11 novembro 2006

A maior extinção causada pelo homem

Marcelo Bortoloti - Superinteressante

A grande vítima foi o pombo-passageiro, da América do Norte, provavelmente a ave mais abundante do planeta no século 17. Estima-se que havia até 5 bilhões desses pássaros somente nos EUA. O maior bando conhecido tinha quase 2 bilhões de aves que, voando, ocupavam um espaço de 1,6 km de largura por 500 km de comprimento. Sua passagem por uma cidade levava dias seguidos.

O pombo-passageiro começou a ser caçado pelo homem como alimento. Depois, descobriu-se que ele poderia ser usado para ração de porcos e, até, para fertilização do solo. Nos séculos 17 e 18, ele foi a carne que aparecia em quase todas as refeições servidas aos escravos. Em 1805, um par de pombos-passageiros custava 2 centavos de dólar em Nova York.

Por volta de 1850, percebeu-se que o número de pombos havia caído drasticamente. As fêmeas botavam apenas um ovo por vez, e seriam necessários alguns anos para recuperar o volume da população. Mas não deu tempo. Acredita-se que todos os pássaros do último bando remanescente tenham sido mortos num único dia, em 1896, quando aproximadamente 250 mil indivíduos foram abatidos numa caçada esportiva. Em 1900, um garoto de Ohio matou o último exemplar selvagem.

Restou apenas um pombo-passageiro em cativeiro, ou melhor, uma pomba chamada Martha, que morreu no zoológico de Cincinnati, Ohio, em 1914. Seu corpo embalsamado está até hoje exposto à visitação no Museu Nacional de História Natural, em Washington.

ELES TAMBÉM FORAM ELIMINADOS

BLUE PIKE
Era um peixe de coloração azul, que vivia na região dos Grandes Lagos, no Canadá e nos EUA. O blue pike chegou a representar 50% de toda a pesca comercial da região. Entre 1885 e 1962 foram comercializados 450 milhões de quilos dessa espécie.

GREAT AUK

Eram os pinguins do Ártico. Começaram a ser perseguidos pelo homem ainda no século 8, por cuasa da sua carne e da pele, usada na fabricação de agasalhos. O último casal foi morto em julho de 1844, enquanto chocava um ovo.

DODÔ
Ave de 1 metro de altura das Ilhas Maurício, no oceano Índico. O dodô não sabia voar e não tinha medo das pessoas, o que fez dele uma presa fácil para os portugueses que chegaram às ilhas. Toda a espécie foi exterminada em menos de 200 anos.

LOBO-DA-TASMÂNIA
Um dos maiores mamíferos carnívoros do mundo, habitava o sul da Austrália. Foi exterminado porque era considerado uma ameaça aos rebanhos. Em 1888 foi oferecida uma recompensa de 1 libra por cabeça de lobo entregue ao governo.

07 novembro 2006

Brasil é país que mais preserva florestas, diz estudo inédito

Campinas - O ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, apresentou em Campinas (SP), dados de um estudo ainda inédito para provar que o País é o que mais contribuiu para a preservação das florestas nativas originais nos últimos 8 mil anos.

A pesquisa, feita pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), avaliou o porcentual que cada região do planeta respondia por essas florestas e concluiu que, no período avaliado, a fatia brasileira cresceu três vezes e a da Europa, excluindo-se a Rússia, diminuiu 73 vezes.

"É uma relação de 230 vezes entre as duas regiões", disse o ministro. "O território brasileiro é a área do planeta em que as florestas originais mais têm sido preservadas em termos relativos mundiais", disse Guedes.

O governo pretende utilizar o documento, a ser divulgado oficialmente até o próximo mês, para desmistificar e refutar críticas sobre o desmatamento da Floresta Amazônica, utilizadas nas ameaças de barreiras não-tarifárias ao agronegócio brasileiro. Isso explica o fato de a Embrapa tê-lo elaborado e ainda que modelo de comparação apresentado até agora seja a Europa.

O continente europeu é o maior cliente dos produtos agrícolas brasileiros, mas também é um dos que mais impõem barreiras tarifárias. Na quinta-feira passada, Guedes já havia mostrado os números preliminares numa reunião da Câmara de Comércio Holanda-Brasil, em Amsterdã. "E eu pude perceber que o impacto foi muito grande", disse o ministro.

De acordo com o levantamento, o Brasil tinha, há 8.000 anos, 6,3 milhões de quilômetros quadrados em florestas, ou 9,8% do porcentual mundial de cobertura primária de matas. Na mesma época, a área européia com florestas correspondia a 7,3% da área mundial ou 4,7 milhões de quilômetros quadrados. Desde então, o Brasil desmatou quase 2 milhões de quilômetros quadrados, hoje possui 4,38 milhões de quilômetros em florestas primárias, mas responde por 28,3% da área atual no mundo.
Só que a escalada na devastação na Europa fez com que apenas 14 mil quilômetros quadrados das florestas originais resistissem, uma redução de 4,67 milhões de quilômetros quadrados, praticamente a área atual de florestas no Brasil.

Guedes não mostrou, mas afirmou que os dados da pesquisa mostra ainda que 41% das florestas preservadas do mundo estão na América do Sul, ante 18,5% há oito mil anos.

"O estudo não justifica que nós derrubemos uma árvore sequer, e não há necessidade de que isso seja feito para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Mas nós queremos chamar a atenção, diante das inúmeras dificuldades que enfrentamos, que o território brasileiro é o que mais contribui para a preservação no mundo", reafirmou o ministro da Agricultura, que participou hoje da 9ª Conferência Internacional de Proteção de Produtos Armazenados, na cidade paulista.

Em sua apresentação na conferência, para uma platéia de técnicos e especialistas de 46 países, Guedes reforçou as críticas ao protecionismo mundial e, principalmente, às ameaças aos produtos agrícolas brasileiros por meio de barreiras não-tarifárias.

Ainda sobre a questão ambiental, o ministro detalhou aos presentes a diferença entre a Floresta Amazônica e a Amazônia Legal, região que, apesar de incluir a mata, tem 1 milhão de quilômetros quadrados, ou 100 milhões de hectares a mais e avança sobre estados agrícolas como o Mato Grosso, Maranhão e Tocantins. "Da área total de soja do Brasil, apenas 0,27% está em áreas de floresta. É bom salientar ainda que o governo brasileiro conseguiu reduzir no último ano em 31% o ritmo de desmatamento dessa floresta", exemplificou Guedes. Apesar de falar em português, toda a apresentação gráfica feita pelo ministro foi em inglês.

Por fim, Guedes ainda rebateu as críticas feitas à mão-de-obra forçada ou escrava na agricultura brasileira, possíveis ameaças não-tarifárias ao agronegócio. Ele citou dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que apontaram 12,3 milhões de pessoas em trabalho forçado no mundo no ano passado e explicou que no Brasil foram flagrados, em 2005, 4.273 trabalhadores nessas condições pelo Ministério do Trabalho.

"É claro que é um absurdo ter um só trabalhador em condições forçadas, mas a agricultura brasileira tem 17,7 milhões de empregados, e o problema no Brasil não tem a dimensão que querem dar", concluiu o ministro.
(Jornal do Meio Ambiente)

Erradicar fome até 2025 custaria menos do que guerras, diz representante da ONU

Brasília - O representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil, José Tubino, fala sobre o programa América Latina e Caribe sem Fome.

Para vencer o desafio de chegar a 2025 com índice zero de fome no mundo, seria necessário investimento entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões por ano, diz o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, José Tubino.

“É um valor infinitamente menor do que o que se gasta com guerras”, comenta Tubino, em entrevista à Agência Brasil.

A meta está entre os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – melhorias de caráter social, econômico e ambiental definidos pela Organização das nações Unidas (ONU) na Cúpula do Milênio, realizada em 2003 em Nova York. Estima-se que existam hoje 854 milhões de pessoas subnutridas no mundo.

O desafio da segurança alimentar foi tema de diversos debates e atividades no Brasil entre 16 e 22 de outubro, quando o país se inseriu na Semana Mundial da Alimentação. Este ano, o tema foi “Fortalecer a agricultura familiar para garantir a segurança alimentar”.

Segundo os dados da FAO, os pequenos são a maior parte dos produtores agrícolas do mundo. José Tubino lembra que esses produtores enfrentam muitos obstáculos fora de seu controle, como falta de crédito, posse insegura de terra, sistema de transporte fraco, baixos preços e relações de negócios com agronegócio pouco desenvolvidas.

O Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, é celebrado na mesma data de criação, em 1945, da FAO, cujo objetivo é elevar os níveis de nutrição e de desenvolvimento rural. (FAO)