primária e seria proibido alterar. Após apresentar as categorias, incluindo a autorização para desmatar expedida pelas comunidades nativas que habitam as florestas, a secretaria poderia permitir ou não o corte, com prévia apresentação do estudo de impacto ambiental.

As organizações ambientais como Fundação Vida Silvestre Argentina, Fundação Ambiente e Recursos Naturais e Greenpeace disseram que estes são requisitos “mínimos” para explorar os recursos naturais de maneira sustentável. Por outro lado, os legisladores de províncias inclinadas a autorizar os cortes preferiam que a moratória fosse de “adesão voluntária”. Giardini denunciou no passado que em algumas províncias, como Salta, Chaco e Santiago del Estero, seus governos haviam autorizados cortes em áreas habitadas por comunidades indígenas ou camponeses sem títulos de propriedade, e considerou necessário por um fim a essa situação. (IPS/Envolverde)